Kraft Heinz compra catarinense Hemmer

Ao adquirir empresa centenária, a multinacional vai expandir a plataforma internacional da Kraft Heinz nas categorias de condimentos e molhos. Brasil é um dos países prioritários para o crescimento global da empresa

A Kraft Heinz Company, detentora das marcas Heinz e Quero no Brasil, anunciou que entrou em um acordo para adquirir a catarinense Hemmer, uma empresa brasileira focada em molhos, condimentos e conservas. Trata-se do terceiro maior movimento estratégico da Kraft em uma década de atuação no Brasil.

O negócio é mais uma etapa do plano de Miguel Patrício — o CEO global — para crescer fora dos Estados Unidos, onde a indústria de alimentos controlada por 3G Capital e Warren Buffett ainda faz 80% das vendas.

Os números da aquisição não foram divulgados — o impacto financeiro é marginal para um conglomerado com US$ 26 bilhões em faturamento —, mas a Hemmer representará um salto importante para a Kraft Heinz no Brasil.

A associação com a Hemmer – uma empresa de 106 anos sediada em Blumenau, Santa Catarina – irá expandir a plataforma internacional da Kraft Heinz nas categorias de condimentos e molhos denominada Taste Elevation, assim como apoiar a estratégia de aumentar sua presença em mercados emergentes. A conclusão desta transação está sujeita à aprovação do CADE (o Conselho Administrativo de Defesa Econômica do Brasil).

“Juntar forças com a Hemmer nos oferece uma grande oportunidade de acelerar nossa estratégia de crescimento internacional centrada em Taste Elevation – nosso portfólio de produtos com alta qualidade e delicioso sabor que realçam o paladar da comida”, afirmou Rafael Oliveira, o Presidente da Zona Internacional da Kraft Heinz.

A considerar os últimos balanços divulgados, a centenária companhia fundada em 1915 pelo imigrante alemão Heinrich Hemmer, um empresário que começou vendendo chucrute em Blumenau, fatura o equivalente a um quarto das vendas da Kraft Heinz no Brasil.

Juntas, Kraft Heinz e Hemmer alcançam uma receita líquida de quase R$ 1,8 bilhão — tomando por base os dados do ano passado, quando os catarinenses reportaram R$ 374,4 milhões em vendas.

No Brasil, a aquisição dará à Kraft Heinz uma marca para competir com preços intermediários em ketchups, mostardas e maioneses. “A Hemmer ocupa um espaço mainstream onde a gente não jogava”, disse Fernando Rosa, presidente da companhia no Brasil desde o fim do ano passado, ao Pipeline.

A Kraft Heinz já liderava o mercado nacional em ketchup, mas só atuava nas duas pontas, com a marca premium Heinz e a marca de combate Quero. “A Hemmer tem um papel regional e uma participação relevante”, disse o executivo, sem abrir o market share.

A transação, apenas a segunda da história da companhia no país — a primeira foi a Quero, um negócio de R$ 1 bilhão que marcou a chegada da Heinz no Brasil em 201  —, pode significar apenas o início de um processo mais amplo.

“Não estamos fechando a agenda. Temos uma estratégia muito clara para ser uma das maiores empresas de alimentos do país, e isso vai acontecer orgânica e inorganicamente”, frisou.

“A Hemmer, assim como a Kraft Heinz, apresenta uma oportunidade de crescimento consistente. Com o apoio da nossa experiência e agilidade, enxergamos um grande valor a longo prazo na união das nossas empresas.” afirmou Fernando Rosa, presidente da Kraft Heinz Brasil.

A Hemmer irá se beneficiar da rede de distribuição e modelo de atendimento da Kraft Heinz no país, incluindo o canal de foodservice que está crescendo ainda mais rapidamente.

“Nos últimos anos, a Hemmer vem crescendo como uma empresa alimentícia que é sinônimo de sabor, qualidade e variedade de portfólio. Estamos extremamente honrados com a potencial aquisição e oportunidade de expansão que essa negociação oferece ao dar sequência na história da nossa família na região,” afirmou Christian Luef, CEO da Hemmer.

Num sinal de que os tempos na Kraft Heinz são mesmo outros — com mais foco em inovação e talvez menos intransigentes com o corte de custos que fez a fama do trio Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles —, Rosa fez questão de ressaltar que não há qualquer plano de demissões.

“Vamos manter as unidades de negócios operacionalmente separadas. Não temos nenhum interesse de sinergia em pessoas”. Quando assumir a Hemmer — a aquisição precisa da aprovação do Cade, o que deve levar de quatro a seis meses —, a Kraft Heinz incorporará cerca de 1,2 mil funcionários, fazendo o grupo chegar a mais de 3 mil no país.

Por outro lado, as sinergias de distribuição são mais óbvias e desejadas, o que pode dar à marca de origem catarinense uma penetração muito além do Sul e São Paulo, onde as vendas estão concentradas atualmente. “Estamos vendo uma oportunidade de levar a marca Hemmer através da nossa plataforma de distribuição para todo o Brasil”.

Globalmente, a compra da Hemmer também pode ser encarada como uma evolução na reestruturação conduzida por Miguel Patricio, que levantou mais de US$ 6 bilhões com a venda de ativos no ano passado (o negócios de queijos para a Lactalis e a divisão de snacks à Hormel) para reduzir as dívidas e recolocar a companhia na trilho do crescimento.

Fontes: Pipeline Valor e Kraft Heinz

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