5G: o admirável mundo novo do varejo

Novo padrão de conectividade começa a sair do papel no Brasil e aponta para uma revolução no uso da tecnologia em todas as áreas dos supermercados

Novembro de 2021 marcou o início de uma revolução no varejo brasileiro. O leilão das principais faixas da conectividade 5G, nas frequências de 700 MHz, 2,3 GHZ e 3,5 GHz, faz com que a promessa de conexões com velocidades 100 vezes superiores às do 4G, com um tempo de latência (demora na resposta) 90% inferior, comece a se concretizar. E o resultado de tudo isso representa uma revolução para os negócios.

“A tecnologia 5G será transformadora para tudo o que depende de conectividade. E o varejo será muito impactado por essa transformação”, avalia Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail. “Isso porque ela transforma radicalmente a forma como a conectividade é vivenciada, tanto do ponto de vista pessoal, quanto dos processos de negócios”, comenta.

As possibilidades são as mais variadas – e todas com um grande potencial de transformação no varejo. O aumento da velocidade das conexões permite, por exemplo, que aplicações de Realidade Virtual e Realidade Aumentada sejam muito mais imersivas. “Tudo o que se refere à geração de conteúdo em vídeo se torna muito mais acessível com o 5G. O marketing e a comunicação com o cliente terão uma série de novas oportunidades”, analisa o consultor.

A redução da latência em 90%, por sua vez, é o que viabiliza aplicações como o uso de carros autônomos, drones e robôs em grande escala, acelerando processos de separação de produtos nos Centros de Distribuição e a entrega em toda a cadeia logística. “Teremos um supply chain muito mais eficiente, monitorado em tempo real, com novas modalidades de entrega e CDs inteligentes e automatizados”, afirma Serrentino.

Esse cenário é ainda mais positivo em países como o Brasil, em que a tecnologia no supply chain não é tão avançada. “Estamos correndo atrás do prejuízo e o 5G é uma grande oportunidade para um salto de qualidade”, acredita Marcelo Tupan, COO da Tlantic, fornecedora de sistemas de gestão para o varejo. “IoT, RFID, Inteligência Artificial, sistemas preditivos e machine learning são algumas tecnologias que terão um salto em sua adoção”, avalia.

Por uma característica curiosa da tecnologia, ela pode se tornar ainda mais democrática. A 5G precisa de mais antenas e equipamentos em regiões mais adensadas e verticalizadas, como as grandes cidades – o que encarece sua implantação nas regiões mais populosas. Por outro lado, ela tem um grande alcance no campo e em cidades de menor porte, que oferecem menos obstáculos à propagação do sinal. “Dessa forma, varejistas do interior que estiverem preparados poderão aproveitar desde o início o potencial da nova tecnologia”, afirma Serrentino, da Varese Retail.

Essa característica também viabiliza a coleta de dados no campo, favorecendo a rastreabilidade ao longo de toda a cadeia de suprimentos e dando impulso à integração do supply chain. “Contar com informações ‘da fazenda à mesa’ é uma ideia que está no mercado há algum tempo, mas sempre esbarrou na falta de dados confiáveis e atualizados em tempo real. Com o 5G, caminhamos para termos uma rastreabilidade total na cadeia e informações 100% seguras sobre os produtos, o que aumenta a segurança alimentar”, explica Tupan, da Tlantic.

Uma nova experiência

Com o 5G, a ideia de “experiência ao cliente” será reinventada. Afinal de contas, tecnologias até hoje muito caras ou complexas demais serão democratizadas. Recursos como Realidade Virtual, Realidade Aumentada e provadores virtuais de roupas se tornarão mais imersivos e acessíveis, tanto para os varejistas quanto para os clientes.

Em um mundo 5G, a experiência de compra também será mais automatizada. “Pense em todos os aparelhos inteligentes, como sensores e sistemas de automação residencial. Tudo isso poderá ter mais serviços embarcados, trazendo novas oportunidades de negócios que o varejo pode descobrir na venda para o cliente”, diz Serrentino.

A conectividade de sensores facilitará o desenvolvimento de lojas autônomas, colocando os pontos de venda mais perto dos clientes com sortimentos hiperlocalizados. A ideia é que, com o 5G implementado, as informações fluam rapidamente em toda a cadeia, facilitando o abastecimento de lojas de uma forma muito assertiva. “A ideia é colocar em cada PDV exatamente o que o público irá precisar. Nem mais, nem menos. É uma ideia simples, mas que exige muita integração do supply chain e capacidade preditiva. Para isso, o varejo precisa coletar e usar muito mais dados do que hoje”, analisa Tupan.

Com o aumento do uso de dados e seu tráfego ao longo de toda a cadeia de distribuição, a segurança da informação será um tema ainda mais importante. Afinal de contas, existe um potencial ainda maior de invasão dos sistemas, caso todos os parceiros de negócios não façam seu dever de casa e priorizem a cibersegurança. “Sem dúvida, a segurança da informação será ainda mais importante com a 5G, tanto pela manutenção de sistemas de uma geração anterior, quanto pela necessidade de ter segurança dos dados em toda a cadeia de suprimentos”, ressalta Serrentino.

O lado positivo é que a adoção do 5G não acontecerá da noite para o dia, mas será um processo gradual. “Muita coisa vai se desdobrar a partir da difusão do 5G, mas tudo é uma jornada. Não vamos sair do zero e mudar tudo de uma hora para outra”, acredita o especialista da Varese Retail. Para Tupan, da Tlantic, essa jornada depende do contexto do cliente. “É preciso atacar os pontos de dor e resolver cada um deles. Como cada varejista está em um momento diferente, essa jornada será personalizada”, analisa. “O mais importante é estar preparado, cultural e financeiramente, para fazer essa transformação acontecer, pois ela fará toda a diferença”, completa.

Como o 5G impacta a operação do varejo?

O início da operação da tecnologia 5G no Brasil mudará muita coisa nos supermercados. Da cadeia logística ao relacionamento com o cliente, veja o que será transformado com o novo modelo de conectividade

Arquitetura de TI

– Aceleração da adoção de sistemas em nuvem (cloud computing)

– Adoção exponencial da arquitetura de microsserviços e da integração por meio de APIs

– Adaptação dos sistemas atuais para lidar com mais dados e em maior velocidade

– Investimentos maciços em cibersegurança

Cadeia de suprimentos

– Monitoramento em tempo real do transporte de produtos

– Viabilização de novas modalidades de entrega

– Coleta e análise de dados em tempo real agregando inteligência à “última milha”

– Informação em tempo real sobre ruptura de estoques

– Uso intensivo de drones e carros autônomos

Centros de Distribuição

– Aumento da automação no recebimento de produtos

– Aceleração do uso de robôs para separação de produtos

– Controle preciso do inventário dos CDs

Nos supermercados

– Reposição em tempo real de produtos nas gôndolas

– Informação precisa sobre ruptura

– Barateamento das tecnologias para lojas autônomas

– Informação em tempo real sobre a validade e qualidade dos produtos, disparando promoções ou substituições

Experiência do cliente

– Realidade Virtual

– Realidade Aumentada

– Personalização das ofertas e do relacionamento com o cliente

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