De olho no market share, M. Dias Branco vai reduzir embalagens e rentabilidade

Diante a escalada de aumentos, companhia prevê que a nova tática ocorra em algumas regiões do país

Sem a perspectiva de melhora nos preços das matérias-primas, a administração da M. Dias Branco, fabricante das massas Adria e dos biscoitos Piraquê, trabalha com um cenário de 2022 de mais pressão de custos e considera que, em algum momento, a estratégia de aumento da rentabilidade terá de dar espaço à proteção de participação de mercado.

“Os trimestres vão continuar bastante desafiadores”, diz Gustavo Theodozio, diretor-financeiro da fabricante.

Segundo ele, os preços não estão apenas elevados em real. Ele cita o exemplo do trigo.

“Imaginávamos um arrefecimento esse ano e não aconteceu. E olhando para 2022 a perspectiva não é tão boa quanto imaginávamos. No Brasil e na Argentina, a produção está indo muito bem, mas, em contrapartida, Estados Unidos, Canadá e Rússia estão com restrições climáticas e preço deve continuar pressionando. A Rússia especificamente tem a questão de taxação e uma discussão interna para reduzir exportações”, conta.

Diante disso, o executivo diz que a empresa segue confiante na estratégia de cortes de gastos. As despesas com vendas e administrativas representaram, respectivamente, 16,6% e 3,0% da receita no terceiro trimestre.

“Tem muita frente de trabalho para minimizar a pressão de custos, entendendo que o mercado consumidor não consegue absorver todo aumento de preço.”

Com a perspectiva de limite no bolso do consumidor, a administração da companhia também reconhece que os reajustes de preços dos produtos podem não ser mais a melhor estratégia mais à frente.

“Temos optado por rentabilidade, mas não é decisão binária. Nossa [participação de mercado], de mais de um terço em todas as categorias, é confortável para buscar rentabilidade, mas tem limite, claro”, disse Theodozio.

Por isso, o executivo acrescenta que em algumas regiões será preciso “abrir mão de rentabilidade” para não perder muito fatia de mercado. O que deve ser feito, sinalizou ele, é mais trabalho de redução de embalagens, o chamado “downsize”.

“Já percebemos isso nos concorrentes, especialmente em biscoito”, disse, acrescentando que o movimento começa a ser visto também em massas secas.

Nas farinhas, no entanto, a concorrência ainda não fez reajustes, o que levou a uma diferença expressiva de preço, aponta Theodozio, afirmando não entender como os custos estão sendo absorvidos pelas outras companhias.

Fonte: Raquel Brandão, Valor

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