Indústria quer crescer com o skate e a varinha de condão da Fadinha

Saiba das possibilidades de negócio e das metas de produção de uma indústria pouco conhecida pelo Brasil afora

Uma das maiores fabricantes de balas e confeitos do país, a gaúcha Docile projeta faturamento de R$ 550 milhões neste ano, mas ainda é uma marca pouco conhecida nacionalmente, o que pretende mudar a partir de agora.

A empresa fechou uma parceria com a skatista e medalhista olímpica Rayssa Leal. Além da campanha em vídeo para os canais digitais, a jovem de 14 anos estampa e dá nome a uma linha de produtos. O investimento em marketing é a principal aposta da empresa no ano e soma R$ 10 milhões.

“Sempre tivemos uma visão muito forte da porta para dentro. Agora é um movimento de tornar a marca mais conhecida”, conta o presidente da empresa, Ricardo Heineck. Os produtos com a “Fadinha” — apelido da skatista — chegaram aos pontos de venda neste mês e a campanha vai ao ar no dia 6 de junho.

Nessa missão de se tornar mais familiar para os consumidores, a companhia também tem trabalhado em ampliar os canais de atuação. Hoje, a maior parte dos produtos da Docile é vendida em atacadistas doceiros, mas as novas parcerias de distribuição têm sido principalmente com supermercados e atacarejos, a fim de se aproximar do consumidor final. O número de distribuidores ficou seis vezes maior em 2021.

“No último ano dobramos nossa participação de mercado nos canais ao consumidor final, mas estamos só começando. Como é uma fatia ainda pequena, podemos crescer muito”, diz Heineck, um dos três irmãos que criaram a Docile em 1991.

Outro canal em que a companhia tem investido é sua operação de varejo on-line, que ainda é iniciante. “A gente consegue identificar alguns produtos que têm potencial de crescimento e que não estão conseguindo no canal tradicional”, afirma.

Neste ano, a Docile está transferindo para São Paulo a operação de varejo on-line, que ainda é iniciante. “A gente consegue identificar alguns produtos que têm potencial de crescimento e que não estão conseguindo no canal tradicional”, afirma.

Neste ano, a Docile está transferindo para São Paulo a operação de armazenamento e expedição para o canal digital. “O desafio que temos é que o produto tem pouco valor agregado em comparação ao frete.”

A expansão da distribuição é o que o motiva a projetar um crescimento de mais de 30% na receita em 2022, após um avanço de 39% no ano passado. E até a pouca familiaridade com o consumidor pode ajudar, diz. “Nesse ambiente macroeconômico, temos observado a procura por embalagens menores e, principalmente, a migração das marcas líderes para outras. Nos favorece, porque é a chance de experimentação do cliente.”

Para além do mercado interno, a venda a outros países deve ser uma importante fonte de receita. Com mais de 60 países como destino, a Docile é a segunda maior exportadora brasileira na categoria.

Mais recentemente começou a embarcar para os Estados Unidos produtos da marca e não só “private label” (marca do comprador). “Avaliamos ter uma unidade fora do Brasil. Até como uma estratégia de estabilidade e crescimento”, diz o empresário.

Heineck afirma que o objetivo é que a empresa tenha crescimento orgânico até 2025, enquanto algumas aquisições também são consideradas para fortalecer o negócio. Dentro desse plano, investiu R$ 52 milhões no ano passado para a renovação dos parques fabris — em Lajeado (RS) e em Vitória de Santo Antão (PE). Além de modernizar a linha de produção, adotou processos sustentáveis, como o reuso de água da chuva e o tratamento de 98% dos resíduos sólidos e 100% dos resíduos líquidos.

Fonte: Raquel Brandão, Valor

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