Varejo e indústria se unem para discutir os novos hábitos de consumos

Sexta edição da Live Supermeeting ABRAS contou com a participação da Ticket e das redes Mundial Mix (SC) e do Grupo Coutinho (ES)

O tema Novos Hábitos de consumos: como se preparar movimentou a tarde desta terça-feira (6) durante a sexta edição da Live Supermeeting ABRAS, transmitida ao vivo pelo canal da entidade no Youtube. O encontro contou com a presença de Jean Castro, diretor de redes da Ticket, patrocinadora do evento, e os varejistas Julio César Lohn, diretor comercial da rede Mundial Mix (SC) e também presidente da Rede Brasil, e Yuri Fernandes, gerente de Marketing e E-commerce do Grupo Coutinho (ES). Celso Furtado, vice-presidente de Negócios e Marketing da ABRAS, deu às boas-vindas a todos e passou a palavra para o moderador Danilo Nascimento, diretor e sócio da Propz, empresa de CRM e inteligência analítica especializada em varejo.

Nascimento iniciou os trabalhos afirmando que a pandemia, de fato, tem gerado muitas mudanças de hábitos de consumo. “O que permanece e o que não é permanente é o que vamos debater neste encontro hoje com os convidados”, avisou o moderador que, na sequência, passou a palavra para Jean Castro, diretor da Ticket.

Castro trouxe uma série de números interessantes para provocar a reflexão e a participação dos supermercadistas. O executivo citou dados da Pnad/IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) pontuando, em abril, a existência de 14,7% dos brasileiros desempregados. Mas também apresentou dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) sobre a criação de mais de 280 mil novas vagas de trabalho, o que totaliza 40,6 milhões de trabalhadores no mercado formal. Baseado nos números, Castro mostrou que, se por um lado há queda no poder de compra dos trabalhadores por falta de renda; por outro lado quanto mais trabalhadores formais ativos, mais consumidores entrarão nos supermercados.

Segundo Castro, os resultados de uma pesquisa que a Ticket fez entre os dias de 16 de março e 5 de abril, com mais de 1.000 respondentes pelo aplicativo da companhia, mostra a força do setor supermercadista. Os participantes foram questionamos sobre os novos hábitos, durante a pandemia, em relação às refeições no horário de trabalho. O executivo da Ticket revelou que 40,3% dos participantes responderam que, atualmente, preparam a sua refeição em casa, pelo menos, cinco vezes por semana. “É uma mudança brutal em relação ao que observávamos antes. E questionados com qual frequência realizam compras em mercados, açougues, peixarias, supermercados, etc, cerca de 38,7% responderam que vão pelo menos uma vez por semana, 22% duas vezes ao mês e 19,4% frequentam três ou mais vezes por semana os estabelecimentos para comprar”, explicou Castro.

Outra pesquisa realizada em agosto do ano passado com 12 mil trabalhadores no Brasil, constatou, de acordo com a Ticket, que 66% dos respondentes afirmaram serem adeptos de compras online de maneira geral e mais da metade informou que passou a fazer isso em razão da pandemia. “Mas apenas 34% do total relataram a realização de compras de supermercados através da internet. Aqui é um comportamento que está evoluindo cada vez mais, mas tem espaço para crescer”, Castro chama a atenção.  O mesmo estudo mostrou que os consumidores entendem que essa alteração no perfil de consumo veio para ficar. “Cerca de 52% das pessoas disseram que esse será um hábito mantido mesmo com o fim do isolamento social”, complementa o executivo da Ticket.

O impacto no varejo

Diante de dados tão atraentes, Danilo Nascimento perguntou aos varejistas se eles observam essas mudanças de hábitos de consumo nos seus respectivos supermercados e também no setor como um todo.  

Yuri Fernandes, do Grupo Coutinho, afirmou que a mudança de comportamento aconteceu e houve crescimento das vendas no e-commerce. Porém, ele ressaltou que as alterações ocorreram de acordo com a região, já que o Grupo Coutinho possui lojas de perfis diferentes, ou seja, localizadas em bairros na periferia e também em bairros nobres. “O que não mudou, e até se intensificou nesse momento de pandemia, foi a procura do consumidor por facilidade e comodidade. Ele quer entrar na loja rápido e sair mais rápido também. Isso eleva a nossa responsabilidade e atenção nessa proximidade com o consumidor. É importante frisar para não tentar colocar todo mundo dentro de um bolo só. Quando a gente olha no volume de loja que temos, foi necessário personalizar muita ação, atender a cada uma das necessidades e expectativas desses consumidores”, compartilhou. 

Julio Cesar Lohn, do Mundial Mix, também comentou da importância de se fazer um diagnóstico do momento da pandemia e perceber que cada região teve uma realidade, principalmente na questão do fechamento e abertura do comércio. Lohn concordou com Fernandes que a tendência da comodidade e da conveniência não muda. Ao falar do e-commerce, ele ressaltou que é uma experiência que está oferecendo serviço de qualidade. “Quanto mais evolui, a experiencia de compra melhora e gera aderência”, afirmou Lohn, que também trouxe para a roda o outro lado da moeda. Ele fez as seguintes indagações: “O online traz conveniência e quem tem varejo de conveniência como faz nessa hora? E há as indústrias que começam a vender direto para o consumidor e tiram o tráfego da loja?  Pergunto tudo isso porque precisamos saber como domar esse animal chamado ‘velocidade online’ com todo mundo fazendo solução”, ressaltou. Lohn complementou suas reflexões dizendo que se trata de “um momento de muita reflexão e cuidado, mas não dá para ficar parado”.

Categorias que cresceram, iniciativas para engajar, ativar e reter os consumidores, desafios para melhorar as vendas online entre outros temas ainda foram abordados pelos varejistas e a Ticket durante o encontro. Para saber mais informações deste evento, confira matéria completa na próxima edição da revista SuperHiper.

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