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Dia Internacional da Cerveja: como o zero álcool ganha espaço no varejo

Versões não alcóolicas da bebida ganham relevância nas estratégias promocionais, acompanhando mudanças no comportamento do consumidor

De Redação SuperHiper
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O mercado cervejeiro no Brasil passa por uma transformação profunda. A busca por hábitos de consumo mais equilibrados — com atributos como maior teor proteico e redução de açúcar e álcool — vem redefinindo as decisões de compra e as estratégias promocionais de fornecedores e supermercadistas.

A celebração do Dia Internacional da Cerveja reflete essa mudança: as versões sem álcool representam um dos movimentos de crescimento mais acelerados nas gôndolas e nos encartes do setor.

Mercado promocional de cerveja zero álcool em números

Um levantamento da Shopping Brasil, especialista em monitoramento de ofertas no varejo nacional e regional, revela a rápida expansão da categoria sem álcool em comparação com a retração promocional das cervejas tradicionais:

  • Ofertas em disparada: entre janeiro e maio de 2026, o volume de ofertas de cervejas sem álcool cresceu 239% em relação ao mesmo período de 2024. Apenas no mês de maio, o avanço foi de 257%
  • Retração no alcoólico tradicional: enquanto o mercado total de bebidas avançou 19%, as ofertas de cervejas alcoólicas recuaram 7% no acumulado do ano e 9% no mês de maio
  • Participação promocional: apesar da aceleração, a cerveja zero álcool respondeu por 2% das ofertas monitoradas de janeiro a maio de 2026, enquanto as versões alcoólicas concentraram 27%.

Projeções de consumo e indicadores do ponto de venda

De acordo com projeções da Euromonitor divulgadas pelo Guia da Cerveja, o Brasil deve consumir 885 milhões de litros de cerveja sem álcool em 2026. Trata-se de um volume quase sete vezes maior do que o registrado em 2019 (138 milhões) e superior aos 702 milhões de litros marcados em 2024. Atualmente, o País consolida-se como o segundo maior mercado global da categoria, atrás apenas da Alemanha.

Dados da Neogrid detalham o impacto direto no ponto de venda supermercadista entre 2024 e 2026:

  • Market share: a participação da cerveja sem álcool no consumo nacional avançou de 2,5% para 3,9%
  • Presença no carrinho: a penetração nos lares avançou de 4,4% para 5,6%
  • Tíquete médio: registrou aumento de mais de 20%, passando de R$ 26,41 para R$ 31,94
  • Volume por compra: a quantidade média de itens por ato de compra subiu de 4,6 para 5,5 unidades.

Para acompanhar o ritmo de expansão e combater a desinformação, o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) lançou a plataforma digital Cerveja Zero, centralizando dados setoriais, processos produtivos e dúvidas comuns do consumidor.

Indústria investe pesado: Ambev e Grupo Heineken ampliam portfólio funcional

Acompanhando as mudanças de hábito, os dois maiores players do setor anunciaram em julho lançamentos estratégicos com foco na saudabilidade e no bem-estar:

  • Ambev: lançou a Spaten Pro (cerveja com adição de proteína e zero álcool), integrando a linha de “escolhas equilibradas” ao lado de rótulos como Stella Pure Gold, Michelob Ultra, Corona Cero e Skol Zero Zero.
  • Grupo Heineken: apresentou a plataforma +Equilíbrio, criada para organizar bebidas zero ou de baixo teor alcoólico, sem glúten e funcionais. O ecossistema abrange marcas como Heineken 0.0, Sol Zero, Amstel Ultra, Praya Lager, Lagunitas DayTime, Heineken Ultimate, Mamba Protein e Baer Mate.

Reorganização promocional no Nordeste e avanço dos refrigerantes zero

A mudança no comportamento de consumo também provoca redesenhos regionais e em outras categorias do varejo:

  • Mudança no Nordeste: entre janeiro e maio de 2024, as cervejas alcoólicas lideravam a atividade promocional de bebidas na região, com 28% de participação. Em 2026, a categoria recuou para 21%, perdendo a liderança para o segmento de destilados, que assumiu o topo com 24%.
  • Disparada dos refrigerantes zero: na cesta geral de bebidas, os refrigerantes ampliaram sua presença promocional de 13% para 16%. O principal motor foi o segmento de versões zero e sem açúcar, com aumento de 108% no volume de ofertas.
  • Outras categorias em alta: entre janeiro e maio de 2026 frente ao mesmo período de 2024, as ofertas de energéticos cresceram 28%, enquanto os RTDs (ready to drink / bebidas prontas para consumo) avançaram 23%.

O cenário revela uma redistribuição estratégica de espaço no varejo supermercadista: marcas tradicionais preservam relevância, mas linhas com atributos funcionais, zero álcool e sem açúcar passam a ser indispensáveis para a rentabilidade do setor.

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