Camil compra marca Seleto e entra no ramo de café

Negócio que precisa do aval do CADE, amplia o portfólio da Camil, considerada uma gigante de alimentos no país

A Camil informou nesta segunda-feira que fechou acordo com a JDE Brasil para comprar as marcas de café compostas pelo termo “Seleto” registradas no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi). O negócio marcará a entrada da empresa no segmento de café.

Segundo a Camil, a operação está alinhada com sua estratégia de diversificar suas operações. Os valores não foram divulgados, e a conclusão do negócio depende de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

“A Camil possui um histórico consistente de crescimento e ampliação de participação de mercado por meio de aquisições. Essa mais recente aquisição consiste em um passo importante para o ingresso da companhia no mercado de café, vindo ao encontro de seus objetivos estratégicos de aquisições de marcas e ativos no setor de consumo na América do Sul”, disse a Camil em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Além do café Seleto, a JDE Brasil é dona de cerca de 10 marcas de café, como Caboclo, Do Ponto, Pilão, Pelé, Seleto e Moka. Além das cápsulas gourmet Bravo e L’OR. Segundo o comunicado, a aquisição é sobre a propriedade intelectual das marcas, ou seja, não há detalhes se as instalações das companhias foram adquiridas junto com o nome delas.

Dos cento e vinte países de atuação, a JDE é, de fato, líder ou vice-líder em vinte e oito. Afinal, as vendas da empresa correspondem a 11% das vendas mundiais de café. A empresa existe desde o século dezoito e, desde então, já atendeu por diferentes nomes.

A JDE, conhecida também como Jacobs Douwe Egberts, é uma companhia holandesa, que ocupa o segundo lugar nas vendas brasileiras de café. No Brasil, o grupo JDE Brasil conta com duas fábricas, quatro escritórios comerciais e uma sede na cidade de Barueri, no estado de São Paulo. A fábrica localizada na cidade de Jundiaí é, hoje, considerada uma das maiores fábricas mundiais de café moído e torrado.

A Camil hoje atua nas áreas de grãos, pescados (com a marca Coqueiro), e açúcar (é dona das marcas União, Barra, Neve e Duçula), além da recente incursão no segmento de massas. A empresa registrou em 2020 receita de R$ 7,47 bilhões e lucro líquido de R$ 462 milhões, a operação anunciada marca a entrada da companhia nos ramos de massas, achocolatados e molhos.

A companhia já havia anunciado em agosto a intenção de atuar no ramo cafeeiro. Luciano Quartiero, presidente da Camil, já disse ao GLOBO que a empresa está interessada também em ampliar sua atuação na cadeia do trigo e poderá fazer aquisições em outros subsetores da área, como farinhas e biscoitos.

O executivo já havia dito em agosto que o setor de café tem similaridades com os de arroz, feijão, trigo e açúcar. – Faz sentido para a Camil entrar no (negócio de) café, é um mercado que como os que já atuamos tem alto giro, e possibilidade de grandes sinergias, como o uso do mesmo time de vendas e as mesmas equipes de promoção em supermercados que os segmentos em que já atuamos – disse Quartiero à época.

No início dos anos 2000, a marca já fazia parte do portfólio da americana Sara Lee (posteriormente Douwe Egberts). Em 2012, foi vendida ao grupo mineiro Foods Alimentos e, quatro anos depois, foi comprada pela JDE, conglomerado que resultou da fusão entre a divisão de café da Mondelez e a Douwe Egberts.

Fonte: Valor e Exame

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