Os legados da NFR 2022 para guiar o futuro do varejo

O futuro do varejo envolve desafios, mas, sobretudo, o surgimento de novas tecnologias, o Metaverso, e o braço principal da ESG, a DE&I – diversidade, equidade e inclusão

Quando se fala em balanço da NRF 2022 – Retail’s Big Show, especialistas, consultores e participantes são unânimes ao afirmar que termos como liderança, transformação, metaverso, equidade, diversidade, cliente, comunidade e tecnologia prevaleceram nas palestras, visitas técnicas e papos no cafezinho.  

E detalhe, tudo baseado na incerteza do momento pelo qual passamos, sobretudo pela pandemia que já completa dois anos. As palavras são do presidente da SBVC – Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo – Eduardo Terra que vivenciou parte dos 147 painéis do congresso, circulou pela Feira, conversou com expositores e experenciou visitas técnicas com um grupo de 200 empresários brasileiros por toda Manhattan.

No evento Pós-NRF da BTR-Varese transmitido ao vivo do Harvard Club em Nova York para 2 mil pessoas aqui no Brasil, Terra e o criador da Varese Retail, Alberto Sorrentino, detalharam os oito insights do maior evento mundial do varejo ocorrido de forma presencial após dois anos de maneira virtual.

1 – Novo ambiente de negócios para o varejo

Dados da Pesquisa McKinsey feita em 2021 acendem o sinal vermelho, o mundo mudou!

A idade média das empresas no planeta caiu de 61 anos na década de 50 para 22 anos agora. Apenas 22% de novos negócios lançados pelas empresas incumbentes terão êxito na sua jornada, segundo o mesmo estudo da McKinsey.

A velocidade com que as pessoas de adaptaram na pandemia é muito grande. 100% dos americanos não irão voltar a trabalhar 5 dias por semana no escritório. 60% dos colaboradores consideram fazer home office na metade do tempo e 40% responderam que fazem questão de ficar 25% do tempo em casa.

Diante disso, incerteza, mudança e transformação são elementos definitivos e as companhias precisam saber navegar nesta onda. Os exercícios de longo prazo perdem sentido e a capacidade de adaptação e de agilidade tem de ser outra agora, mesmo com a incerteza, com a mudança e com a transformação. É preciso agilizar processos buscando adaptações.

2 – A revolução do supply chain

Revolução é o termo mais correto quando falamos de cadeia de suprimentos, de todos os processos que envolvem a produção de um determinado bem. A distribuição global de componentes e insumos enfrenta uma crise jamais registrada na história desde a Revolução Industrial.

Assim, foram poucas as companhias que conseguiram cumprir timing, previsão e logística. O exemplo mais comum é do transporte marítimo por container, no pré-pandemia de Los Angeles para Shangai, custava 1200 dólares, hoje o mesmo container para o mesmo local custa 20 mil dólares.

Outro exemplo, a Amazon tem 95 aeronaves, é o quinto maior transportador do Pacífico, pois isso para ela se tornou core – estratégico. Ela está verticalizando todas as etapas, é dona das aeronaves, dos contêineres e tem 400 mil motoristas, tudo com o objetivo modesto de estar a 10 ou 15 minutos de 90% da população americana para entregar algo.

A transformação do supply chain passa pela maior previsibilidade, interconexão com inteligência artificial, cooperação e transparência de dados e mais soluções de last mille.

3 – Novas tecnologias

Com o progresso, mais conhecimento e novas lições de casa diante a nova arquitetura e infraestrutura da tecnologia. Sem esse movimento, o círculo trava.

A maioria dos processos tecnológicos vistos na NRF em NY são voltadas para a produtividade e menos para a experiência do cliente. Mas observamos também a maturidade de muitas aplicações, coisas que eram futuristas e que já acontecem como os robozinhos para distribuição de produtos e separação de mercadorias.

Ainda vale destacar que a entrada global do 5G irá facilitar e agilizar em muito todas as operações.

4 – Metaverso

Como muitas pessoas não estão familiarizadas com a palavra e seu significado, Metaverso é a terminologia utilizada para indicar um tipo de mundo virtual que tenta replicar a realidade através de dispositivos digitais. É um espaço coletivo e virtual compartilhado constituído pela soma de realidade virtual, realidade aumentada e internet.

Sem dúvida, esse talvez tenha sido o grande tema, a principal palavra desta edição da NRF. O Metaverso já acontece como nos games, onde já é uma realidade, mas ainda não há clareza de como ele afetará o varejo. O Metaverso pode ser avaliado como uma nova economia de produtos digitais.

É preciso ter entendimento e conhecimento para, daqui para a frente, pensar em estratégias. É um mercado rico que potencializa muitas infraestruturas, porque haja dados e haja banda para que o Metaverso fique de pé. Tem uma agenda de segurança dentro do Metaverso, agenda de pagamentos e de aplicações.

