M. Dias Branco adquire dona da Fit Food e investe em snacks saudáveis

Companhia paranaense também detém as marcas Frontera e a linha de temperos Smart

A dona dos biscoitos Piraquê e das massas Adria vai diversificar o cardápio com snacks saudáveis, molhos e petiscos mexicanos. A M. Dias Branco acaba de anunciar a aquisição da Latinex por R$ 180 milhões, um montante que pode chegar a R$ 272 milhões com earnout, marcando sua entrada num categoria de margens mais altas que a média da indústria.

A Latinex é dona das marcas Fit Food, que abrange desde biscoitos de arroz e chips veganos até chocolate com colágeno e amêndoas com vitaminas. Também detém a marca Frontera, que produz as famosas tortilhas, massas para tacos e molhos mexicanos, e a marca de chips Tyrrells. O negócio ainda marca a entrada da M. Dias Branco em molhos e condimentos, já que a Latinex é dona da Smart e Taste&Co.

“É nossa primeira aquisição em healthy foods, uma categoria que já vínhamos falando com o mercado que queremos entrar com força e está dado o primeiro passo”, disse Gustavo Theodozio, vice-presidente de investimento da M.Dias Branco, ao Pipeline. A margem bruta dos produtos da companhia é, em média, 10% acima do portfólio da M.Dias — ou seja, pra lá de 40%.

Criada na paranaense São José dos Pinhais, a Latinex foi fundada por Eduardo Moraes, um empreendedor com histórico em construção de marcas que tornou a empresa conhecida em São Paulo e tem apenas seis anos de atuação. A M. Dias, que vem fazendo esforços de inovação no portfólio, quer aproveitar esse conhecimento. No acordo firmado, Moraes vai ficar na companhia até 2023, pelo menos.

“Queremos dar escala para as marcas, com nossa capacidade de distribuição do sul ao norte do país, com 15 fábricas e 30 CDs, mas sem perder a essência de companhia inovadora e do marketing arrojado. Vamos manter como unidade de negócio de saudabilidade”, conta Theodozio.

O executivo destaca que essa estratégia de inovação e marketing nas linhas de maior valor agregado ajudam a rejuvenescer também a marca da própria M. Dias Branco. A negociação, que tinha sido iniciada em 2019 e foi suspensa com a pandemia, foi retomada em janeiro. A Latinex já vinha sendo assediada por fundos de private equity e a M. Dias aumentou a pressão para fechar negócio ainda este ano, com a aprovação regulatória até o fim de 2021.

Num plano de ação já anunciado pela M.Dias Branco para retomar o crescimento com lucratividade, a companhia já tinha anunciado algumas inovações na Piraquê — o negócio de biscoitos responde por 50% das vendas. A estratégia da M.Dias Branco também passa por parcerias — a companhia entrou na Bees, plataforma da Ambev para que bares e restaurantes comprem além da cerveja, no Zé Delivery — e vem desbravando o mercado externo.

O grupo também mexeu no portfólio, unificando marcas e retirando mais de 70 SKU de circulação para se concentrar em produtos de maior rentabilidade. Na gestão do footprint, a M. Dias Branco fechou dois centros de distribuição e engatou negociações com operadores logísticos pare rever os contratos.

A aquisição mal adiciona dívida, uma vez que a Latinex tem cerca de R$ 21 milhões de dívida líquida e a alavancagem da compradora é quase zero. A M. Dias Branco vale R$ 10,8 bilhões em bolsa e já tem outras aquisições na mesma linha no radar.

Fonte: por Luiz Henrique Mendes e Maria Luíza Filgueiras, Valor

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