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Futuro dos supermercados é questão de inteligência

Groceryshop 2026 mostra que ter dados e ferramentas de IA não é suficiente: é preciso repensar as operações para transformar insights em ações

De Redação SuperHiper
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Por Renato Müller

Na semana passada, Las Vegas foi palco do Groceryshop, um dos principais eventos globais do setor de supermercados. A grande conclusão é que o futuro do mercado tem mais a ver com saber usar as ferramentas à disposição para transformar dados em inteligência do que usar a tecnologia mais disruptiva.

“Dados melhores e mais ferramentas de IA são importantes, mas é essencial repensar as operações para transformar insights em ações que gerem resultados”, analisa Michelle Evans, líder global de varejo e consumo digital da Euromonitor.

Pelo menos três grandes tópicos mostram como esse movimento vem tomando forma no varejo global. O primeiro é a influência da IA nas compras de supermercados. “O setor de supermercados é o que será mais transformado pela Inteligência Artificial”, disse Chris Rogers, CEO da Instacart. Dados da Euromonitor dizem que, nos últimos 18 meses, 47% do tráfego gerado por IA no setor de bens de consumo se deu em beleza e higiene pessoal – bebidas e laticínios ficaram com apenas 2% cada, mas o avanço do interesse por bebidas funcionais vai impulsionar esse número.

O segundo ponto é a “plataformização” das compras de supermercado, seguindo o movimento que já acontece no varejo não-alimentar – onde a descoberta, a consideração e as transações acontecem cada vez mais em marketplaces, redes sociais, conteúdo de afiliados e IA. Assim como aconteceu com o e-commerce tradicional, o setor de supermercados tem resistido a essa mudança, uma vez que a maior parte das compras é habitual e se baseia em uma cadeia de suprimentos já estabelecida.

Empresas como Instacart e DoorDash (ou, no Brasil, Mercado Livre e iFood) mostram que é possível criar uma rede de relacionamentos dentro dos marketplaces e desenvolver ferramentas que tragam inteligência para a gestão dos negócios. Nos EUA, o Instacart quer se transformar na camada de infraestrutura que conecta demanda, fulfillment, publicidade, dados de loja e compras por IA.

Ao mesmo tempo, varejistas como a Kroger desenvolvem redes de retail media e usam os dados coletados dos clientes de forma inteligente, transformando dados em inteligência, com flexibilidade para utilizar rapidamente essas informações.

O terceiro ponto é aproximar os consumidores das decisões do varejo. Mais e mais empresas estão incluindo o entendimento dos clientes na maneira como o negócio opera. O Sam’s Club, por exemplo, utiliza uma comunidade de 200 mil consumidores filiados à rede para desenvolver produtos de marca própria. A Associated Food Stores, por sua vez, usa dados de centenas de lojas para criar uma fonte única de informações para os gestores e fornecedores. O uso de IA para centralizar o conhecimento e ter insights que antecipem movimentos dos clientes é cada vez mais amplo no varejo americano.

“O futuro dos supermercados será dominado por empresas que consigam traduzir os sinais em decisões rápidas em produtos, marketing, supply chain e execução de loja”, acredita Michelle Evans.

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