VTEX dispara em IPO em NY e prevê liderança do ecommerce na América Latina

Companhia supera meta e levanta US$ 361 milhões em IPO nos EUA, atingindo valor de mercado superior a US$ 3,6 bilhões

A VTEX chegou a disparar mais de 30% em sua estreia na Bolsa de Nova York nesta quarta-feira, com o grupo brasileiro prevendo que a América Latina será líder nas próximas etapas do comércio eletrônico, como live commerce e vendas por meio de canais de mensageria, como o WhatsApp.

“As vendas por canais de mensagem e live commerce vão acelerar antes na América Latina”, disse à Reuters o cofundador e co-presidente-executivo da companhia, Geraldo Thomaz, em entrevista por telefone, à direita na foto ao lado de Mariano Gomide de Faria, também cofundador.

Grandes markeplaces no Brasil, incluindo Magazine Luiza (MGLU3) e Americanas (LAME4) já vêm expandindo iniciativas de live commerce, no qual consumidores interagem ao vivo com vendedores, comprando durante as transmissões.

Mais recente empresa brasileira a acessar as bolsas dos EUA, após nomes como XP, PagSeguro e Stone, a VTEX foi precificada a 19 dólares por ação, acima da faixa estimada no IPO, de 15 a 17 dólares, levantando 361 milhões.

Isso lhe deu uma avaliação de 4,7 bilhões de dólares, e subia ainda mais nesta quarta-feira, com a ação avançando 24% às 14h40 (horário de Brasília), para 23,60 dólares, após ter chegado a subir mais de 30%.

Segundo Thomaz, mesmo após um salto provocado pelos efeitos da pandemia da Covid-19, a América Latina ainda tem uma baixa penetração do comércio eletrônico e a VTEX deve ter na região o foco de seu crescimento nos próximos anos, embora já esteja abrindo mais escritórios na Europa e nos EUA.

Fundada no ano 2000, a VTEX – plataforma de software de comércio eletrônico – ajuda empresas a executarem estratégias de comércio digital ao montar lojas online e tem clientes em mais de 30 países, incluindo Sony, Nestlé e McDonald’s. Por meio de sua plataforma, clientes venderam quase 8 bilhões de dólares no ano passado.

Thomaz indicou que, diferente da maioria dos IPOs recentes, a VTEX não tem como foco usar os recursos da captação para fazer grandes aquisições, nem para ampliar suas áreas de atuação.

“A grande estratégia nossa não é comprar empresas grandes”, disse o executivo. “Compramos muito poucas empresas durante nossa trajetória e não vamos mudar agora.”

Em vez disso, a empresa, que já tinha entre os investidores nomes como Softbank, Constellation e Gávea, planeja usar a listagem na Nyse como vitrine para captar talentos. Hoje, a VTEX tem cerca de 1,3 mil funcionários e ampliar a atuação para novas regiões.

“Temos times modestos na Europa e nos EUA, mas nossa ambição é global”, disse Thomaz. “Estamos plantando sementes de crescimento e espero que a listagem impulsione atração de talentos de alto nível.”

Uma entidade afiliada à Tiger Global Management indicou interesse em comprar até US$ 50 milhões em ações pelo preço da oferta, de acordo com documentos da VTEX enviados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos.

A listagem é uma das 27 que buscam levantar mais de US$ 6,6 bilhões em uma das semanas mais movimentadas do ano para IPOs nas bolsas dos EUA, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A oferta da VTEX foi coordenada pelo JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Bank of America. A expectativa é que as ações comecem a ser negociadas na quarta-feira na Bolsa de Valores de Nova York com o símbolo VTEX.

Fonte: Bloomberg, InfoMoney, Reuters

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