BRF tem prejuízo de R$ 199 milhões no 2º trimestre

Companhia diz que o resultado foi impactado por “efeitos inflacionários e cambiais nas despesas financeiras”

As despesas com juros e contingências e a pressão dos grãos sobre as margens operacionais levaram a BRF ao vermelho. Em balanço divulgado hoje à noite, a dona de Sadia e Perdigão reportou um prejuízo líquido de R$ 240 milhões no segundo trimestre, uma piora sensível na comparação com o lucro de R$ 307 milhões de igual intervalo de 2020.

A grande responsável por essa diferença é uma opção de venda que o fundo soberano do Catar, sócio da BRF na produtora de carne de frango turca Banvit, possui. A opção, que vence no fim do ano, é atualizada por um múltiplo de Ebitda. Como o resultado da Banvit melhorou, esse valor foi atualizado R$ 28 milhões. Um ano atrás, o contrário havia ocorrido — o pior desempenho da controlada turca reduziu as despesas financeiras em R$ 338 milhões. Vale ponderar que essas atualizações só vão afetar o caixa quando o fundo exercer a opção.

Mas as despesas com a Banvit não foram as únicas responsáveis. Excluindo esse impacto, a despesa teria crescido 38%, de R$ 528 milhões para R$ 731 milhões. De acordo com Moura, as despesas com juros atrelados ao IPCA subiram, um resultado inevitável diante da forte aceleração da inflação no país. Na linha de juros, as despesas aumentaram 35,8% na comparação anual, totalizando R$ 431 milhões. As contingências (processos perdidos) também tiveram impacto, aumentaram 70%, atingindo os R$ 148 milhões no trimestre.

Na avaliação de Moura, o movimento do Banco Central de apertar as condições monetárias, elevando a taxa Selic, deve se traduzir em inflação mais baixa à frente, o que tende a aliviar o impacto das dívidas atreladas ao IPCA. “Há efeitos pontuais, mas estamos no caminho certo. Claro, a inflação atrapalha, tanto na despesa financeira quanto na margem operacional”.

De fato, a inflação de custos — sobretudo dos grãos usados na ração animal — prejudicou a margem bruta da companhia. Apesar disso, um analista de um grande banco avaliou que diante da disparada vista nos preços de soja e milho, a BRF conseguiu se “segurar bem” no lado operacional. Para ele, o tamanho da dívida — e da despesa financei ra, consequentemente — é ainda é muito alto. Nesse cenário, os resultados precisam ser muito bons para pagar os credores e, ao final, também chegar ao acionista.

No segundo trimestre, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da BRF totalizou R$ 1,27 bilhão, aumento de 23% na comparação anual. Mesmo c om a disparada dos grãos, a margem Ebitda caiu apenas 0,4% ponto, chegando a 10,9%. Em comparação, a rival Seara teve uma compressão de margem Ebitda bem maior (de 16,9% para 9%). Considerando apenas o negócio no Brasil, a margem Ebitda da BRF caiu de 3,1 pontos.

Operações no Brasil

No Brasil, o volume de vendas cresceu 2,7%, para 570 mil toneladas de aves, suínos e processados – sendo a maior expansão no primeiro item (+5,2%). A receita líquida no país aumentou 24,8%, para R$ 5,8 bilhões. O lucro bruto da operação brasileira foi de R$ 1,06 bilhão, alta de 3,8%, com Ebitda ajustado de R$ 492 milhões, baixa de 8,8%. No país, a a empresa sentiu os reflexos da alta dos custos de aves e suínos, em virtude da forte valorização dos grãos que compõem as rações dos animais.

Operações internacionais

No segmento internacional, o volume de vendas somou 499 mil toneladas, alta de 7,7% no comparativo com o segundo trimestre de 2020. A receita líquida foi de R$ 5,4 bilhões, crescimento de 29%, com Ebitda ajustado de R$ 619 milhões (+32,2%).

Rações para pets

A empresa destacou sua entrada no mercado de pets, por meio das aquisições dos grupos Hercosul e Mogiana e, também, de seus investimentos em plant-based e do aporte de US$ 2,5 milhões na Aleph Farms, startup israelense que desenvolve carne cultivada a partir das células de animais.

“Avançamos em nossa performance com resultados sólidos neste trimestre, evoluindo na qualidade e no mix de produtos tendo como objetivo consolidar a BRF como uma companhia de alimentos de alto valor agregado e com marcas fortes e admiradas”, disse, em nota, Lorival Luz, CEO da BRF.

Fonte: Por Rikardy Tooge, Valor

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