Varejistas regionais estão bem cotados para aquisições

Grupo Mateus é procurado para comprar a rede baiana Atakarejo e Actis estuda como sair da CSD, do Paraná

Empresas regionais de varejo de alimentos e atacarejo estão no centro do que pode ser uma nova onda de aquisições em formação.

Negócios têm sido apresentados aos donos do Grupo Mateus, em Estados onde a empresa maranhense não atua. Há inicialmente certa resistência do controlador em avançar agora por esse caminho. O Valor apurou que um desses ativos é a rede baiana Atakarejo, com 23 lojas e líder na região.

Na paranaense Companhia SulAmericana de Distribuição (CSD), que desistiu da oferta pública inicial de ações (IPO) em 2020, o fundo de participação Actis, com 30% da empresa, estuda opções de saída do negócio, dizem três fontes.

A catarinsense Supermercados Germânia, teve a venda concluída à gestora Pátria. Dados da transação foram enviados ao órgão antitruste (Cade), segundo pessoa a par do assunto. Ainda foi fechada pela gestora a compra do Boa Supermercados, de Jundiaí (SP), e da paranaense Tiscoski Distribuidora, como informou o Valor em maio. Há, pelo menos, mais três operações em andamento com redes no Nordeste.

No caso do Grupo Mateus, assessores têm pesquisado negócios com potencial de crescimento. Algumas redes também têm oferecido os negócios à companhia. Operações de maior porte já foram apresentadas nos últimos meses por bancos a Ilson Mateus, fundador do Mateus. “O ponto é que a família tem muito uma cabeça de crescimento de forma orgânica, […] seguindo o planejamento que vem sendo feito há alguns anos” diz uma fonte.

Uma segunda fonte entende que uma aquisição regional relevante poderia ser um sinal ao mercado de maior agressividade da rede após o IPO, feio em outubro. “Eles olham, o Ilson até avalia, mas muitas vezes o cálculo é que abrir [loja] vale mais a pena. Mas tudo está sendo levado a eles”, diz a fonte. O grupo captou na oferta de ações primária e secundária R$ 3,8 bilhões (líquidos), sendo R$ 2,9 bilhões para o caixa. Pelo prospecto da oferta, a totalidade será destinada a abrir lojas. Serão 40 em 2021 – são cerca de 170 pontos no país.

Nos últimos dias, surgiram informações no setor de que o nome da baiana Atakarejo foi levado ao Mateus por bancos. “Do ponto de vista estratégico, faria todo o sentido”, diz um gestor. A Bahia é um mercado fundamental para o varejo alimentar no Nordeste, e o Mateus tem um faturamento muito concentrado no Maranhão. Também opera no Piauí e Pará, e em maio abriu a primeira loja no Ceará. O Valor apurou que o J.P.Morgan estaria fazendo a ponte com empresas do setor pelo lado do Grupo Mateus.

A Atakarejo é controlada pelo empresário Teobaldo Costa, que disputou a prefeitura de Lauro de Freitas (BA) em 2020 e se afastou da empresa, administrada agora pelo filho. A Atakarejo diz que é sondada com frequência, mas nega interesse em vender o negócio.

Procurado, Ilson Mateus confirma que após o IPO “passou a receber ofertas de outros Estados, além daqueles onde já atua”, e analisará o que gerar valor aos acionistas. Diz que as aberturas entregam “um ótimo nível de rentabilidade” dentro de um plano consistente. “Tudo depende de estudos cuidadosos, de colocar na ponta do lápis e entender se uma operação, além da nossa abertura, vai fazer sentido”, disse ele em nota. “A gente não deixa de fazer contas, mas também não perdemos o foco na entrega do plano de expansão”.

O Mateus tem acordo com o governo do Maranhão que envolve um regime especial de cobrança de ICMS, com redução da base de cálculo do imposto – tem alíquota presumida de 2% do valor nas vendas interestaduais e dentro do Estado. “Numa aquisição não dá para negociar algo nessa linha, diferente se ele tentar entrar num Estado novo, do zero”, diz um executivo próximo à família Mateus.

Ainda há outra movimentação no Sul do país, envolvendo a sociedade na paranaense CSD, com R$ 2,5 bilhões de vendas anuais e 60 lojas das redes Cidade Canção, São Francisco, Amigão e Stock Atacadista. O Valor apurou que sem o avanço do IPO da CSD, que foi suspenso após piora do ambiente do mercado no fim do ano passado, a gestora britânica Actis tem analisado formas de saída, e isso passa pela avaliação de propostas de compra de investidores dos seus 30% na rede. Procurada, a Actis não se manifestou.

O fundo de investimento em participação DVA, com investidores da família Nogaroli, e o fundo MMC, com membros da família Cardoso, tem, cada, 35% da CSD. O IPO considerava, além de uma emissão primária (recursos para o caixa) uma oferta secundária das ações dos três sócios, Actis, DVA e MMC. Há informações circulando no setor de que as famílias controladoras poderiam avaliar a venda da rede, mas uma fonte próxima aos acionistas diz que a questão não está na mesa. A CSD não comenta especulações.

“O caminho dos controladores é tentar novamente um IPO, para uma oferta secundária de parte das ações com o negócio mais valorizado”, diz essa fonte. Cerca de 90% da receita da empresa vem do braço de varejo, e a ideia agora é focar maior parte dos investimentos em aberturas, e acelerar mais a expansão do atacarejo.

Fonte: Por Adriana Mattos e Maria Luíza Filgueiras, Valor


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