O biscoito continua a ocupar um espaço relevante na rotina dos brasileiros e estar presente nas compras do dia a dia e em diferentes ocasiões de consumo dentro dos lares. A categoria como um todo cresceu 3,45% em faturamento no primeiro semestre de 2026. A informação tem como fonte um levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), com base em dados da NielsenIQ, referentes ao período de janeiro a junho de 2026.
A pesquisa — realizada devido ao Dia do Biscoito, que é celebrado nesta segunda-feira (20 de julho) — revela que o consumidor também passou a distribuir melhor seus gastos, concentrando as compras nas duas extremidades de preço e valor — um comportamento conhecido como “efeito ampulheta”.
Quem é o principal consumidor de biscoito no Brasil?
Dados de outro estudo, este da Worldpanel by Numerator, mostram que o envelhecimento da população e o crescimento dos lares menores — de uma ou duas pessoas — passaram a sustentar o volume da categoria, refletindo novos hábitos de compra e consumo dentro de casa.
Essas mudanças também se refletem na relação do consumidor com o varejo. Os brasileiros voltaram mais ao ponto de venda para comprar biscoitos, com aumento de 4,8% na frequência de compra. Além disso, o produto está presente em 99% dos lares do País, reforçando sua relevância na rotina alimentar dos brasileiros, mesmo diante das mudanças no perfil das famílias.
Os consumidores com mais de 50 anos são os grandes protagonistas atuais, sendo responsáveis por sustentar o volume da categoria e representando a maior fatia de consumo por faixa etária (34,4%).
Analisando o volume total absoluto, a classe C ainda detém a maior concentração do mercado (46,6% do volume consumido), assim como os lares de 3 a 4 pessoas (que representam 50,1%). Porém, o consumo tem migrado e ganhado força em domicílios compostos por apenas uma ou duas pessoas (29,7% do consumo).
Confira a seguir outros insights importantes quanto a canais de vendas, tipos (subcategorias) e praças mais relevantes mostrados pelo estudo da Abimapi/Nielsen:
Qual canal lidera as vendas do mercado de biscoitos?
O atacarejo (cash & carry) liderou em volume, com quase 252 mil toneladas comercializadas, enquanto o canal independente — mercearias, empórios, bombonieres, padarias e pequenos supermercados — foi responsável pelo maior faturamento, alcançando R$ 5,9 bilhões, evidenciando a capilaridade do setor em todo o País.
Quais são os tipos de biscoitos mais consumidos pelos brasileiros?
Os biscoitos recheados (24,4%) e água e sal/cream cracker (17,9%) são os tipos mais consumidos no Brasil. Na sequência, aparecem os doces amanteigados (13,53%) e os tradicionais maria e maizena (12,15%). Os dados consolidados são do primeiro semestre de 2026.
“O mercado de biscoitos continua mostrando sua força porque acompanha a evolução do consumidor. Os produtos tradicionais permanecem relevantes, ao mesmo tempo em que novas categorias, formatos e embalagens conquistam espaço. Essa capacidade de inovação mantém o biscoito presente na rotina das famílias brasileiras e fortalece toda a cadeia produtiva”, afirma o presidente-executivo da Abimapi, Claudio Zanão.
Os produtos tradicionais seguem liderando o consumo e, ao mesmo tempo, categorias premium avançam, mostrando um mercado que inova e se conecta às mudanças de comportamento do consumidor.
Ao mesmo tempo, o levantamento revela que os consumidores têm ampliado suas escolhas. As categorias com maior valor agregado registraram os maiores crescimentos em valor no período: os biscoitos cobertos avançaram 20%, os champagne 16,5% e os recheados doces tiveram alta de 5,8%. Também ampliaram o faturamento os misturados e diversos em 13,7% e os doces amanteigados com 9%. O movimento demonstra que, sem abrir mão dos produtos tradicionais, o brasileiro também busca novas experiências, sabores e momentos de indulgência.
Já os destaques do crescimento em volume também são os cobertos (10,5%) — ocupando o lugar de sobremesas, substituindo até mesmo o chocolate em algumas ocasiões de consumo — além de misturados e diversos (10%), champagne (9,5%) e doces amanteigados (3,5%).
Embalagens monoporções ganham espaço em praticidade
Essa evolução do consumo também é acompanhada pela inovação na indústria. As embalagens de até 150 gramas, voltadas ao consumo individual e à praticidade, já representam 41,95% da categoria, no primeiro semestre de 2026.
Qual é a região que mais consome biscoito no Brasil?
O Nordeste é a maior região consumidora de biscoitos do Brasil, respondendo por quase 30% do volume total de vendas no primeiro semestre de 2026. Água e sal e cream cracker lideram, representando 25,8% do consumo nessa praça, de janeiro a junho deste ano. O cream cracker continua a ser destaque na região como um substituto do pão francês, tanto no café da manhã quanto para acompanhamento no almoço e no jantar.
Na sequência, aparecem Minas Gerais, o Espírito Santo e o interior do Rio de Janeiro (aproximadamente 19%). Completam a lista a região Sul (16%), o interior de São Paulo (13%), Grande São Paulo (8,5%), o Centro-Oeste (7%) e Grande Rio de Janeiro (6,5%).