Negócios da Solar, engarrafadora da Coca-Cola, recebem aporte de R$ 650 milhões

Companhia busca novas aquisições, principalmente na região Centro-Oeste do país

A Solar Bebidas, segunda maior fabricante e engarrafadora da Coca-Cola no Brasil, tem conseguido crescer mesmo com as adversidades da pandemia. Em 2021, aumentou o faturamento em 11%, para R$ 9,8 bilhões, já considerando a incorporação do Grupo Simões, negócio anunciado há sete meses e que lhe permitiu entrar no Norte do país.

O plano para este ano é investir R$ 650 milhões, um salto de 30% em relação ao ano passado, e continuar pesquisando oportunidades de aquisições, em especial no Centro-Oeste.

“Acredito que a Solar, no seu papel de agente consolidador, tem ainda um caminho a trilhar. Há outras fabricantes no Centro-Oeste que constituem oportunidades para aumentarmos a captura de sinergias”, disse ao Valor o presidente da Solar, André Salles. Antes do negócio com a Simões, a Solar atuava em toda a região Nordeste, no Estado de Mato Grosso

Salles lembrou que o movimento de consolidação do setor não é algo novo. No Brasil, disse, há 40 anos eram 55 fabricantes que atendiam à Coca-Cola. Hoje, são sete. A própria Solar surgiu da consolidação de três grandes engarrafadoras, em 2013: Renosa, Norsa e Refrescos Guararapes. A Coca-Cola tem 27,5% da Solar, e o restante está dividido entre o Grupo Calila e as famílias Mello (Grupo Renosa) e Simões. “Esse movimento de consolidação é algo que perpassa o sistema Coca-Cola em todo o mundo”, diz o executivo.

Com a incorporação, a Solar atende agora 70% do território brasileiro, com uma população de cerca de 80 milhões na região. A Solar fica com 13 fábricas e 44 centros de distribuição, atendendo cerca de 370 mil pontos de venda. A Solar emprega 15 mil pessoas, considerando os 3 mil da Simões.

No mercado brasileiro, a empresa está atrás apenas da mexicana Femsa, a maior fabricante do sistema Coca-Cola no mundo. Com a conclusão do negócio com o Grupo Simões, a Solar saltou de 15ª maior fabricante global para a posição de número 13.

A Solar tinha um plano de abrir o capital na B3, em uma oferta secundária (com os recursos captados indo para os acionistas vendedores de ações). Essa operação seria feita antes da incorporação da Simões, mas a piora na economia fez a Solar desistir por ora do plano.

“Nós, junto com dezenas de outras empresas, acabamos desistindo por não ser o momento adequado em função das condições de mercado. Em uma eventual oportunidade, quando o mercado estiver favorável, queremos retomar a oferta pública”, disse o executivo.

A Solar viu seu faturamento crescer nos últimos três anos. Em 2021, atingiu receita de R$ 9,8 bilhões, alta de 11% na comparação com 2020. O Ebitda (lucro antes de juros, s, depreciação e amortização) consolidado foi de R$ 1,2 bilhão em 2021. Por ano, a empresa produz 2,7 bilhões de litros. A empresa tem agora 1,4 mil caminhões próprios.

Os planos para este ano incluem investimentos de R$ 650 milhões, um crescimento de 30% na comparação com o ano passado. Os aportes se concentram na modernização dos equipamentos e fábricas, frota e custos com a operacionalização do a incorporação do Grupo Simões.

Tocar o negócio, entretanto, não tem sido fácil. A alta dos preços de insumos, como pet e lata, assim como a depreciação do real aumentam os custos e ajudam a afastar o consumidor, que está com menos dinheiro no bolso. Mesmo assim, o executivo afirmou que a empresa tem conseguido ampliar Market share e margem.

“No ano passado conseguimos, através de mecanismos de hedge, contornar esse componente inflacionário e repassar [o aumento de custo para o preço final] abaixo da inflação. Para este ano, teremos de praticar um aumento de preço em linha com a inflação”, disse.

Um desafio adicional tem sido tocar a operação em meio ao aumento de casos de covid-19 e de influenza. Segundo Salles, atualmente os afastamentos por licença médica rondam os 4% dos funcionários. Na segunda onda, que atingiu o país entre março e abril de 2021, essa fatia chegou a quase 7%.

Fonte: Cristian Favaro, Valor

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