Famílias lançam mão de estratégias para driblar a inflação

Para manter o carrinho cheio, realizam compras em grupo, usam apps e aproveitam as promoções do varejo

Com os preços dos alimentos nas alturas, consumidores estão recorrendo a estratégias para manter as compras no carrinho. Pesquisa assídua de preços, acompanhamento dos dias de promoções de cada produto, compras em atacarejos, aplicativos e programas de fidelidade nos supermercados passaram a fazer parte da rotina de quem convive com uma inflação acumulada em 12 meses que passa de 10% há sete meses.

Com a renda comprimida, comportamentos como a caça de descontos e a estocagem de alimentos ganham espaço para fechar as contas no fim do mês.

A cada 45 dias, o militar Rodrigo Soares, de 41 anos, faz compras em atacadões. Ele faz uma espécie de mutirão de compras, com produtos para sua própria casa, a da namorada e a da mãe.

Para produtos como pães, legumes, verduras e frutas, ele acaba recorrendo ao mercado do bairro, mas procura economizar em produtos de limpeza, bebidas, itens de higiene pessoal e alimentos não perecíveis, comprados em maior quantidade.

— Aquilo que conseguimos estocar, compramos juntos no atacado porque acaba saindo mais em conta. Alguns produtos têm descontos, como levar cinco unidades e pagar por três. Vale a pena — afirma.

Pensados inicialmente para atender pequenos comerciantes ou empreendedores, os mercados de atacado, ou atacarejos, oferecem preços mais vantajosos nas compras em quantidade e recebem cada vez mais clientes comuns:

— A quantidade de clientes “pessoa física” cresceu nos últimos anos e se intensificou no período da pandemia da Covid-19. Esse movimento está atrelado a duas razões principais: o preço oferecido pelo modelo de negócios, que trabalha com valores até 15% menores do que o varejo tradicional, e a transformação do formato do atacarejo, que tem evoluído para oferecer uma experiência de compra cada vez mais abrangente — avalia Moacir Sbardelotto, diretor regional do Assaí Atacadista, rede que inaugurou seis lojas na Região Metropolitana do Rio no ano passado e pretende abrir outras cinco em 2022, como parte da compra do Extra Hiper.

O casal de vendedores Adriana Sampaio, de 40 anos, e Leonardo Cunha, de 32 anos, deixou de comprar no varejo tradicional no início da pandemia. Para alimentar os três filhos, também recorrem aos atacadistas, que consideram vantajosos mesmo com as altas no preço dos alimentos.

— Laticínios, carnes e produtos de limpeza são os itens que mais valem a pena na nossa realidade. Deixamos de fazer aquela grande compra de mês, vamos ao mercado toda semana e gastamos uma média de R$ 600. No início, sentimos uma diferença de 20% a 30%, em comparação a outros mercados. Agora, a diferença é de uns 10%, mas ainda vale a pena — diz Leonardo.

Rotina de troca no menu

Junto com a já tradicional pesquisa de preços, comparando anúncios e encartes, outra ferramenta se tornou uma aliada importante na hora das compras: os aplicativos e programas de descontos nos supermercados. No Rio, grandes redes como Prezunic, Mundial e Mercado Extra, oferecem preços mais vantajosos para clientes cadastrados.

Casado e pai de duas filhas, o empresário Roberto Duarte, de 33 anos, sente o impacto no poder de compra principalmente nos itens de alimentação. Além das substituições cada vez mais constantes no cardápio da família, como a troca da carne vermelha pelo frango, a forma de ir ao mercado também mudou:

— Priorizo os supermercados que oferecem descontos nos aplicativos e fico comparando se as ofertas valem a pena em relação às dos outros. Ainda que a diferença seja de centavos, às vezes, no fim faz toda a diferença no orçamento. Não consigo entrar no mercado hoje e gastar menos de R$ 100, mesmo que precise comprar apenas coisas básicas que faltam naquele momento. É muito triste — desabafa.

Fonte: Letícia Lopes e Taís Codeco*, O Globo

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