Qual é o tamanho do crime organizado no varejo americano?

Números mostram que o problema é maior do que se pensa; associações americanas de varejo buscam soluções em parceria com governo

As perdas causadas por roubos e furtos nem sempre acontecem por medidas desesperadas de pessoas em condição de vulnerabilidade. Com frequência cada vez maior, essa é uma questão ligada a quadrilhas e uma estrutura muito organizada que causa grandes prejuízos ao varejo. Um estudo da Retail Industry Leaders Association mostra que os números são espantosos.

Segundo o levantamento, o roubo de produtos no varejo causa uma perda de US$ 125,7 bilhões para as empresas e impede a criação de mais de 658 mil empregos. O setor público também sai perdendo, uma vez que o crime organizado impede que governos estaduais e federal recolham quase US$ 15 bilhões por ano – sem contar impostos que seriam cobrados na venda desses produtos.

Esse é um problema generalizado no varejo americano: 89% dos donos de pequenos negócios foram roubados ou furtados no ano passado, 1% mais que em 2020, segundo dados da Business.org. O problema é maior nos períodos de grande movimento, como o Natal, em que 54% dos lojistas percebem um aumento na atividade criminosa.

Muitas vezes, as perdas surgem na forma de fraudes, seja na compra de produtos com o cartão de crédito de um terceiro ou na devolução de produtos já utilizados. Para 38,9% dos varejistas, em 2021 as vendas multicanal foram a área em que as fraudes mais cresceram, contra 27,8% das lojas físicas. De acordo com a National Retail Federation (NRF), as lojas físicas lideraram em 2020, sendo a área de mais crescimento das fraudes para 49,3% dos lojistas.

Para Jason Straczewski, vice-presidente de políticas públicas da NRF, um problema é a leniência para roubos de pequeno valor, que acaba inibindo ações mais intensas no varejo. “Muitos estados estão buscando formas de agregar vários crimes, para que quando alguém ultrapasse o limite do que é considerado uma contravenção, seja mais fácil levar os indivíduos ou quadrilhas à Justiça”, afirma. Como cada estado possui uma política diferente nesse sentido, 78% dos varejistas ouvidos no estudo 2021 Retail Security Survey da NRF são favoráveis a uma lei federal focada no crime organizado no varejo.

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