NRF destaca a transformação dos formatos de varejo

Mudanças nos modelos de trabalho impactam mobilidade urbana e criam novas demandas por serviços no varejo americano

As consequências da pandemia se desdobrarão por muitos anos – talvez décadas – no varejo americano. Mudanças em comportamentos há muito arraigados estão gerando uma nova sociedade e, na esteira disso, transformando a relação dos consumidores com o varejo supermercadista.

A NRF Big Show 2022 apontou diversas tendências e mostra que o futuro trará muitos desafios para o varejo, mas, como costuma acontecer, imensas oportunidades de crescimento. “Vivemos uma explosão de modelos de venda ao consumidor e mesmo a loja física passou a ter uma infinidade de papéis em um varejo cada vez mais digitalizado e integrado”, afirmou Lee Peterson, VP Executivo da WD Partners.

Nessa “supernova do varejo”, surgem modelos de negócios que são experts em propostas muito específicas, que se mostram simplesmente fundamentais para o consumidor pós-pandemia. É o caso das startups focadas em quick commerce, um mercado que movimentou entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões nos EUA no ano passado, segundo a Coresight.

O conceito, também chamado de instant delivery, depende da capacidade de integrar dados e de uma grande eficiência logística, de distribuição, processos e pessoas para viabilizar a entrega de produtos em 15 a 30 minutos em grandes cidades. “O instant delivery aumenta o nível de exigência do consumidor em todo o varejo”, diz Jens Kiliman, VP Global de supply chain da JOKR, startup presente em 7 países (Brasil inclusive).

E é fácil entender o motivo: peça suas compras e receba em menos de meia hora. Cabe ao varejo ter a eficiência operacional, a capacidade logística e o planejamento para fazer isso acontecer. “No instant delivery, precisamos criar dark stores muito próximas aos clientes, com um estoque muito ajustado para que não haja quebras nem itens que não vendem. E para isso precisamos investir em Inteligência Artificial e machine learning para prever quando o cliente irá desejar um determinado produto”, conta Kiliman.

Mas também existem transformações que vão muito além da introdução de tecnologia. Os supermercados precisarão repensar suas localizações e seus investimentos em real estate, uma vez que cada vez menos pessoas irão trabalhar 5 dias por semana no escritório. “Isso muda a dinâmica da mobilidade urbana e pode inviabilizar lojas que até agora deram retorno”, diz Ira Kalish, Chief Global Economist da Deloitte.

Com clientes se deslocando menos de casa para o trabalho, o perfil de consumo também muda, com mais refeições feitas em casa e menos alimentação fora do lar. Os supermercados podem se aproveitar dessa tendência com lojas mais próximas dos clientes e a capacidade de atender a diferentes missões de compra. É nisso que a americana Albertsons aposta. “A área de perecíveis é onde o cliente tem as boas experiências, e elas serão cada vez mais valorizadas”, comenta Vivek Sandarak, CEO da varejista. “Para a compra de produtos de limpeza, por exemplo, pode fazer muito sentido oferecermos programas de assinatura ou fazermos um reabastecimento automático”, imagina.

O fato é que a NRF Big Show 2022 deixou muito claro que os fatores que fizeram o sucesso dos supermercados até agora não garantirão o sucesso futuro. É preciso estar preparado – e essa preparação começa desde já.

A próxima edição da revista SuperHiper terá uma reportagem especial sobre o evento e as tendências para os supermercados.

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