Por Renato Müller
A obsessão pela otimização de processos e corte de custos operacionais tem cobrado um preço para o grupo alemão de hard discount Aldi Süd. Na maioria dos 11 países onde a empresa atua, ela tem perdido participação de mercado nos últimos anos – especialmente em mercados-chave, como Alemanha, Reino Unido, Irlanda e Suíça.
Segundo o jornal alemão Lebensmittel Zeitung, ainda que a agressiva política de corte de custos tenha permitido melhorar os resultados operacionais e a rentabilidade da Aldi Süd no curto prazo, a busca por eficiências internas acabou impactando negativamente a atração e fidelização dos consumidores.
Isso tem ocorrido porque os cortes feitos pela empresa têm afetado a gestão diária da área de vendas das lojas. Fontes internas e diversos relatórios de analistas vêm advertindo sobre a deterioração visual e logística dos pontos de venda, com mais lojas em desordem e falhas na reposição.
A erosão na qualidade percebida pelos consumidores coincide com um amplo processo de restruturação que a empresa colocou em ação nos últimos meses. O corte de mais de 1.200 postos de trabalho, especialmente nas áreas de compras e tecnologia, se soma à simplificação do sortimento nas gôndolas, à racionalização do mix de marcas líderes e à redução do número de fornecedores para otimizar a cadeia. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, a consequência tem sido a perda de agilidade operacional e a piora na satisfação dos clientes.
Percebendo o problema e a perda de participação de mercado, a Aldi Süd vem revendo sua estratégia, buscando equilibrar a otimização logística com a recuperação dos padrões de atendimento ao cliente e o investimento na experiência de compra nas lojas físicas. Resta saber se o estrago feito ainda pode ser revertido – o que só o tempo dirá.