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Setor de biscoitos, massas, pães e bolos fatura R$ 36 bi no 1S26

Cesta Abimapi registra alta de 2,1% em faturamento puxada por inovações e a ascensão do “premium acessível”

De Redação SuperHiper
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O balanço do primeiro semestre de 2026 revela um cenário de resiliência e adaptação no consumo da Cesta Abimapi, monitorada pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães Industrializados (Abimapi), com dados da NielsenIQ. O setor que reúne todas essas categorias faturou R$ 36 bilhões nos primeiros seis meses do ano, o que representa um avanço de 2,1% em faturamento na comparação com o primeiro semestre do ano anterior. O volume comercializado, no entanto, registrou ligeira retração de 2,1%.

Claudio Zanão, presidente-executivo da Abimapi, afirma que o resultado é reflexo da força e resiliência da indústria diante de adversidades macroeconômicas. “Mesmo enfrentando um cenário desafiador, as categorias da Cesta Abimapi provaram ser essenciais na rotina das famílias brasileiras. A rápida capacidade de adaptação dos fabricantes, que apostam em lançamentos inovadores e na diversificação de portfólio para atender tanto o consumidor que busca extrema economia quanto aquele que não abre mão de pequenos prazeres diários, foi o grande motor que manteve o dinamismo do nosso mercado”.

A categoria misturas para bolo foi o destaque de crescimento para o setor. No período, o segmento faturou R$613 milhões, alta de 14,7% e 69 mil toneladas, contribuição de 4,1% a mais que no mesmo período de 2025. O avanço foi impulsionado por um fluxo contínuo de inovações e novos produtos de maior valor agregado que conquistaram o giro nas gôndolas. O desempenho é puxado principalmente pelo segmento de mistura para bolo, responsável por 80,7% da categoria e que registra crescimento da taxa de vendas em valor de +22,3%.

A categoria dos biscoitos registrou R$18 bilhões em faturamento, crescimento de 3,7%, e 747 mil toneladas, recuo de 2,3% no volume. O “efeito ampulheta” é a principal característica do período, que é quando o consumidor passa a concentrar seus gastos nos extremos da categoria, equilibrando itens mais simples para o cotidiano com produtos premium de maior valor agregado, cobertos, cookies e recheados doces, que já representam 10,3% do faturamento do mercado e 7,9% em frequência de compra.

Já o segmento de amanteigados cresceu 1,8% em penetração nos lares, com alta de 2,7% nas ocasiões de compra. Wafers cresceram 0,1% e cobertos 7,9%. Além disso, o consumidor tem encontrado nos biscoitos uma possibilidade viável e mais barata de substituição a doces mais caros, como barras de chocolate.

No caso dos pães industrializados, o faturamento chegou a R$8,4 bilhões, aumento de 1,1%, e 385 mil toneladas, uma queda de 3,9% no volume. A forte atuação de fabricantes e marcas menores impulsionaram o giro no segmento pão de forma comum. Além disso, os pães de hambúrguer e hot dog continuam se destacando e mantendo uma trajetória de contribuição positiva em valor (+11% de importância), impulsionados pela transferência das refeições rápidas de fora para dentro de casa. O pão de hambúrguer, especificamente, registrou expressiva alta de 15,6% nas ocasiões de compra por lar.

Já a categoria de massas alimentícias faturou R$7,6 bilhões, um leve declínio de 0,8% no faturamento, se comparado ao mesmo período do ano anterior, e 642 mil toneladas (-1,5%). O grande destaque positivo foi o segmento de massas refrigeradas com ganho de 6,4% em valor. Além do segmento grano duro, com contribuição de R$ 19 milhões e caseiro, com R$ 1,25 milhão, seguindo a tendência de saudabilidade.

Os bolos industrializados tiveram faturamento de 1,4 bilhões, queda sutil de 0,8% em faturamento e volume de 30 mil toneladas (-7,4%). O segmento bolo representa 46,6% da categoria, 1,4% a mais que no primeiro semestre. Já no segmento das monoporções, a importância das embalagens de 40g cresce 4,2% e de 70g tem acréscimo de 0,4%, demonstrando a preferência por embalagens individuais maiores.

“Os dados de 2026 revelam que a economia deixou de ser uma reação temporária do consumidor e se consolidou como uma estratégia permanente de compra para o brasileiro. O consumidor racionaliza as compras básicas do cotidiano, mas se mantém disposto a fazer um trade-up para produtos indulgentes de maior valor agregado, desde que perceba uma justificativa clara de benefício. Na prática, o preço explica a escolha de uma marca ou canal, mas é o valor que dita a preferência”, analisa Claudio Czarnobai, Strategic Business Growth Managing Director de NielsenIQ.

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