Desafios para Guedes são rastreabilidade, sanidade e combate ao desperdício

Ministro Paulo Guedes abriu 1º Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento promovido pela ABRAS e apontou esses desafios na produção alimentícia no evento que discute ESG

O ministro da Economia, Paulo Guedes, elegeu nesta quinta-feira a rastreabilidade, sanidade e combate ao desperdício como os principais desafios que país terá de enfrentar para tornar-se “celeiro do mundo” na produção e exportação de produtos alimentícios.

“Não pode o celeiro do mundo ser o país onde há fome. Do nosso lado, temos que fazer políticas sociais que permitam que os mais frágeis e vulneráveis sejam incorporados na cadeia produtiva ou amparados socialmente, mas de qualquer forma notamos desperdício no Brasil não só desde produção, mas até chegar ao nosso supermercado e até chegar às nossas mesas.”

Em participação em Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), Guedes também pontuou que o país já possui a matriz energética “mais limpa do mundo” mas, para mantê-la, faz-se necessária a rastreabilidade, garantindo a checagem da sanidade e a preservação do que classificou como “universo verde” sob o aspecto da produção.

O ministro também destacou que, em meio à pandemia da Covid-19, a agricultura “preservou os sinais vitais” da economia doméstica, destacando a exportação para países asiáticos, com crescimento de 40%, principalmente para a China.

“Você vê que nós precisamos, realmente, dessa infraestrutura e de toda essa capacidade logística de levar nossa produção para o resto do mundo. Sofremos um impacto relativamente pequeno dessa quebra de cadeias produtivas globais durante a pandemia porque a nossa vantagem comparativa estava na agricultura”, disse, destacando que o país estava pouco integrado industrialmente.

“Não pode o celeiro do mundo ser um país que tem fome”, diz Guedes

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Brasil é o “celeiro do mundo” na esfera da produção de alimentos e que é “inadmissível” um país com essa posição ter o povo passando fome. Ao problema, ele atribuiu o desperdício como principal causa.

Essas pautas foram discutidas, nesta manhã, pelo Fórum da Cadeia de Abastecimento da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), que reuniu ministros e atores da sociedade de forma remota para debater a fome no país.

“Notamos o desperdício no Brasil, desde a produção, passando pelo supermercado e até chegar nas nossas mesas. Isso é um grande problema”, disse Guedes.

Ele sugeriu duas saídas: a adequação da carga de impostos para ajudar na acessibilidade dos alimentos, via reforma tributária, e uma proposta menos convencional. “Toda alimentação que não for utilizada aquele dia num [suposto] restaurante dá para alimentar mendigos e pessoas desamparadas. Muito melhor do que estragar a comida”, afirmou.

O ministro ainda criticou os hábitos alimentares brasileiros.

“Você vê um prato de um classe média europeu que enfrentou duas guerras mundiais e nota que são pequenos, enquanto os nossos não. Há muito desperdício. Não pode o celeiro do mundo ser um país que tem fome“, lamentou.

Agricultura familiar

Guedes também comentou que o governo precisa apoiar tanto o abastecimento, como a compra pela pequena agricultura familiar.

“Para isso, é preciso ter mão de obra barata. O Brasil tem uma arma de destruição em massa de empregos, que são os encargos sociais e trabalhistas. Nós precisamos atacar isso”, afirmou o ministro.

“Nossa responsabilidade é entender como plugar e trazer todo esse enorme contingente de baixa renda. Os aspectos de sanidade e rastreabilidade são decisivos”, completou.

Fonte: Por Gabriel Ponte/ Isto É Dinheiro/ Reuters/ Portal Metrópoles

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