Confiança do comércio cresce com melhora nas vendas

Continuidade do bom humor do empresário caminha lado a lado com a evolução da pandemia, diz FGV

Impulsionada pela melhora nas vendas no varejo, o Índice de Confiança do Comércio (Icom) subiu 2 pontos em junho, para 95,9 pontos, informou nesta terça-feira a Fundação Getulio Vargas (FGV). A alta mensal, a terceira consecutiva, mesmo em meio à pandemia, levou a confiança do comércio ao maior patamar desde outubro de 2020 (95,8 pontos). O economista da FGV Rodolpho Tobler, alerta, entretanto, que a sustentabilidade do bom humor do varejista depende da evolução da pandemia.

Na prática, o comerciante não está confiante em relação à melhora no número de casos e de óbitos por covid-19 nos próximos meses. O surgimento de novas variantes da doença, mais transmissíveis, torna mais cauteloso o empresariado do setor, que não tem certeza da sustentabilidade de vendas em um cenário de piora da crise sanitária, acrescenta Tobler.

Ao detalhar a falta de confiança do empresariado quanto ao futuro, o economista cita como exemplo a evolução dos dois sub-indicadores componentes do Icom. O Índice de Situação Atual (ISA) subiu 9,3 pontos de maio para junho, para 104,2 pontos – o maior patamar de pontuação desde outubro de 2020 (105,1 pontos) e o primeiro resultado acima de 100 pontos do ano, quadrante favorável do indicador. Em contrapartida, o Índice de Expectativas (IE) caiu 5,6 pontos, para 87,6 pontos no mesmo período, notou o técnico.

“Creio que estamos em uma situação parecida com a do início do terceiro trimestre do ano passado”, observa o economista, que lembra que, na época, uma ligeira melhora dos números de casos e de óbitos por covid-19, além de pagamento de auxílio emergencial em valor de R$ 600, elevou vendas do comércio e, por consequência, a confiança do empresariado do setor.

“O volume de vendas reagiu, na época, e depois veio uma frustração”, diz Tobler, recordando a piora da pandemia nos últimos meses de 2020, bem como pagamento de auxílio emergencial cortado pela metade no quarto trimestre. Esses fatores desaceleraram ritmo de vendas no setor, pontua.

Lembrar o que ocorreu no ano passado faz com que o comerciante seja mais cauteloso esse ano, avalia Tobler. O economista comenta que outros países vivem um período de grande incerteza, com avanço da variante Delta, originada da Índia, conduzindo a novos casos da doença. Ele não descarta possibilidade de o mesmo ocorrer no Brasil.

Para que o Icom continue a subir em horizonte de longo prazo, o especialista cita como condição sanitária ter pandemia finalizada ou pelo menos minimamente controlada, além de melhora nos cenários político e econômico.

O especialista comenta o atual ambiente de incerteza política e, no contexto macroeconômico, diz ser preciso uma retomada mais robusta no mercado de trabalho para aumentar o nível de consumo, visto que o valor do auxílio emergencial nesse ano é menor, em torno de R$ 150. “Mas acredito que a pandemia é o principal fator, é o primeiro fator” de influência na alta do Icom, diz. “Com a pandemia mais controlada, todos fatores mais dependentes [em economia e em política] tem mais clareza de trajetória.”

Por Alessandra Saraiva, Valor

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