Páscoa tem menos lançamentos nas lojas

Mesmo com bolso apertado do cliente, indústria acredita em vendas maiores ante 2021. Barras e bombons concorrem abertamente com os ovinhos de chocolate

Com a renda das famílias pressionada, fabricantes de chocolate confiam na volta das reuniões familiares e entre amigos para puxar as vendas da Páscoa de 2022. As grandes fabricantes ouvidas projetam um aumento médio de 10% nas vendas, levando ao melhor desempenho desde o início da pandemia.

Mas há a preocupação em como concretizar as projeções em meio ao cenário inflacionário e outros indicadores macroeconômicos que tiram renda do consumidor. De acordo com a pesquisa publicada pela Plataforma Gente, da Globo, 35% dos entrevistados pretendem reduzir seus gastos nesta Páscoa. Entre as razões estão “preços caros (23%)”, “situação financeira atual” (20%), “menos dinheiro disponível” (15%) e “desemprego” (12%).

Diante da maior resistência a preço do lado do consumidor, as fabricantes tiveram que seguir segurando parte dos repasses necessários. Dona da Ferrero Rocher e do Kinder Ovo, a italiana Ferrero reajustou em 5% a linha de produtos Kinder e não fez repasses para o restante. O presidente do grupo na América do Sul, Max De Simone, explica que a companhia estabelece seus preços considerando um horizonte mais amplo de inflação.

“Entendemos impactos a curto e médio prazo e buscamos manter perto da inflação média”, afirma, apontando que o mercado nacional é estratégico. “Queremos crescer no Brasil. Ganhar competitividade nos ajuda a ganhar participação.”

Hoje, o grupo tem 13% do segmento de mercearia doce. “Na Páscoa, quase dobramos nossa participação com os ovos.” A projeção da Ferrero é de que as vendas cresçam de 10% a 15% em volume e 15% em valores.

Além de sacrificar parte da margem ao absorver custos, o setor também acredita na diversificação do portfólio e menor dependência do principal produto da data para driblar as dificuldades de consumo. Levantamento da Associação Paulista de Supermercados (Apas) mostra que os ovos de Páscoa estão 40% mais caros na comparação com o ano passado. Ainda assim, a expectativa dos supermercados paulistas é de que as vendas totais de chocolate cresçam 36% no período.

Essa perspectiva positiva vem, em grande parte, dos lançamentos. De acordo com a Abicab, associação que representa mais de 90% das empresas do setor, a Páscoa terá 150 novos produtos, 58% a mais do que foram criados um ano antes.

O portfólio de Páscoa de 21 itens da argentina Arcor é “praticamente” de renovações, diz o diretor marketing, pesquisa e desenvolvimento Anderson Freire. A dona da Tartuguita espera que o volume vendido cresça 10% ante 2021, quando teve “a melhor Páscoa nos últimos dez anos”.

De acordo com Freire, a estratégia da empresa está em ver a data como uma oportunidade não só para os tradicionais ovos, mas para aumentar as vendas de bombons e barras. “Fizemos todo um trabalho para levar produtos para toda família de forma que cabe no bolso dos consumidores. Produtos abaixo da inflação e a partir de R$ 10.”

A lógica é similar para as duas maiores fabricantes do mercado, Nestlé e Mondelez. A fabricante suíça, que também é dona da Garoto, diz que as vendas cresceram duplo dígito no ano passado e que espera ainda melhor desempenho em 2022. O portfólio de 24 itens tem ao menos 5 novidades, mas a expectativa é de que a linha regular também seja impulsionada. “Nosso portfólio conta com itens menores e preços mais acessíveis, como os mini ovos e os coelhos de chocolate”, diz Marcos Freitas, gerente de marketing de sazonais da Nestlé.

Alvaro Garcia, diretor de vendas da Mondelez, dona da Lacta, diz que a Páscoa é cada vez mais de chocolates e não só de ovos. A empresa subiu preços de alguns produtos e  e não de outros. “E lançamos outros para preencherem esse ‘gap’”, diz destacando os mini ovos a partir de R$ 11 e a nova barra de Oreo.

Mas mais do que o portfólio, Garcia aposta que a diversificação de canais como diferencial da Páscoa de 2022. A Lacta trouxe o metaverso para seu site, para que o consumidor se sinta numa loja física. Enquanto as vendas totais devem crescer 10%, a projeção para o canal digital é de 15% a 20%, diz ele.

Fonte: Raquel Brandão, Valor

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