A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), representada por seu presidente, João Galassi, participou nesta terça-feira (3/11), em Brasília, da audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a Medida Provisória que trata das apostas esportivas no Brasil. Presidida pelo ministro Luiz Fux, a audiência reuniu representantes de diferentes setores para debater os impactos das apostas na sociedade brasileira.
Na fala de Galassi, a ABRAS reforçou sua posição em defesa do fim definitivo das bets no país, destacando os prejuízos econômicos e sociais provocados pela atividade, especialmente sobre o orçamento das famílias, o consumo de produtos essenciais e a saúde financeira da população.
“Estamos discutindo alimentação, endividamento, saúde e qualidade de vida. Nossa prioridade é que os consumidores e nossos colaboradores recuperem seu poder de compra, reorganizem suas finanças e tenham melhores condições de alimentar suas famílias. O alimento está voltando para a mesa dos brasileiros. E é essa transformação que precisamos preservar”, afirmou João Galassi durante a audiência pública.
A Associação também apresentou evidências dos impactos positivos observados no varejo alimentar após a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, em 25 de setembro, que proibiu as apostas online no país. Estudos da ABRAS apontam crescimento no volume de consumo realizado em todos os canais do varejo alimentar, incluindo supermercados, atacarejos e mercearias, especialmente na cesta de produtos essenciais e com destaque para os canais frequentados pelas classes C e D, justamente as famílias que destinam uma parcela maior da renda à alimentação.
Na semana de 5 a 11 de outubro, o varejo alimentar brasileiro registrou crescimento de 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, a alta foi de 6,3%, demonstrando a continuidade do desempenho positivo em diferentes regiões do país.
Os resultados também encontram correspondência nos dados públicos do Banco Central do Brasil, que identificaram uma redução imediata de 10% no número de transações via Pix no país após a publicação da medida provisória.
Para a ABRAS, os indicadores reforçam a importância de medidas que protejam a renda das famílias e favoreçam a destinação dos recursos para o consumo de bens e serviços essenciais. A Associação defende que a interrupção das apostas seja definitiva, diante dos impactos que a atividade produz sobre a economia doméstica, o varejo alimentar e o bem-estar da população brasileira.