Heineken cria instituto inédito voltado às questões de ESG

Uma verba significativa foi direcionada ao projeto pioneiro executado inicialmente no Brasil

Depois de anunciar, em fevereiro, Mauro Homem como o primeiro vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos do Grupo Heineken, a companhia agora reforça a agenda ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança) por meio da criação do Instituto Heineken Brasil, que começa a operar nesta quarta-feira, 6, e é o primeiro do grupo no mundo.

“Entendemos que este é o momento de ir além. Estavamos trabalhando mais fortemente com sustentabilidade, pela geração de energia verde, consumo consciente de água e circularidade; e ações em prol do consumo equilibrado, mas sentimos a necessidade de fazer mais na frente social”, diz Homem.

A partir de um mapeamento realizado desde o fim do ano passado, optou-se por iniciar o trabalho do Instituto com ambulantes, catadores e jovens em situação de vulnerabilidade a partir de um investimento de 10 milhões de reais neste ano. Quem estará à frente da operação é Beatriz de Sá, gerente executiva do Instituto Heineken.

“O modelo de instituto nos traz a possibilidade de trabalhar com ONGs, governos e outros parceiros. É uma forma de escalar os programas, impactar mais pessoas e até mesmo inspirar outras regiões de atuação da Heineken que ainda não segeuem neste formato”, afirma Sá. Em entrevista, os executivos detalharam os primeiros passos nas três frentes propostas:

Ambulantes: Em escala nacional, mas especialmente nos grandes centros, a proposta é oferecer educação para que sejam melhorados os processos de trabalho e venda. “Melhorar as habilidades do ambulante é essencial para que ele tenha mais renda e, consequentemente, acesso”, diz Homem.

Catadores: A intenção é capacitá-los para que eles tenham melhor aproveitamento dos materiais coletados e também aumentem a renda. Neste pilar é possível também fomentar a cadeia de reciclagem do vidro, buscando mecanismos de logística e melhores pagamentos pelo importante insumo para os negócios da Heineken. “Nas cooperativas, grande parte dos catadores são mulheres chefes de família”, diz Sá.

Jovens: Por meio da WeLab, plataforma de educação e apoio ao jovem, há a intenção de incentivar habilidades socioemocionais e educacionais de modo a gerar consumo responsável e empregabilidade. “Sabemos que o jovem brasileiro é afetado pelo desemprego, e, por vezes, recorre ao consumo inadequado de álcool. Queremos mudar isto”, diz Homem.

Com as ações, o Instituto Heineken espera impactar 10 mil ambulantes e catadores, além de 1 milhão de jovens até 2025. “Trabalharemos com mensuração de todos os nossos programas e projetos de forma a medir o impacto positivo que vamos gerar: a autopercepção dos participantes; se enxergam melhores perspectivas de futuro após terem passado pelos nossos programas e projetos; se houve progresso educacional entre os participantes pós envolvimento nos projetos; e se conseguimos contribuir para algum incremento de renda dos nossos públicos-alvo”, afirma Sá.

“É importante reforçar que as atividades geram impacto positivo na sociedade e, consequentemente, se conectam ao nosso negócio por valor compartilhado”, diz Homem.

O executivo afirma ainda que, internamente, a Heineken segue trabalhando com as ações de sustentabilidade, governança e sociedade por meio, por exemplo, do pilar de diversidade e inclusão que tem meta de 50% de mulheres em posição de liderança, assim como de ampliar a presença de pessoas pretas e pardas no quadro funcional.

ESG no Grupo Heineken

Em fevereiro, o Grupo Heineken, em parceria com o Governo de São Paulo, anunciou o investimento de R$ 320 milhões no estado para reforçar a agenda ESG (sigla para ambiental, social e govenança) que inclui a modernização das cervejarias localizadas nas cidades de Itu, Jacareí, Araraquara e Campos do Jordão.

O recurso será direcionado à ampliação do uso de energias renováveis, ao exemplo das caldeiras de biomassa, ao ganho de eficiência hídrica e ao crescimento de iniciativas voltadas para a circularidade de embalagens de vidro, um desafio para o setor, visto que hoje 30% do vidro usado pelo Grupo Heineken é importado.

Fonte: Marina Felippe, Exame

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