Mercado de cervejas premium deve girar R$ 80 bi até 2025

Dados da Euromonitor mostram que o faturamento desse produto com alto valor agregado, praticamente dobrou no Brasil nos últimos cinco anos

A pandemia de covid-19 obrigou as pessoas a ficarem mais em casa, mas isso não se traduziu na redução do consumo de cerveja. Pelo contrário. Segundo dados da Euromonitor, o volume de cervejas vendido no País em 2020 foi o maior desde 2014, ano em que o Brasil sediou Copa do Mundo.

O mercado vinha de anos difíceis, com quedas contínuas de volume entre 2015 à 2018. Além de ter um efeito na quantidade, as quarentenas forçadas também tiveram influência na qualidade, ajudando a acelerar o processo de “premiunização” do setor. As principais empresas estão de olho nesse movimento – e não param de lançar marcas para estimular o paladar da clientela.

Para se ter uma ideia, o faturamento das cervejas consideradas premium cresceu 85% entre 2015 e 2020, para R$ 52 bilhões. A expectativa da Euromonitor é que esse número cresça mais 53,9% até 2025 e alcance faturamento de R$ 80,2 bilhões. Um dos motivos dessa aceleração foi a estratégia de crescimento agressiva da Heineken, especialmente com a sua principal marca. A bebida mais amarga caiu no gosto dos brasileiros, que começaram a procurar cervejas mais refinadas.

“Foi o grande movimento das cervejas premium e o mercado se tornou menos industrial e mais artesanal. O fato de as pessoas estarem mais em casa e sem opções de lazer, além do dinheiro do auxílio emergencial que permitiu mais gastos com indulgências, ajudaram esse mercado”, diz Rodrigo Mattos, analista de bebidas e tabaco da Euromonitor International.

Lançamentos

Além de conquistar um consumidor com maior poder aquisitivo, o segmento premium também significa maiores margens. Por isso, não é à toa que esse crescimento também serviu para aumentar a disputa entre a Ambev e a Heineken, as duas maiores empresas do setor.

A Heineken é vista por especialistas do setor como uma das grandes responsáveis pela aceleração desse movimento nos últimos anos, especialmente com o crescimento de sua marca homônima. Já que a estratégia vem dando certo, ela vai continuar investindo forte nessa sofisticação do mercado.

Nos últimos anos, a empresa trouxe diversas marcas para o Brasil, como as americanas Blue Moon e Lagunitas, além de expandir a distribuição das marcas brasileiras Baden Baden e Eisenbahn, que passaram a fazer parte do portfólio do grupo holandês após a aquisição da rival Brasil Kirin, em 2017.

A aposta mais recente da Heineken é a Tiger, marca de Cingapura que é um de seus cinco maiores produtos globais. A ideia da companhia é abocanhar uma fatia dos consumidores mais jovens que começaram a ter contato com as cervejas.

“Existia sempre a dúvida que o paladar do brasileiro não era de cerveja amarga e provamos o contrário. Hoje, temos 46% do segmento premium e somos líderes no País”, diz Mauro Homem, diretor corporativo da Heineken no País.

A Heineken, de fato, passou a ser uma água no chopp da Ambev. Mesmo assim, a cervejaria controlada pelo fundo 3G Capital, do bilionário Jorge Paulo Lemann, continua tendo uma fatia acima de 60% do mercado total. A companhia, no entanto, não está parada vendo o crescimento da rival. Assim como a Heineken, a Ambev tem aumentado o número de lançamentos e criação de novos produtos.

Nos últimos anos, a companhia trouxe e aumentou a distribuição de marcas consagradas no exterior, como a mexicana Corona, as alemãs Becks e Spaten e a americana Goose Island. Neste ano, está apostando na cerveja de baixa caloria Michelob Ultra. A ideia, segundo Felipe Cerchiari, diretor de inovação da Ambev, é ter bebidas diferentes para ocasiões diferentes.

“Fizemos estudos que mostram que quanto mais o PIB per capita cresce, maior também o número de ocasiões em que as pessoas bebem, e queremos dar opções diferentes para as pessoas”, afirma Cerchiari.

A Ambev também tem apostado no segmento entre o popular e o premium. Um exemplo é a Brahma Duplo Malte, que segundo Cerchiari, foi o maior lançamento da história da AB Inbev, pois já foram produzidos mais de 4 milhões de hectolitros. Hoje, 20% do faturamento da Ambev vem de produtos lançados nos últimos três anos. Antigamente, não passava de 8%.

Bares x delivery

Com a reabertura dos bares, a disputa entre as duas empresas seguirá forte. Porém, o consumo dentro de casa também deve continuar em alta. De acordo com uma pesquisa da Kantar, 68,6% das pessoas beberam cerveja em suas residências em 2020, 4 pontos porcentuais a mais do que no ano anterior. E, entre as duas empresas, quem está mais na frente é a Ambev, com o Zé Delivery.

O aplicativo realizou 29 milhões de entregas no primeiro semestre do ano passado – 2 milhões a mais do que todo o ano de 2020, que já havia tido um crescimento exponencial. “O consumidor brasileiro está ávido por novidades e a palavra da vez é o benefício que as empresas estão dando para ele”, afirma Cerchieri.

A Euromonitor aponta que as cervejas premium representam 2,5% do mercado total de cervejas no País. Parece pouco, mas a participação se multiplicou por cinco em cinco anos. Em mercados mais desenvolvidos, esse porcentual chega a 15%. Então, a disputa entre as líderes tem tudo para aumentar

Fonte: por André Jankavski, O Estado de S.Paulo

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