O Metaverso pode ser uma espécie de ecommerce 4.0, uma loja que permita uma compra melhor do que o ecommerce nos moldes atuais, fazendo algo muito próximo da experiência de compra na loja. Mas é algo que ainda deve ter uma legislação e uma regulamentação, para definir o que as pessoas podem fazer ou não no Metaverso. 

5 – A nova loja centrada no cliente e orientada por dados

Nesta NRF, o Consultor Alberto Serrentino ressaltou a importância da loja física que ganha um peso na estratégia e deve ser reanalisada, pois trata-se de um componente economicamente vital para a captura de clientes, pois está se transformando em um hub de produtos.

A loja tem vários papéis, se há clientes satisfeitos e fiéis, a capacidade de escalar rapidamente é visível. Lojas estão mais perto de clientes, se tornam hubs de serviços ou de produto. Existe loja que entrega, loja que tem estoque compartilhado, loja onde se retira, loja com dark room ou dark store.

A loja vai ter que ser mais inteligente para as pessoas comprarem. Elas não querem ter atrito, o pagamento é o maior de todos eles. Tem lojas que têm contato zero e atrito zero. Quem não domina a jornada de compra, não domina o cliente e isso passa pela loja física e isso pode ser feito com personalização, gamification, espaço de makers, experiência, tornando a loja um espaço vivo com coisas tão divertidas de se fazer, mais do que em um ambiente digital.

6 – Os ecossistemas de negócios desafiam o varejo

São modelos de negócios que se desgarram das suas origens e escalam exponencialmente a partir de bases sólidas de clientes e dados. Os ecossistemas diversificam em varejo, marketplace, serviços financeiros, serviços de mídia, entretenimento, e por ai vai. Como exemplo, é possível citar o Mercado Livre, que saiu do marketplace para se tornar um grande ecossistema. O Mercado Pago é uma das maiores fintechs do Brasil e assim tornou a base de cliente mais fidelizada com diferentes organizações.

7 – ESG e DE&I – diversidade, equidade e inclusão

A pandemia levou os consumidores a se sensibilizarem mais com temas relacionados ao ESG. De outro lado, investidores descobriram que empresas mais sustentáveis dão maior retorno a longo prazo.

Já, o evento George Floyd, afro-americano assassinado em maio de 2020, estrangulado por um policial branco, foi catalisador para uma série de mudanças na priorização e velocidade do tema diversidade, equidade e inclusão. DE&I são hoje pilares centrais da agenda de ESG e tem impacto muito forte na atração de talentos colaborando com o cenário econômico.

•Papel central na agenda ESG

•Relevância ampliada por movimentos por direitos civis e pela pandemia

•Impacto positivo em atração de talentos aceleração de inovação, engajamento de clientes e resultados

•Visão abrangente etnia, credo, gênero, orientação sexual

•Consistentes com propósito, valores e cultura

•Transparência, clareza e autenticidade confiança

•Engajamento de liderança e colaboradores

•Escuta e aprendizado, ação X discurso

•Novos processos, políticas, indicadores e comunicação

8 – Cultura e liderança para navegar a transformação

O líder precisa ser o defensor, o guardião, o promotor do propósito do negócio e o embaixador da cultura. A cultura só se consolida pelo exemplo repetitivo diário e não em um quadro na parede.

A agenda de transformação é uma agenda de cultura e de mudança organizacional, e são as lideranças que promovem isto. É necessário transformar as empresas para que elas sejam obcecadas por clientes.

O ESG, a diversidade, a equidade e a inclusão é um modelo de negócio, mas que não existe sem disciplina. Não existe inovação sem disciplina. Mas é necessário ter execução e geração de negócios.

Desafios da liderança

– Propósito – inspiração e referência

– Cultura – proteção do legado, desafio para evolução

– Transformação – cultura, organização, processos, TI

– Indicadores e modelo de gestão

– ESG/ DEI

– Modelo de negócio

– Disciplina estratégia e operacional

– Execução e geração de resultados

Insights dos palestrantes e maiores varejistas do mundo

Para reinventar a loja é preciso repensar o negócio…

…desafiando cultura e modelo de negócio…

redefinindo indicadores, modelo de gestão e desenho organizacional

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É menos sobre quem vende e mais sobre quem compra

O modelo do líder como um super-herói inteligente e poderoso está desatualizado

Propósito e conexões humanas constituem o próprio cerne do negócio

A necessária refundação de negócios em torno de propósito e humanidade

Um novo movimento pelos direitos civis e a pandemia Covid 19 aceleraram a necessidade de repensar nosso sistema se quisermos enfrentar os enormes desafios que enfrentamos

Hubert Joly – The heart of business

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De cultura, processos e indicadores orientados a produtos e operações

para cultura, processos e indicadores voltados a clientes e dados.
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Somos uma empresa em beta contínuo

StelleoTolda

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Nos detalhes, nós da Amazon somos sempre flexíveis, mas em questões de visão, somos teimosos e implacáveis

Jeff Bezos

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Fonte: BTR-Varese, Abras e Evellyn Freitas



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