Por Giseli Cabrini
O segmento de material escolar, que compõe a seção de Bazar do varejo alimentar, passa por uma transformação impulsionada pela evolução do comportamento do consumidor e pelo avanço da tecnologia. Embora produtos tradicionais como canetas e cadernos continuem liderando as vendas, o crescimento da categoria está cada vez mais associado a itens premium, personalizados e sustentáveis.
Essa tendência é apontada por institutos de pesquisa como GfK Retail and Technology e Fortune Business Insights e por profissionais que acompanham diariamente a evolução do mercado.
“O consumidor passou a enxergar a papelaria de uma forma diferente. Além da funcionalidade, criatividade, design, sustentabilidade e personalização ganharam espaço na decisão de compra”, afirma Paulo Freire, presidente da Associação dos Distribuidores de Papelaria (Adispa).
Por que o mercado de material escolar depende cada vez menos da volta às aulas?
Outro ponto importante para o varejo alimentar é reduzir a dependência da sazonalidade. Segundo a head de Portfólio da Escolar Office Brasil, Luciana Ramos, inovação, criatividade e diferenciação continuarão impulsionando o setor nos próximos anos. “O mercado está cada vez menos dependente apenas da volta às aulas. Lançamentos, licenciamentos, produtos premium, sustentabilidade e a integração entre loja física e digital ampliam as oportunidades de negócio ao longo de todo o ano”, afirma a executiva.
Quais são os materiais escolares mais vendidos no Brasil?
Dados da Visa Consulting & Analytics e levantamentos da Escolar Office Brasil mostram que o maior volume de vendas permanece concentrado nas categorias tradicionais:
- Canetas: 14,8%
- Lápis: 14%
- Cadernos: 10,1%
- Estojos escolares: 3,5%
Apesar da liderança desses produtos, novas categorias vêm registrando crescimento consistente.
Papelaria criativa e produtos sustentáveis impulsionam novas vendas
Segundo levantamentos da Escolar Office Brasil, Visa Consulting & Analytics e Central do Varejo, categorias como planners, adesivos, washi tapes, clips decorativos, post-its personalizados e carimbos cresceram cerca de 10% no último ano, refletindo a expansão da chamada papelaria criativa e afetiva.
Ao mesmo tempo, produtos sustentáveis ganham cada vez mais relevância.
Cadernos produzidos com papel reciclado, canetas biodegradáveis, lápis ecológicos e embalagens reutilizáveis acompanham uma demanda crescente por soluções alinhadas às práticas de ESG, tendência destacada pela Fortune Business Insights, 6W Research, Future Market Insights e The Business Research Company.
Mercado de papelaria movimenta R$ 49,3 bilhões em 2025
O mercado brasileiro de papelaria segue em trajetória de crescimento, mesmo diante de um cenário econômico de maior cautela por parte dos consumidores.
Em 2025, o setor movimentou aproximadamente R$ 49,3 bilhões, acumulando crescimento de 43,7% nos últimos quatro anos, segundo estimativas da GfK Retail and Technology.
Além disso, o setor de livros, jornais, revistas e papelaria registrou crescimento de 6,9% no varejo físico em 2025, desempenho superior ao de diversos segmentos do comércio, de acordo com o Índice de Varejo Stone.
Fique por dentro das tendências do mercado de material escolar para 2027
A partir deste domingo (2), São Paulo recebe mais uma edição da Escolar Office Brasil, que segue até quarta-feira (5).
Considerada referência para o continente americano, a feira reúne fabricantes, distribuidores, varejistas e profissionais do setor e apresentará lançamentos e inovações voltados à volta às aulas de 2027.
A seguir, confira entrevista exclusiva concedida por Luciana Ramos, head de Portfólio da Escolar Office Brasil, à SuperHiper, com insights sobre como o varejo alimentar pode potencializar as vendas de material escolar em suas lojas físicas.
