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Tecnologia, sozinha, não salva os supermercados

Para Gregor Ulitzka, presidente da Ocado na Europa, a lucratividade no e-commerce exige a integração de toda a cadeia logística, e não o uso de soluções pontuais

De Redação SuperHiper
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Por Renato Müller

A lucratividade e a sustentabilidade no e-commerce de supermercados não dependem da adoção isolada de Inteligência Artificial ou outras ferramentas digitais, e sim da integração de todas as etapas da cadeia operacional. A avaliação foi feita por Gregor Ulitzka, presidente do Grupo Ocado na Europa, durante sua participação no podcast Retail Disrupted.

“O e-commerce alimentar é como um decatlo. Você não pode ser bom em apenas uma disciplina. Não adianta dizer ‘temos uma logística excelente’ se a sua proposta de valor para o cliente for ruim”, disse Ulitzka. Para ele, eficiência em uma área pontual vale pouco se houver gargalos em outros pontos da operação. “Pequenos desvios operacionais são suficientes para comprometer todo o resultado financeiro”, afirma. “Podemos ter uma ótima disponibilidade de produtos, mas se tivermos entre 3% e 4% de desperdício todos os dias, isso destrói os resultados”, alerta.

Segundo o executivo, essa falta de visão integral do negócio foi a principal responsável pelas falhas de grandes varejistas ao tentarem atuar no e-commerce. “Não basta acoplar uma coisa nova à estrutura antiga. É preciso repensar toda a cadeia, estruturando as lojas físicas para atendimento e cumprindo parte dos pedidos a partir de dark stores dedicadas”, explica.

Ao detalhar o que considera o grande diferencial competitivo do setor, Ulitzka destacou o controle operacional, desmistificando a ideia de que a tecnologia, sozinha, resolve problemas operacionais complexos. “O varejo é um negócio altamente conectado. Dominar cada detalhe e desenvolver uma conectividade total é um pouco da nossa ‘fórmula secreta’, e isso não é tão fácil de copiar. Eu adoraria dizer algo como ‘a Inteligência Artificial vai resolver tudo, mas não vai”, conclui.

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