Por Renato Müller
Os supermercados enfrentam 8 grandes disrupções que estão mudando a maneira como o consumidor compra e as redes se posicionam no mercado. A partir do desenvolvimento de agentes de IA, a relação do varejo com os clientes muda e gera um ambiente de negócios completamente diferente. Quem não conseguir acompanhar a mudança corre sérios riscos.
Esse foi o alerta feito por Kurt Krichel, sócio e líder da prática de Varejo nas Américas da consultoria Bain & Co, durante o ABRAS’26 food retail future, que acontece nesta semana em Campinas (SP). De acordo com o executivo, o crescimento da Inteligência Artificial já vem impulsionando uma transparência radical de preços, que exige diferenciação em outros fatores, leva a uma automação de diversas atividades do negócio e realinha a estrutura dos negócios.
- Siga o canal de SuperHiper no WhatsApp
- ABRAS’26: GLP-1 e serviços abrem novas frentes para o varejo alimentar
- Como vencer no varejo supermercadista?
- ABRAS’26: 60ª edição traz o conceito Retail as a Service
- Animação e show de drones marcam o coquetel de abertura da ABRAS’26 food retail future
“O Brasil vai sentir os efeitos dessa transformação antes de outros mercados, por um motivo muito simples: o consumidor usa IA com muito mais intensidade do que em mercados como EUA e Europa”, afirma Krichel. Dados do Google e Ipsos indicam que 71% dos brasileiros usam IA Generativa no dia a dia, acima da média mundial de 67% e dos 54% dos EUA.
Com o uso mais intenso de IA, aumenta a demanda por personalização, pois os consumidores passam a exigir resultados de busca, promoções e preços de acordo com seu contexto de compras. “Quase 60% dos brasileiros usam IA para encontrar ofertas e comparar preços. Se você não está atento, suas promoções passam a se basear em premissas que já não são válidas. Em um mundo de Inteligência Artificial, a arquitetura de preços dos supermercados precisa estar preparada para atender agentes de IA, que automatizam decisões de compra dos clientes”, explica Krichel.
O resultado é o aumento da importância da personalização de promoções, de acordo com o contexto e com o que é relevante para cada cliente. Ainda assim, a conquista do cliente não passa apenas pelo preço. “Aspectos como a afinidade local, o frescor dos produtos, o atendimento e a experiência oferecida na loja continuarão fazendo diferença. E esses são fatores que geram engajamento emocional com os clientes”, analisa o executivo.
Em um mundo de mais compras automatizadas por IA, o papel do ponto de venda muda. A tradicional medida de mais lojas como sinônimo de sucesso deixa de ser válida – importa mais a relevância dos pontos de venda para a experiência do cliente. “Veremos um processo de enxugamento das bases de loja do varejo, mas com locais mais relevantes tanto para distribuição omnicanal de produtos quanto para experiências e conveniência dentro do PDV”, explica Krichel.
Dentro das novas vocações dos pontos de venda está a publicidade. “Retail media vem se deslocando dos meios digitais para as lojas físicas e o offsite, aproveitando a capacidade que o varejo tem de acionar os dados dos clientes para gerar mais resultados”, analisa. Dessa forma, o varejo ganha novos recursos para construir relacionamentos mais relevantes com o público. “Os dados proprietários são a ferramenta mais relevante de diferenciação que o varejo tem à sua disposição. Capturar esses dados e utilizá-los para entender os clientes e gerar resultados é o que fará a diferença daqui em diante”, finaliza o executivo.
Fique por dentro de todos os destaques do ABRAS’26 food retail future acompanhando os canais de comunicação da SuperHiper. A cobertura completa do evento estará na edição de outubro da revista.