Balanços dos maiores refletem mudanças no varejo

Movimento nos atacarejos disparou no primeiro semestre e há grande oportunidade para expansão

As três maiores redes de varejo alimentar do Brasil divulgaram seus resultados do segundo trimestre nesta semana: Carrefour (CRFB3), Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) e Assaí (ASAI3). E, segundo analistas, os números mostram mudanças importantes no setor.

A primeiro delas é o grau de relevância que o segmento atacarejo ganhou no país. Para se ter uma ideia, o Assaí lucrou quase 76 vezes mais que o seu antigo controlador, o Pão de Açúcar: R$ 305 milhões ante R$ 4 milhões.

No caso do Carrefour, foi a linha do atacarejo, com o seu Atacadão, que brilhou: as vendas brutas somaram R$ 14,1 bilhões, alta de 19,7%.

Esse é o quarto trimestre consecutivo de crescimento de dois dígitos no segmento, corroborando a mudança de hábitos do consumidor.

O Banco Carrefour foi outro destaque: atingiu faturamento de R$ 11,8 bilhões, alta 50% no ano, impulsionado tanto por cartões de crédito (Carrefour e Atacadão) quanto por outros produtos, principalmente concentrados em crédito pessoal.

Já as vendas da linha de varejo do grupo francês totalizaram R$ 5,4 bilhões, queda de 7,3%.

“As sucessivas crises e dificuldades econômicas enfrentadas pelos brasileiros nos últimos anos reformularam os hábitos de consumo. Como consequência, os consumidores passaram a buscar preços mais atraentes e a diminuir o fluxo de visitas. Em 2020, com a pandemia, essa rotina ganhou ainda mais força”, aponta o Inter em relatório enviado a clientes.

Em 2020, o Grupo Carrefour adquiriu 30 lojas do Makro enquanto o Assaí foi cindido do GPA numa estratégia de destravar todo seu valor.

E-commerce de alimentos

Outro ponto de destaque foi a venda de alimentos pela internet. A pandemia, notadamente, fez com que os brasileiros ficassem receosos de ir ao supermercado, impulsionando o segmento.

Com isso, as companhias tiveram que fazer altos investimentos no setor de logística, seja pelo seu e-commerce mais desenvolvido em relação aos rivais menores, ou por facilidade de entrada nos aplicativos como Rappi e Ifood.

“Os custos logísticos e de tecnologia configuram-se como importante barreira de entrada no canal online. Em um segmento onde as margens são tradicionalmente menores, oferecer o formato digital definitivamente não é para qualquer um”, aponta o Inter.

Para a corretora, as varejistas de alimentos que conseguirem oferecer produtos a preços mais competitivos devem ser as grandes vencedoras no longo prazo.

O Pão de Açúcar teve um desempenho considerado fraco por analistas, mas não faltaram elogios para o seu e-commerce, por exemplo.

“O caminho para um digital por meio de um ecossistema de varejo forte em alimentos deverá ser um possível catalisador de crescimento para da companhia”, aponta o analista da Ativa Investimentos Pedro Serra.

As vendas já representam 8,2% da venda total do segmento de alimentos do GPA, com picos de 20% de representatividade.

O volume bruto de mercadoria (GMV, na sigla em inglês) das operações online segue crescendo, alcançando R$ 428 milhões no trimestre, patamar superior inclusive ao GMV do quarto trimestre (que tem efeitos sazonais como Natal e Black Friday).

“A criação de um ecossistema digital com programa de fidelidade é a estratégia da companhia para dominar o nicho online no longo prazo”, diz.

Hora de consolidar

Ao todo, essas três varejistas possuem aproximadamente um market share combinado de 40%. No entanto, embora gigantes, o setor ainda é fragmentado, aponta o Inter.

“Existe baixa penetração de varejistas de alimentos por habitante e grande oportunidade de expansão, sobretudo nas cidades do interior”, completa.

Fonte: Por Renan Dantas, Money Times

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