Por Renato Müller
Os produtos de marca própria do varejo superaram pela primeira vez os 50% de participação de mercado nos seis maiores mercados europeus: França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha e Reino Unido. Com a alta da inflação em todo o mundo e temores devido à guerra no Oriente Médio, os consumidores aceleraram seu movimento rumo a produtos de melhor relação custo/benefício – e as marcas próprias saíram ganhando.
De acordo com dados recentes da Circana, a Espanha é o país europeu onde as marcas próprias têm maior penetração, com 59% de market share. A seguir vêm Holanda (56%), Alemanha (52%), Reino Unido (50%) e França (46%), mostrando que esse é um fenômeno presente nos mercados mais relevantes da Europa Ocidental. Na Itália, as marcas próprias têm um share de 36%, refletindo um grau diferente de maturidade.
Para a Circana, embora existam razões conjunturais para o crescimento recente, o movimento de expansão das marcas próprias é estrutural no mercado europeu. A melhora na qualidade dos produtos, a ampliação do sortimento e a entrada em segmentos de maior valor agregado reforçaram os atrativos das marcas próprias frente às marcas tradicionais.
Com isso, as marcas próprias têm deixado de competir exclusivamente em preço, passando a incorporar atributos vinculados à saúde, conveniência ou novas tendências de consumo, como linhas premium, produtos funcionais e itens adaptados a dietas específicas. “As marcas próprias se consolidaram como alternativas confiáveis e completas para os consumidores”, afirma Ananda Roy, VP Sênior de Strategic Growth Insights da Circana.