Conheça as causas da queda recorde nas vendas do leite longa vida

Proteína animal registrou um declínio de 3,5% ao longo de 2021, contabiliza a ABLV

A associação chegou a projetar uma queda até maior, de 8%. Em novembro do ano passado, a pesquisadora do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Rosana de Oliveira Phitan e Silva, disse que, em muitos anos pesquisando as indústrias da cadeia, nunca tinha escutado tantos relatos de retração nas vendas como naquele momento.

As vendas da indústria de leite longa vida diminuíram 3,5% no ano passado, para 6,7 bilhões de litros, segundo levantamento que a Associação Brasileira da Indústria de Lácteos Longa Vida (ABLV) acaba de concluir.. A receita do segmento foi de R$ 23 bilhões, afirma a entidade, que reúne as maiores empresas do segmento.

Mas a projeção do percentual de queda calculada pelas empresas não se confirmou. Barbosa avalia que a recuperação no fim do ano impediu que o declínio fosse mais acentuado.

Leves sinais de melhora

A queda histórica das vendas do longa vida — ou UHT, a commodity dessa cadeia — evidencia a corrosão do poder de compra do brasileiro. O cenário econômico segue complicado em 2022, mas a indústria já espera um ano melhor. Segundo o dirigente, programas de auxílio do governo e a melhora de alguns indicadores, como o do emprego, acabam tendo reflexos sobre o consumo de alimentos mais básicos, como o leite.

“O ano de 2022 começou com um ligeiro otimismo para a cadeia, com uma pequena redução dos preços das commodities [soja e milho] e do dólar e também uma discreta retomada do consumo”, disse.

Para a indústria, no entanto, o desafio para comprar a principal matéria-prima, o leite cru, poderá prosseguir nos próximos meses. O volume de produção no campo diminuiu por causa do clima desfavorável e da alta generalizada dos insumos, sobretudo os relacionados à alimentação animal — os quais, na visão dos produtores, ainda estão em patamares elevados.

“A nova safra está custando o dobro da anterior”, afirma Roberto Jank Jr., diretor da Fazenda Agrindus, que está entre as cinco maiores produtoras de leite do país, e vice-presidente da Abraleite, que reúne produtores. Com o aumento dos custos e o clima desfavorável, a produção está em queda há três trimestres seguidos.

Jank lembra que o leite tem o agravante de absorver os aumentos de custos em dólares sem capturar valor de vendas em exportações, como ocorre com outras cadeias, a exemplo de carnes e ovos. “Trata-se de uma proteína animal exclusiva de mercado doméstico”, diz. Como já informamos, as companhias que atuam no Brasil têm buscado espaço no mercado internacional, mas o movimento ainda é incipiente.

Fonte: Érica Polo, Valor

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