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Grupo Mateus chega aos 40 anos como símbolo da transformação do varejo no Norte e Nordeste

De uma pequena mercearia em Balsas (MA) a uma operação de R$ 43,8 bi, companhia acompanhou mudanças econômicas, expansão do consumo e evolução do comércio regional

De Redação SuperHiper
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Em 1986, o Brasil vivia uma experiência econômica inédita. O Plano Cruzado tentava conter uma inflação que corroía o poder de compra da população, enquanto comerciantes precisavam se adaptar a tabelamentos de preços, mudanças frequentes nas regras do mercado e um ambiente de elevada instabilidade. Foi nesse contexto que uma pequena mercearia iniciou suas atividades em Balsas, no sul do Maranhão.

Quarenta anos depois, aquela operação deu origem a uma das maiores redes de varejo alimentar do país. Mais do que contar a trajetória de uma empresa, sua história ajuda a compreender a própria transformação do consumo no Norte e Nordeste, regiões que, ao longo das últimas quatro décadas, passaram por mudanças econômicas, expansão urbana, interiorização do desenvolvimento e crescimento do poder de compra de milhões de brasileiros.

A evolução do Grupo Mateus acompanha, em muitos aspectos, esse movimento. O crescimento da renda em cidades médias, a consolidação do agronegócio em diferentes polos do Nordeste, a melhoria da infraestrutura logística e a expansão do crédito criaram um ambiente favorável para o fortalecimento do varejo regional. Ao mesmo tempo, exigiram das empresas capacidade de adaptação em um mercado cada vez mais competitivo.

Quando a primeira loja foi inaugurada, em 1986, administrar um negócio significava lidar diariamente com remarcações de preços provocadas pela inflação, margens estreitas e dificuldade para planejar investimentos de longo prazo. Nas décadas seguintes, o país atravessou sucessivos ciclos econômicos, mudanças de moeda, abertura comercial, estabilização monetária, expansão do consumo e, mais recentemente, novos períodos de desaceleração e juros elevados. Cada fase impôs desafios diferentes ao setor varejista.

Ao longo desse período, o Grupo Mateus expandiu sua presença territorial acompanhando o avanço econômico das regiões Norte e Nordeste. Em vez de concentrar sua operação exclusivamente nas capitais, apostou também em cidades do interior que passaram a ganhar relevância econômica e demográfica, movimento que ajudou a consolidar uma presença regional hoje distribuída por nove estados brasileiros.

Mais do que ampliar o número de lojas, a companhia diversificou formatos para atender perfis distintos de consumidores e diferentes ocasiões de compra. O supermercado tradicional, o atacarejo, o atacado de distribuição, as lojas de vizinhança, as operações voltadas ao segmento farmacêutico e os formatos premium passaram a compor um ecossistema de negócios que acompanha as mudanças no comportamento de consumo.

Essa diversificação reflete uma característica cada vez mais presente no varejo alimentar: reduzir a dependência de um único modelo comercial e ampliar a presença ao longo da jornada do cliente. Consumidores passaram a alternar diferentes formatos de compra conforme renda, conveniência, localização e ocasião de consumo, exigindo das empresas operações cada vez mais complexas e integradas.

Nesse cenário, a logística tornou-se um diferencial competitivo. Em regiões onde as distâncias representam um dos maiores desafios operacionais do país, abastecer lojas com regularidade, manter níveis adequados de estoque e reduzir rupturas impacta diretamente a experiência do consumidor e os resultados do negócio. Não é à toa que a logística é um dos pilares do Grupo Mateus. A companhia conta com 18 centros de distribuição, 5 indústrias de panificação que descentralizam a produção e padronizam produtos, centrais de hortifrúti e uma robusta operação de venda externa, estrutura que sustenta o abastecimento de 315 unidades distribuídas por nove estados brasileiros.

A transformação digital também modificou profundamente o setor. O consumidor passou a circular entre diferentes canais antes de concluir uma compra, combinando loja física, aplicativos, meios digitais de pagamento e programas de relacionamento. Nesse cenário, a multicanalidade tornou-se parte da estratégia de crescimento do Grupo Mateus. Sistemas integrados, canais digitais e soluções tecnológicas passaram a complementar a experiência tradicional de compra, aproximando a empresa dos seus consumidores em um ambiente cada vez mais conectado.

