“O hortifrúti é uma joia rara para os supermercados e responde hoje por cerca de 10% do faturamento do setor.” A afirmação do presidente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), João Galassi, marcou a abertura da 10ª edição da The Brazil Conference & Expo, em São Paulo.
Durante a solenidade, Galassi destacou o papel estratégico da categoria para o varejo alimentar, ressaltou a importância da rastreabilidade para fortalecer a confiança do consumidor e lembrou que os produtos da cesta básica foram beneficiados pela desoneração prevista na reforma tributária.
A seção de perecíveis, conhecida pela sigla FFLVO (flores, frutas, legumes, verduras e ovos), movimenta anualmente no Brasil, segundo dados apresentados durante a The Brazil Conference & Expo, cerca de R$ 150 bilhões na produção e R$ 400 bilhões no varejo.
Posicionada na entrada das lojas, a categoria ganha novo impulso com o uso de inteligência artificial (IA), o planejamento baseado na sazonalidade, o aprimoramento da experiência de compra e o avanço da saudabilidade, impulsionado também pela popularização dos medicamentos para perda de peso à base de GLP-1.
Inteligência artificial reduz perdas e aumenta eficiência no FFLVO
Entre as boas práticas adotadas pelo varejo alimentar para a gestão do FFLVO, a incorporação da inteligência artificial (IA) destaca-se pela capacidade de reduzir perdas, aumentar a eficiência operacional e minimizar os impactos da escassez de mão de obra.
Segundo o diretor-executivo comercial do Grupo Carrefour Brasil, Danilo Castro Alves, a rede substituiu inspeções exclusivamente visuais por sistemas de visão computacional combinados à validação humana. A tecnologia monitora:
- Indicadores de estoque e tempo de permanência dos produtos;
- Índice de frescor em tempo real;
- Previsão de abastecimento, cruzando histórico de compras, comportamento do cliente e condições climáticas.
No segmento de flores — altamente sensível à logística e à perecibilidade —, a IA amplia a visibilidade dos processos. “A inteligência artificial traz automação, rastreabilidade e qualificação das informações”, afirmou o executivo de Negócios da GS1 Brasil, Nilson Gasconi, destacando que cooperativas já utilizam a tecnologia para apoiar decisões baseadas em dados.
Sazonalidade das frutas como estratégia de vendas
O planejamento antecipado das safras pode alavancar não apenas a categoria de FLV, mas também o faturamento global da loja. Para isso, é necessário desenvolver um plano estratégico considerando o calendário das safras, o comportamento do consumidor e ações promocionais em parceria com fornecedores, transformando a sazonalidade em uma oportunidade comercial.
A presidente de Relações com a Indústria Global da International Fresh Produce Association (IFPA), Jéssica Keller, recomenda que o planejamento comercial com fornecedores comece com pelo menos um ano de antecedência. “Quando o merchandising é bem executado, você amplia as vendas da categoria e de toda a loja”, afirmou.
Experiência do cliente e diferenciação no varejo alimentar
Para além do mix de produtos, a diferenciação exige valor agregado. O CEO do Rock World, Luiz Justo, ressaltou que o consumidor busca propostas de valor e experiências memoráveis.
No varejo supermercadista, essa diferenciação pode ser construída por meio de:
- Programas de fidelidade direcionados;
- Clubes de compras com benefícios exclusivos;
- Vendas antecipadas e atendimento premium.
Tendências de consumo: saudabilidade e impacto dos medicamentos GLP-1
Dados apresentados pelo diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ, Domenico Tremaroli Filho, mostram que o mercado de produtos saudáveis movimenta R$ 21,1 bilhões no Brasil (frente a US$ 6,3 trilhões no mundo), mostrando resiliência mesmo em um cenário de retração do varejo em geral.
Principais indicadores do setor:
- Crescimento do mercado saudável: evolução de 20% em valor e 13% em volume;
- Alta por categoria: +9% em frutas, +3% em legumes e +16,2% em ovos;
- Penetração: 86% dos brasileiros já incorporaram hábitos saudáveis à rotina.
Mudanças de hábitos associadas aos medicamentos GLP-1
A pesquisa revelou que medicamentos injetáveis à base de GLP-1 já são utilizados por 5% da população e despertam interesse de 26% dos consumidores.
Entre os usuários:
- 94% alteraram hábitos alimentares, aumentando o consumo de proteínas animais;
- 67% ampliaram a compra de vegetais, verduras e frutas.
Os temas foram debatidos durante a 10ª The Brazil Conference & Expo, realizada pela International Fresh Produce Association (IFPA), com organização da Francal.