Qual é a importância do varejo alimentar para o segmento de material escolar?
O varejo alimentar vem ampliando sua relevância como canal de comercialização de materiais escolares. Hoje, o consumidor busca otimizar seu tempo e conveniência do conceito one-stop shop, concentrando compras em um único local. Isso faz com que itens de papelaria deixem de ser vistos apenas como produtos sazonais e passem a integrar a rotina dos consumidores. Além do período de volta às aulas, existe uma demanda recorrente por produtos de reposição, como cadernos, lápis, canetas, borrachas e itens de organização. Portanto, o setor supermercadista pode transformar esses itens de papelaria em uma categoria presente ao longo de todo o ano.
Qual formato de varejo alimentar tem mais potencial para vender material escolar?
Cada formato atende a uma necessidade diferente do consumidor, mas o atacarejo tem demonstrado potencial crescente, principalmente em função da busca por economia. Famílias, pequenos empreendedores, professores e até instituições de ensino encontram nesse canal uma oportunidade para adquirir materiais em maior volume com preços competitivos. Por outro lado, o varejo de proximidade e as lojas de bairro ganham força na compra por impulso e na reposição rápida. Isso demonstra que existe espaço para crescimento em toda a cadeia do varejo alimentar, desde que o sortimento esteja alinhado ao perfil de cada canal.
E os mercadinhos autônomos?
A redução de canais tradicionais abre espaço para novos formatos de conveniência. Mercadinhos instalados em condomínios, empresas, universidades e outros ambientes de grande circulação podem atender demandas imediatas por itens básicos de papelaria. Nesses casos, o consumidor não procura variedade, mas produtos essenciais que resolvam necessidades urgentes. Canetas, lápis, borrachas, cadernos, blocos de anotações e até carregadores ou pilhas podem compor essas demandas. Trata-se de um modelo baseado na conveniência e na compra por necessidade imediata, que ganha espaço à medida que novos formatos de varejo se consolidam.
Quais as dicas para o varejo alimentar potencializar as vendas de itens de material escolar?
A principal estratégia é deixar de tratar a categoria apenas como um negócio sazonal. Para potencializar as vendas ao longo de todo o ano, o varejista precisa trabalhar com um sortimento inteligente, mantendo um mix enxuto dos itens mais vendidos no dia a dia e expandindo essa variedade apenas no pico da volta às aulas. Além disso, a exposição estratégica faz toda a diferença: posicionar produtos de alta margem e compra por impulso perto dos caixas ou integrados a seções como tecnologia e home office estimula o consumo diário. Quando o supermercado compreende as diferentes necessidades de estudantes e profissionais e mantém um calendário promocional ativo ao longo dos meses, ele transforma a papelaria em uma alavanca constante de fluxo, rentabilidade e tíquete médio.
Checklist sobre o mercado de material escolar
Qual o tamanho do mercado de papelaria no Brasil em 2025?
O setor movimentou aproximadamente R$ 49,3 bilhões em 2025, acumulando crescimento de 43,7% nos últimos quatro anos.
Fonte: GfK Retail and Technology
Quais são os materiais escolares mais vendidos?
Os produtos com maior volume de vendas são:
- Canetas (14,8%);
- Lápis (14%);
- Cadernos (10,1%);
- Estojos escolares (3,5%).
Fonte: Visa Consulting & Analytics e da Escolar Office Brasil
Qual formato de varejo alimentar tem maior potencial para vender material escolar?
O atacarejo se destaca pela compra em maior volume e pela busca por economia. Já lojas de proximidade e de bairro apresentam bom desempenho na compra por impulso e na reposição rápida.
Quanto cresceu a papelaria criativa?
Categorias como planners, adesivos, washi tapes, clips decorativos, post-its personalizados e carimbos cresceram cerca de 10% no último ano.
Fonte: Escolar Office Brasil, Visa Consulting & Analytics e Central do Varejo