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Para financiar expansão, Assaí efetiva vendas de lojas próprias

Transação com fundo de investimento traz aporte de peso para o caixa da companhia, que passa a alugar os pontos que foram comercializados

Focado no segmento de atacarejo, o Assaí tem 187 unidades espalhadas pelo País e não pretende parar por aí. Após abrir três delas no segundo trimestre, há mais 25 lojas em obras, que serão inauguradas ainda em 2021, em um investimento de R$ 1,5 bilhão. Outras 25 unidades estão previstas para o ano que vem, o que fará com que a empresa tenha uma rede com 237 pontos.

Nem todas, porém, pertencem ou vão pertencer à companhia. Em julho, a empresa anunciou que venderia cinco unidades, uma pronta e mais quatro com obras a serem iniciadas, por R$ 364 milhões, à TRX Gestora de Recursos, fundo especializado em comprar terrenos, construir e depois alugar para a mesma empresa que vendeu – uma operação que ajuda a reforçar o caixa da companhia vendedora.

O “combo” começou a sair do papel nesta quinta-feira, dia 2 de setembro. Em comunicado, o Assaí informou que concluiu a venda de dois desses cinco imóveis, por R$ 134,5 milhões, que envolvem a unidade já pronta, localizada em São Paulo, e outra em Rondônia. O contrato de locação para o Assaí é de 20 anos, renovável por mais 20.

O valor da compra dos dois imóveis representa 37% do montante acertado no acordo para as cinco unidades, todas da bandeira Assaí. Os imóveis ocupam uma área total de 160,1 mil metros quadrados. A área construída soma 69,7 mil metros quadrados.

Não é a primeira vez que o Assaí faz um acordo desse tipo com a TRX. Em março do ano passado, quando ainda fazia parte do Grupo Pão de Açúcar, dono das bandeiras Pão de Açúcar e Extra, foram vendidas 13 unidades da bandeira à TRX, como parte de um pacote que envolvia 43 lojas do GPA, pelo valor total de R$ 1,25 bilhão.

À época, o GPA informou que a operação buscava monetizar ativos maduros, reduzir a dívida líquida da companhia, reforçar a estrutura de capital e aumentar o retorno sobre o capital empregado. Após a cisão, o Assaí herdou dívidas do GPA. O dinheiro das novas vendas para o TRX entra como um reforço ao caixa. Por outro lado, as locações vão representar mais custos mensais à empresa.

Quando faz esse tipo de operação, a TRX procura se concentrar em ativos de supermercados. É uma estratégia que minimiza o risco de estar vinculado a apenas um inquilino. As lojas de supermercados são, na prática, grandes galpões bem localizados, que, no futuro, podem funcionar bem para outras companhias, como operações de e-commerce, que precisam entregar seus pedidos com velocidade.

O e-commerce, aliás, não é a praia do Assaí. Ainda que seja cobrada pelo mercado a investir no segmento, para seguir uma tendência que foi reforçada na pandemia, a companhia tem deixado claro que o seu foco é o físico. “O e-commerce não é uma realidade para 92% da população. Mas teremos para quem quiser”, disse o CEO da companhia, Belmiro Gomes, ao NeoFeed, em junho.

À época, ele lembrou que, em 2010, uma das previsões feitas na NRF, a principal feira do varejo mundial, pregava o fim das lojas físicas. “Só neste ano estamos construindo 500 mil metros quadrados. Então é preciso um pouco de cautela para carimbar o que é verdade para algumas categorias e para outras”, disse o executivo, na empresa desde 2009.

Hoje, o Assaí está presente em 23 estados do País. Ao agregar as unidades previstas para o restante de 2021 e para 2022, só faltará fincar os pés em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. O plano é chegar a todos os estados.

No segundo trimestre, a empresa faturou R$ 10,9 bilhões, alta de 22,2% em relação a igual período do ano passado, marcado pelo início da pandemia. O lucro líquido, por sua vez, atingiu R$ 305 milhões, alta de 62% na mesma base de comparação.

Por volta das 11h30, a ação da companhia era negociada a R$ 17,37 na B3, valorização de 2%. A empresa é avaliada em R$ 23,3 bilhões.

Fonte: Por André Ítalo Rocha, Neofeed

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