O que os supermercados podem aprender com o “jeito Amazon” de vender alimentos?

Dados sugerem que empresa está posicionando a bandeira Amazon Fresh para tomar mercado de supermercadistas “high/low”

Quando se fala no efeito da Amazon sobre o varejo de alimentos, costuma-se comparar o que a empresa está fazendo com as iniciativas do Walmart, como se a concorrência no mercado americano se resumisse às duas gigantes. O que os dados mostram, porém, é que supermercados convencionais deveriam colocar suas barbas de molho.

Uma análise feita nos últimos seis meses pela consultoria Brick Meets Click a partir de uma cesta composta pelos 30 itens mais populares no varejo alimentar mostra que, na comparação com as lojas das redes Walmart, Aldi e Jewel mais próximas, a Amazon Fresh não tem trabalhado uma estratégia de ter sempre o preço mais baixo, não está na disputa com o “preço baixo todo dia” e adota uma abordagem um pouco diferente.

Detalhando:

Foco não é ser o mais barato sempre

A comparação das quatro redes foi feita com base nos dados da loja da Amazon Fresh em Schaumburg, Illinois. Logo que abriu, a loja oferecia preços comparáveis com os da Aldi, a mais barata da região, com o objetivo de se estabelecer com preços relevantes para os clientes. A ideia era atrair clientes para conhecer a loja e influenciar seu comportamento, estimulando o retorno.

Seis meses depois, porém, ficou claro que a Amazon Fresh reduziu a quantidade e a intensidade das promoções, se localizando em preços acima da Aldi e do Walmart, mas abaixo da Jewel, uma rede supermercadista convencional. Para a Brick Meets Click, essa é uma clara indicação de que a Amazon Fresh não pretende competir com hard discounters ou varejistas de massa, acreditando que preço não é o único critério – e talvez nem o principal – para os clientes que ela busca.

A Amazon Fresh quer tomar mercado dos supermercados tradicionais

Posicionada entre os varejistas de descontos e os supermercados convencionais, a Amazon Fresh procura tomar mercado de redes que atuam no conceito “high/low” – com ofertas pontuais e preço médio mais alto. Como normalmente os clientes Amazon Fresh estão mais próximos dos consumidores de supermercados tradicionais do que de redes focadas em descontos, a varejista tem procurado atrair clientes interessados em compras rápidas de itens essenciais para o dia a dia. Dessa forma, a empresa bate os supermercados convencionais em preço e conveniência, mas não no serviço em áreas como açougue, peixaria, deli e padaria.

Uma estratégia “quase preço baixo todo dia”

Em sua estratégia promocional, a Amazon Fresh não adota nem o “high/low” das redes convencionais, nem o “preço baixo todo dia” do Walmart. Assim como a Aldi, ela prefere promover alguns poucos itens, mas de forma intensa. Mas, diferentemente da Aldi, a Amazon Fresh se posiciona com um preço médio mais elevado, embora ainda em média 10% abaixo dos supermercados convencionais.

Assim, embora a briga de titãs entre Amazon e Walmart chame a atenção, a verdadeira disputa da Amazon Fresh é com redes estabelecidas há mais tempo, em formatos de varejo alimentar mais tradicionais.

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