Outro movimento que marcou a trajetória recente da companhia foi a ampliação de seu ecossistema de varejo. Em 2026, o Spazio — modelo de empório e loja de serviços voltado a uma experiência de compra diferenciada — ganhou unidades independentes. No mesmo ano, o Grupo Mateus ingressou no segmento farmacêutico, ampliando a oferta de produtos e serviços ao consumidor. As iniciativas refletem uma estratégia de diversificação dos negócios e de fortalecimento de um ecossistema integrado, alinhada às tendências observadas entre os grandes grupos varejistas no Brasil e no exterior.

Todo esse processo de expansão ocorreu paralelamente ao fortalecimento da governança corporativa. Com a abertura de capital, em 2020, a companhia iniciou uma nova etapa, ampliando o acesso ao mercado financeiro e impondo novos padrões de transparência, gestão e prestação de contas aos investidores. Ao mesmo tempo, o crescimento da operação exigiu processos mais estruturados, maior profissionalização da gestão e investimentos contínuos em tecnologia e eficiência operacional.

O crescimento da operação também ampliou a necessidade de investir na formação de pessoas. Ao longo dos anos, o Grupo Mateus estruturou iniciativas de capacitação e educação continuada, com destaque para a UniMateus, sua universidade corporativa, voltada ao desenvolvimento profissional e à formação de líderes. A iniciativa acompanha a evolução da companhia e reforça uma estratégia de preparação dos colaboradores para diferentes funções e níveis de responsabilidade, contribuindo para a formação de novas lideranças e para a continuidade da cultura construída ao longo de quatro décadas.

É a partir dessa trajetória de expansão, adaptação e desenvolvimento que o Grupo Mateus chega aos 40 anos. Mais do que celebrar uma trajetória de crescimento, o marco simboliza a capacidade de adaptação a diferentes ciclos econômicos e às mudanças do comportamento do consumidor ao longo de quatro décadas.

Para o fundador, Ilson Mateus, a empresa cresceu, mas nunca deixou para trás a forma como aprendeu a fazer varejo. “No começo era tudo muito diferente. A gente fazia conta na mão, anotava as coisas no papel, resolvia os problemas ali mesmo, dentro da loja. Hoje tem tecnologia, sistema, informação chegando na hora, e isso ajuda muito. Mas uma coisa nunca mudou: ouvir o cliente. Foi assim que a gente começou e é assim até hoje. Ao longo desses 40 anos, também tivemos a confiança dos nossos colaboradores e dos investidores, que acreditaram e continuam acreditando na empresa. O varejo muda todo dia. Se a gente achar que já sabe tudo, fica para trás. Tem que continuar aprendendo e melhorando sempre.”

Os próximos anos apresentam desafios tão relevantes quanto aqueles enfrentados em 1986. Inteligência artificial, automação, análise de dados, mudanças demográficas, novos hábitos de consumo, sustentabilidade e transformação digital deverão continuar redefinindo a forma como empresas e consumidores se relacionam.

Para Jesuíno Martins, CEO do Grupo Mateus, completar quatro décadas representa menos um ponto de chegada e mais o início de um novo ciclo. “Chegar aos 40 anos aumenta a nossa responsabilidade. O varejo muda todos os dias. O consumidor muda, a tecnologia muda e o ambiente de negócios também. Nosso compromisso é continuar evoluindo, mantendo a capacidade de entender as necessidades das pessoas e de construir uma operação preparada para os desafios que ainda estão por vir.”

Quatro décadas depois, a pequena mercearia inaugurada em Balsas transformou-se em uma operação com presença em nove estados, mais de 70 mil colaboradores e faturamento bruto de R$ 43,8 bilhões em 2025, dimensão que ilustra não apenas o crescimento da companhia, mas também a evolução do varejo no Norte e Nordeste ao longo desse período.

Em um setor onde adaptação é condição para permanecer competitivo, a trajetória da companhia reflete como crescimento e inovação e as transformações do consumo caminham lado a lado.

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