Magazine Luiza lança ferramentas para aproximar parceiros do marketplace

Incentivos relacionados a frete e meios de pagamentos integram as novas diretrizes da rede Magalu

O Magazine Luiza apresentou ações de incentivo aos vendedores de seu “marketplace” (shopping virtual) e uma nova política de frete com base em nível de serviço, durante o Expomagalu, evento anual da companhia.

A empresa ainda começou a testar em julho o seu serviço de anúncios na plataforma, o Magalu Ads, e detalhou o lançamento de suas “maquininhas” de cartão, iniciativa anunciada há alguns dias. Nos últimos meses, os principais “marketplaces” têm revisto políticas de frete e taxas de comissão na tentativa de reter e atrair vendedores.

“[Nossas ações] são sustentáveis, dentro de uma racionalidade e pensando no longo prazo. Não damos frete grátis ou simplesmente reduzimos comissão, seguimos uma lógica, uma relação de ‘ganha-ganha com o seller [lojista]’”, disse Frederico Trajano, CEO do grupo, durante o evento.

Há diferentes formatos de incentivo a depender do volume de vendido. Se o lojista atingir R$ 10 mil em receita mensal e superar em 30% a venda do mês anterior, a companhia dá desconto de um ponto na taxa de comissão. Se o lojista vender 60% a mais, tem desconto de dois pontos percentuais.

Os marketplaces têm buscado volumes maiores de venda e maior oferta de itens para se manter relevantes aos clientes, na hora de ele escolher onde comprar. Hoje, a taxa de comissão cobrada pelo Magazine Luiza é de 3,99% para pequenos lojistas (no programa “Parceiro Magalu”), e de 12,8% para os demais, atingindo 16% em casos de venda com antecipação de valores à loja, disse Leandro Soares, diretor de marketplace da empresa.

“Ainda haverá sorteio de vale compras de R$ 1.000 aos vendedores das plataformas, e concorrerão os lojistas que receberem cupons. A cada compra feita na plataforma, o lojista recebe um cupom válido no sorteio”, disse Soares.

Na segunda-feira o AliExpress, do chinês Alibaba, anunciou a abertura de seu marketplace para venda de lojistas brasileiros com taxas de comissão abaixo da média mercado, mas sem serviços de logística que as plataformas brasileiras oferecem por aqui.

O Magazine Luiza ainda informou que lançará conta e cartão de crédito para pessoa jurídica. “Não haverá anuidade para ter conta empresa e haverá opção de cartão também sem anuidade. Já temos recursos por meio de um FDIC [fundo de direitos creditórios], direcionado para essas iniciativas. Eu ganho com o lojista operando dentro do meu sistema todas as ferramentas que tenho, e isso faz ele vender mais na nossa plataforma”, diz Robson Dantas, que comanda a área de fintech.

Sobre as maquininhas, são três modelos diferentes, o MagaluPay Mini, o MagaluPay Super e o MagaluPay Smart. O primeiro é o mais simples, e custará ao lojista R$ 199. O segundo sairá R$ 299 e o terceiro, R$ 499 (com funcionalidades de celular embutido). A empresa diz que já há um subsídio para chegarem a esse preço. A Stoq, adquirida em 2020 e que desenvolve sistemas de ponto de venda, atuou no projeto.

“No modelo de R$ 499, o lojista consegue gerir estoque e ter um melhor controle de suas vendas. Ainda tem acesso à loja on-line. A intenção é que mesmo lojistas que não são nossos parceiros [no marketplace] possam utilizar a máquina e isso seja uma porta de entrada para mais lojistas que não vendem on-line, dentro da ideia de digitalizar o varejo brasileiro”, diz Dantas.

O Mercado Livre oferece diferentes tipos de maquininhas aos lojistas há alguns anos. A Americanas não tem esse equipamento.

Em relação ao serviço de anúncios no seu marketplace, a empresa começou a oferecer a ferramenta aos vendedores, em teste piloto, no mês passado. “Na sua conta de acesso, o seller escolhe o produto que quer anunciar, o tempo e quanto quer gastar de sua conta que já tem conosco. Nós buscaremos as melhores opções de exposição considerando esses critérios. Mais para frente, o lojista navegará com maior autonomia”, diz Eduardo Galanternick, vice-presidente de negócios.

Outra iniciativa da empresa, relacionada com frete, envolve a segmentação dos incentivos.

Desde 2019, o Magazine oferecia frete gratuito aos lojistas com excelente nível de serviço (alta taxa de despacho dos produtos no prazo de 24 horas). Agora, há três grupos determinados. Vendedores com lentidão nos envios continuam sem direito à gratuidade. Aqueles com bom nível de serviço, dividirão o custo com o Magalu. E os de nível excelente mantém o direito à gratuidade. “Isso incentiva aquele que está no nível bom a migrar para o excelente”, diz Soares.

Trajano ainda comentou o atual ambiente econômico e político, com revisões de projeção de PIB pelos bancos. “Nosso plano de investimentos continua porque temos uma visão de longo prazo e estamos com uma estrutura de caixa boa, fizemos uma captação recentemente e temos R$ 10 bilhões em caixa líquido. Então não estamos preocupados com uma variação no cenário alguns meses”.

A direção ainda saiu em defesa do modelo formal de venda on-line, com emissão de notas fiscais, o que impede a sonegação. “Aqui não é 25 de março, não é camelódromo digital, não dá para crescer informalmente. Não existe crescimento sustentável na informalidade, isso é atalho. Uma hora vai ter batida da Receita Federal e da Polícia Federal, uma hora isso dá problema. Crescemos porque não fazemos gol de mão”, disse Trajano aos lojistas, no evento virtual.

Fonte: Por Adriana Mattos, Valor

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