Mais uma rede varejista parte para o cash and carry

 Mais uma rede varejista parte para o cash and carry

Em caixa, 75 milhões de reais para começar a expansão audaciosa do grupo

Sertãozinho, no interior de São Paulo, é conhecida por sua produção de açúcar e álcool. Mas em meio ao canavial e à área agrícola, desenvolveu-se na cidade uma das principais redes de supermercado do Brasil, a Savegnago.

Com um faturamento em 2021 de R$ 4,3 bilhões, a empresa se mantém fiel à estratégia de crescimento no interior do estado e, após compra de algumas lojas da rede Paulistão, planeja sua expansão para os atacarejos.

A família Savegnago está há 46 anos desenvolvendo o negócio, com um crescimento que começou na cidade de Sertãozinho e região de Ribeirão Preto e, na última etapa, chegou até a região de Campinas, onde aconteceram as mais recentes inaugurações. Ao todo são 57 lojas em 20 cidades de São Paulo, com previsão de fechar o ano com 60 unidades, todas no interior.

Representando um novo marco na expansão, a empresa comprou no final do ano passado 14 das 28 unidades da rede de supermercados Paulistão, em uma negociação com o Grupo Peralta pelo Shopping Passeio, em São Carlos (SP), que era propriedade da empresa.

“Como não temos muita vocação para a atividade de shopping, fizemos uma troca de ativos”, disse o presidente-executivo da rede Savegnago, Chalim Savegnago. Com a compra, iniciaram uma nova fase, com algumas unidades já transformadas na marca e outras como parte do plano de entrada no segmento de atacarejos.

Para iniciar o projeto, cinco mercados do Paulistão serão convertidos para o novo formato, com um investimento de R$ 75 milhões. E, até 2025, o objetivo é ter 15 unidades de atacarejo em funcionamento, considerando o desenvolvimento das lojas desde a compra do terreno.

Como resultado, espera-se um crescimento de 50% no faturamento, quando comparado com 2022. Para que a operação funcione, muita coisa precisará mudar, como a diminuição do mix de produtos, de 15 mil itens para 7 mil, redução dos serviços oferecidos em loja e a própria estrutura mais simples. Tudo para que a operação do mercado fique mais barata e essa diferença possa ser sentida pelo consumidor na hora da compra.

A entrada no segmento vem em um bom momento. Motivados pelo aumento dos preços, esses canais se tornam uma opção de economia. Dados da Kantar apontam que em 2021 o atacarejo atingiu 73% dos lares brasileiros, apesar de viver uma retração no volume de compra, com 170kg por ano por pessoa. Olegário Araújo, professor e pesquisador do Centro de Excelência em Varejo da Fundação Getulio Vargas, explica que esse movimento é natural, justamente para que as redes possam alcançar mais pessoas e ampliem suas possibilidades. “As empresas vão segmentando para atender as diferentes necessidades dos clientes”, disse.

PROXIMIDADE Nessa mesma busca por diversificação e consumidores, a Savegnago também está de olho na proximidade e na digitalização. A primeira loja no formato de proximidade foi inaugurada em Sertãozinho em março de 2022 e está sendo usada como laboratório para a empresa. Com os mesmos 300m2 da primeira unidade inaugurada em 1976, a Savegnago Prático está em estudo para o crescimento do formato. E mergulhando na transformação digital do varejo de alimentos, em todas as cidades em que atua há venda on-line, mesmo elas não representando muito no faturamento final da empresa.

A rede é a 15a maior do Brasil, de acordo com o ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), e não se assusta com os grandes players. Brigando por preços mais competitivos e apostando em serviços para os consumidores, a Savegnago se solidifica e encontra força no interior paulista. “A gente acaba fazendo um trabalho diferenciado, mais próximo do cliente, com um mix de produtos mais assertivo”, disse Chalim Savegnago. “Então conseguimos ter sucesso nas cidades em que atuamos.”

Fonte: Lara Sant’anna, Isto É Dinheiro

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