Dotz quer mais startups após captar R$ 390 mihões na B3

Operadora de programas de fidelidade, Dotz, deseja acelera a monetização com novos produtos, diz o executivo financeiro, Otávio Araujo

Após abrir o capital na B3 no fim de maio, com captação de R$ 390,7 milhões, a Dotz, que opera programas de fidelidade, prepara a compra de startups. A informação é do presidente da empresa, Roberto Chade, e do executivo financeiro Otávio Araujo.

Apesar de ter atraído investidores de peso como Ant Financial e Sofbank, a Dotz teve de mudar a estrutura da oferta, de um IPO amplo, para uma operação restrita – o preço da ação ficou em R$ 13,20, no piso. “Um volume grande de empresas que estava em processo (de IPO) não avançou”, disse Chade. “Podíamos ter jogado para frente, mas esse investimento é muito importante”.

Araujo diz que esta foi a primeira captação e que uma oferta subsequente de ações pode ganhar corpo caso surja oportunidade.

A empresa fechou o primeiro trimestre com uma receita líquida de R$ 25,4 milhões, estável na comparação anual. O prejuízo caiu 19%, para R$ 22 milhões, ante uma melhora nos resultados financeiros, mas ainda influenciado pelo crescimento nas despesas comerciais.

A estratégia agora é crescer e as aquisições podem levar novos produtos ao portfólio. Segundo Araujo, startups com receita na casa dos R$ 10 milhões a R$ 20 milhões são alvos a se considerar. “Queremos produtos que estejam prontos para trazermos para a Dotz e acelerar a monetização”, explicou. A Dotz, segundo o executivo, agora tem “bala na agulha” para sair às compras. Em 2018, a empresa comprou o programa de fidelidade Netpoints.

Hoje, o time da Dotz é de 300 pessoas, sendo 150 da área de tecnologia – área que deve ganhar outros 100 profissionais.

Questionados sobre consolidações maiores, diante do forte movimento que tem ocorrido em diversos mercados, como o varejo de moda, Chade disse que a empresa vê sim espaço para parcerias estratégicas, como a feita com a Telefônica, dona da Vivo, para fidelizar clientes e que foi ampliada recentemente. A parceria abre espaço para a Vivo ter até 2% do capital da Dotz. “Isso não deixa de ser um M&A [uma aquisição]. A gente acredita que sim, faremos várias operações desse tipo”, disse.

O grupo planeja dar um passo à frente na parceria com as indústrias e passar a oferecer pontos não apenas nas compras feitas nas redes varejistas. A ideia é desenvolver uma ferramenta em que os clientes, ao comprar um produto, possam ler o QR Code do cupom fiscal e ganhar pontuação. A comprovação da compra será feita junto às secretarias estaduais de Fazenda.

“Já fizemos uma série de testes, tanto com indústria como internamente. A nossa expectativa é ter algo pronto no terceiro trimestre deste ano”, disse Chade. O grupo está monitorando oportunidades de aquisições de startups neste segmento para acelerar o projeto.

A Dotz disputa mercado sobretudo com as empresas de fidelidade de companhias aéreas, como a Smiles (da Gol), e programas próprios das empresas, como o Cliente Mais, do Grupo Pão de Açúcar.

Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (Abemf), havia 161,6 milhões de usuários cadastrados em programas de fidelidade no país no quarto trimestre de 2020, crescimento de 6,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

No quarto trimestre, foram resgatados 52,3 bilhões de pontos/milhas pelos usuários, sendo 67% usados para compra de passagens aéreas e o restante para produtos em redes do varejo.

Fonte: Valor Econômico

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