Qual será o futuro do GPA?

Em teleconferência aos acionistas, o presidente Marcelo Pimentel adiantou os próximos passos da companhia

O comando do GPA descartou a hipótese de venda de ativos da empresa neste momento, e disse hoje que “não há nenhuma conversa acontecendo” , afirmou o presidente, Marcelo Pimentel, ao ser questionado sobre o tema em teleconferência.

“Tudo o que tem sido colocado na mídia é especulação, não há nada novo a acrescentar no curto prazo e no médio prazo não tem nada acontecendo”, afirmou ele.

Nos últimos dias, surgiram notas na imprensa informando que havia uma negociação em andamento com o concorrente Carrefour e poderia envolver a venda de fatia do Pão de Açúcar. As informações surgiram dias antes da publicação dos números do GPA Brasil do primeiro trimestre, que mostram aumento no prejuízo operacional da empresa (sem incluir valores de venda do Extra e antes de Imposto de Renda) de 246% sobre o ano anterior.

Após abrir pregão com leve alta, num início de manhã com papéis da área de consumo já em queda, a ON do GPA inverteu o movimento e passou a cair. A queda ganhou força depois que a empresa negou conversas em andamento para venda de parte ou a totalidade de seus ativos.

Em 2018, o periódico informou que o Casino, controlador do GPA e Assaí estudava uma reestruturação de ativos para venda de negócios e ou monetização de operações e todos os ativos estavam sob análise.

Desde começo de 2020, pelo menos, o Casino vem mencionado a analistas possíveis estratégias mais focadas em monetizar negócios — como venda de lojas a fundos, inclusive já anunciadas, eventual ofertas de ações de negócios no exterior e venda dos braços de negócios menores (como na Argentina e Uruguai).

Sobre a hipótese de um “re-IPO” de ativos no exterior (oferta subsequente de ações), como questionou um analista na teleconferência hoje, Pimentel disse que “se tiver algum avanço a empresa comunicará o mercado”. Em 2021, O Casino informou que avançaria numa oferta de ações da Cnova, plataforma digital, de 300 milhões de euros até o fim daquele ano, mas a operação não ocorreu. Mudanças nas condições de mercado e de foco da empresa teriam postergado o plano.

Desde 2020, o Casino já levantou possibilidade de várias operações envolvendo seus ativos, dentro da ideia de trazer caixa à operação (reduzindo alavancagem) ou ao controlador: oferta de ações de Cnova, venda de fatia do braço de energia GreenYellow, cisão de ativos no Brasil — no caso, o Assaí, já concluído — e venda de imóveis, como lojas.

Dez anos após o Casino assumir o controle do GPA , a empresa hoje é basicamente uma operação de supermercados e braço digital. O GPA no país fechou o primeiro trimestre com R$ 4,1 bilhões em vendas, queda de 1,8%, e lucro líquido de R$ 1,4 bilhão, reflexo de entrada de parte dos recursos de venda do Extra (R$ 1,5 bilhão). O lucro operacional antes de resultado financeiro e impostos caiu 46%, para R$ 42 milhões.

Loja do ‘Pão’ é foco

O comando GPA disse que a empresa tem que crescer mais e ser mais rentável, e que a prioridade hoje são os supermercados Pão de Açúcar — na visão de analistas, braço afetado pelo crescimento de concorrentes no mercado premium alimentar.

No momento atual, depois que a empresa reduziu de tamanho desde 2020, separando o Assaí e fechando a marca Extra, o Pão de Açúcar acabou se tornando o maior negócio grupo (R$ 1,8 bilhão de vendas brutas de janeiro a março, queda de 1,5%), e por isso naturalmente a rede já tem sido vista pelos analistas como o foco da gestão.

“Queremos voltar a crescer ‘top line’ de maneira sustentável e rentável”, disse Pimentel. Considerando todas as marcas, o GPA no Brasil teve estabilidade nas vendas ao excluir postos no cálculo, e queda de 1,8% incluindo os postos.

Entre todas as atuais marcas do grupo, no negócio hoje chamado de “Novo GPA”, o mercado de proximidade (como Minuto Pão de Açúcar) e os supermercados (Compre Bem e Mercado Extra) cresceram 7,5% e 0,5%, respectivamente, de janeiro a março. Só o Pão de Açúcar cai em vendas totais.

“Nesse novo modelo estamos colocando prioridade no ‘Pão’, ele é prioridade 1,2,3, e a gente vem avaliando sortimento ideal e a prioridade é ter lojas mais rentáveis […]. Estamos avançando com uma equipe nessa análise de categorias que são produtos com tíquetes mais altos e margem maiores também”, afirmou ele.

A margem bruta da empresa no Brasil caiu de 26,8% de janeiro a março de 2021 para 26,6% neste ano.

Em outro momento, o comando da varejista afirmou que a empresa está no processo de conversão de 25 unidades do Extra em Pão de Açúcar e Mercado Extra, e que isso deve ser terminado no fim do terceiro trimestre.

A companhia ainda reforçou que há uma recuperação geral de fluxo de clientes nas lojas após abril, e que o Pão de Açúcar, nesse segundo trimestre frente ao primeiro trimestre, vem crescendo perto de duplo dígito, assim como Mercado Extra, em “quase duplo dígito”, afirmou o diretor financeiro Guillaume Gras.

Tendência positiva em maio

O GPA diz que normalizou rupturas em abril, que afetaram as vendas do primeiro trimestre, e esse nível já caiu em itens definidos como foco. “Normalizamos a ruptura em abril, o que explica também a retomada nas vendas [venda total do GPA Brasil ficou estável no trimestre]. Crescemos com a força tarefa que criamos para trabalhar melhor loja e fornecedores e foco nos principais itens”, disse o CEO, ao citar queda de 50% na ruptura de certos itens.

Sobre efeito da inflação alimentar, Pimentel disse ser difícil dizer que o grupo vai conseguir crescer acima da inflação alimentar. O diretor financeiro ressalto

Fonte: Adriana Mattos, Valor

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