Por Renato Müller
Há alguns anos, a entrega em dois dias era um diferencial – hoje é o básico tolerado no setor de supermercados. Para a Amazon, a batalha no delivery de supermercados não está somente na diminuição do tempo, mas também na simplificação dos processos de compra. Falando ao podcast Retail Disrupted, Mariangela Marseglia, vice-presidente da Amazon, detalhou a expansão da estratégia de entregas ultrarrápidas da empresa.
O chamado “sub-same day”, com entregas em poucas horas ou em questão de minutos, é um dos pilares de diferenciação da Amazon no varejo supermercadista. Para isso, a empresa se baseia no Amazon Now, focado em compras de alimentos e itens essenciais para entrega abaixo de 30 minutos em determinadas regiões.
Para a executiva, a tendência aponta para compras de reposição mais frequentes e imediatas. “Todos nós vivemos vidas muito ocupadas. Às vezes, queremos poder decidir o que comer no jantar meia hora ou uma hora antes”, disse. Embora o Amazon Now tenha sido desenhado inicialmente para compras de emergência, os clientes passaram a adotá-lo rotineiramente para planejar as refeições do próprio dia. Em mercados específicos, como a Índia, a empresa chegou a registrar entregas de itens de conveniência em tempos recordes entre quatro e sete minutos.
Para viabilizar essa engrenagem logística em centenas de cidades no Reino Unido e na Europa continental, a Amazon aposta em duas frentes. A primeira é o uso de centros de micro fulfillment, com pequenos armazéns localizados próximos das áreas de maior densidade demográfica e demanda. O segundo pilar é a automação interna, com processos robotizados e altamente eficientes para permitir a triagem e o picking dos produtos em questão de minutos.
Além da velocidade, a Amazon desenvolveu recursos para dar mais controle ao consumidor sobre a experiência de entrega. O primeiro deles é a possibilidade de adicionar itens a um pedido que já está em processo de envio, evitando que o usuário tenha que refazer todo o processo de compra do zero.
Outro anúncio importante é a expansão das janelas agendadas para o e-commerce de não alimentos. “Existem momentos em que a velocidade não é a prioridade, pois o cliente está mais preocupado em garantir que haverá alguém para receber o produto em casa”, explica. A Amazon também está consolidando os pedidos, permitindo que itens de tecnologia ou higiene (como uma escova de cabelo) e produtos frescos (como legumes e frutas) sejam fechados em um único carrinho e entregues juntos.
Sobre a estratégia da Amazon de fechar postos de varejo físico e dobrar a aposta no e-commerce de supermercado, Mariangela Marseglia defendeu a cultura de experimentação da empresa. “Gostamos de testar muitas coisas e depois nos concentramos no que achamos ser a melhor solução para os clientes. Neste momento, acreditamos que o melhor é desfrutar da conveniência da entrega em domicílio”, completa.