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Fim de ano exige mais do que repetir o pedido do ano passado no varejo

Maior risco não será errar a quantidade comprada, mas ignorar o comportamento do shopper

De Redação SuperHiper
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Por Giseli Cabrini

Com o fim de ano no radar, especialistas ouvidos por SuperHiper alertam para o mesmo risco: acertar a quantidade não é mais suficiente se o mix não refletir o comportamento atual do consumidor. O varejista precisa ter em mente novas lógicas: mix mais inteligente e não maior. Menos volume e mais valor percebido, principalmente se quiser atrair e fidelizar a Geração Z.

“O maior risco neste Natal não será errar a quantidade comprada. Será errar o comportamento do consumidor“, afirma o especialista em gestão de supermercados, Leandro Rosadas.

Segundo ele, o shopper continuará comprando itens tradicionais para celebrar, mas vai buscar versões alinhadas ao seu estilo de vida:

  • Chocolates com maior teor de cacau
  • Bebidas sem açúcar
  • Alimentos ricos em proteína
  • Cafés especiais
  • Opções para diferentes restrições alimentares

A CEO da Costelata, Isabella Fernandes, concorda que o consumidor segue disposto a investir em momentos especiais, mas planeja mais as compras e busca experiência diferenciada sem abrir mão da praticidade.

Para o varejo, além da ruptura, surge um risco extra: manter um estoque grande de mercadorias que perderam relevância para quem frequenta a sua loja e não só de itens de baixo giro.

Do lado da indústria, o planejamento precisa começar com antecedência, acompanhando projeções de demanda, histórico por região e velocidade de reposição, com destaque para produtos de maior vida útil, que permitem abastecimento antecipado e reduzem riscos operacionais nos picos de consumo.

Um novo carrinho e um consumidor mais criterioso

O varejo alimentar brasileiro atravessa uma mudança que vai além dos números de venda. Segundo os especialistas, o consumidor não está comprando menos, mas de forma mais criteriosa, distribuindo melhor o orçamento entre categorias nas quais percebe pouca diferença de marca e produtos que entregam benefícios claros, como saudabilidade, praticidade e qualidade.

“O supermercado do futuro não será aquele que tiver mais produtos. Será aquele que entender melhor o comportamento do seu cliente”, afirma Rosadas.

A lógica de “menos volume, mais valor” também redesenha a operação de ponta a ponta. Rosadas afirma que o sortimento amplo deixou de ser prioridade: cada SKU hoje precisa justificar sua presença pela combinação entre giro, margem e relevância para o consumidor.

Segundo dados da NielsenIQ citados pelo especialista, o consumidor atual compra menos por impulso e mais orientado por percepção de valor, o que obriga o varejo a repensar completamente a construção do mix.

Isabella observa o mesmo movimento em uma categoria específica: carnes. Segundo ela, o consumidor pode até reduzir a frequência de compra de cortes premium, mas quando decide investir, busca praticidade, sabor, segurança alimentar e uma experiência superior. O cliente não está pagando apenas pela carne, mas pelo tempo economizado e pela consistência do produto.

Geração Z e tendências de saúde aceleram mudanças no consumo

Para Rosadas, a Geração Z tem acelerado essa transformação. Alimentação deixou de significar apenas nutrição e passou a ser parte do estilo de vida do consumidor, que busca:

  • Produtos ricos em proteína
  • Bebidas sem açúcar
  • Ingredientes naturais
  • Opções funcionais sem abrir mão do sabor

O especialista cita estudos, entre eles da McKinsey & Company e da Euromonitor International, que mostram crescimento acima da média em categorias ligadas a bem-estar e funcionalidade, mesmo em um cenário econômico pressionado.

Isabella reforça essa visão sob a ótica da indústria: mais do que ampliar portfólio, é preciso entregar o produto certo para cada canal, com exposição que comunique claramente os diferenciais do item premium: embalagem, posição de gôndola e comunicação passam a ter peso direto na decisão de compra.

Ela destaca ainda que a reposição exige integração cada vez maior entre indústria e varejo, já que um produto premium em ruptura representa perda de venda e de credibilidade para os dois lados.

Cada formato, uma estratégia específica de mix e exposição

Os dois entrevistados concordam que não existe receita única: o comportamento do shopper varia conforme o formato de loja:

Hipermercados

  • Varejo: podem ampliar o tíquete médio investindo em experiência e categorias premium.
  • Indústria: trabalham sortimento mais amplo para diferentes ocasiões de compra.

Supermercados tradicionais

  • Varejo: equilibram perecíveis, saudabilidade e conveniência.
  • Indústria: equilibram variedade e conveniência.

Supermercados de bairro e proximidade

  • Varejo: supermercados de bairro se beneficiam do relacionamento e do conhecimento do perfil local; lojas de proximidade crescem puxadas pelo consumo imediato.
  • Indústria: priorizam soluções rápidas para consumo imediato.

Atacarejo

  • Varejo: continuará como referência em preço, mas precisará ampliar categorias de maior margem para sustentar rentabilidade.
  • Indústria: tem ampliado sua participação em categorias de maior valor agregado, acompanhando a evolução do perfil de seus consumidores.

Minimercados autônomos

  • Varejo: dependem de um mix extremamente direcionado, já que cada m² precisa gerar retorno.
  • Indústria: representam oportunidade crescente para produtos de longa vida útil e alta conveniência, sobretudo em locais de grande circulação.

A conclusão dos dois especialistas caminha na mesma direção: a vantagem competitiva no varejo alimentar não estará mais no tamanho do sortimento, mas na capacidade de transformar dados de comportamento do consumidor em decisões rápidas sobre mix, abastecimento e exposição.

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