Início » Seção » Cerveja sem álcool ganha espaço e impulsiona nova estratégia da indústria e do varejo

Cerveja sem álcool ganha espaço e impulsiona nova estratégia da indústria e do varejo

Com consumidores mais atentos à saúde, fiéis às marcas e em busca de melhores preços, categoria registra crescimento acelerado

De Redação SuperHiper
0 Comentários

O mercado brasileiro de bebidas vive uma transformação impulsionada pela mudança de comportamento do consumidor. A cerveja sem álcool deixou de ser um produto de nicho para conquistar espaço nas gôndolas, nos carrinhos de compras e nas estratégias das grandes fabricantes. Dados recentes apontam crescimento consistente da categoria, ao mesmo tempo em que pesquisas revelam um consumidor mais consciente, que busca equilíbrio entre economia, bem-estar e fidelidade às marcas.

Levantamento da Neogrid mostra que a participação da cerveja sem álcool no consumo nacional saltou de 2,5% em 2024 para 3,9% em 2026, consolidando uma das categorias que mais crescem dentro do mercado cervejeiro brasileiro. O avanço também aparece na presença do produto nos carrinhos de compras, que passou de 4,4% para 5,6% no período. O tíquete médio aumentou mais de 20%, passando de R$ 26,41 para R$ 31,94, enquanto a quantidade média de itens por compra subiu de 4,6 para 5,5 unidades.

Segundo Marcelo Alves, gerente Executivo de Dados da Neogrid, o desempenho demonstra uma mudança estrutural no mercado. “A cerveja sem álcool deixou de ocupar um espaço de nicho para ganhar relevância dentro da categoria. O consumidor brasileiro está incorporando esse tipo de produto a diferentes ocasiões de consumo, o que se reflete tanto no incremento da presença da categoria nos carrinhos quanto na ampliação do tíquete médio e da quantidade de itens por compra.”

A mudança acompanha um cenário mais amplo de redução no consumo de bebidas alcoólicas. Pesquisa Ipsos-Ipec realizada para o Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) aponta que 64% dos adultos afirmaram não consumir bebidas alcoólicas em 2025, percentual superior aos 55% registrados em 2023. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a taxa de abstinência também cresceu significativamente, passando de 46% para 64%.

Esse novo comportamento tem provocado uma diversificação do mercado cervejeiro. Enquanto o volume total consumido caiu 10,4% entre 2024 e 2025, segmentos como cervejas sem álcool, artesanais, escuras e chope ampliaram participação.

Consumidor pesquisa mais, mas continua fiel às marcas

Apesar do cenário econômico pressionar o orçamento das famílias, o brasileiro continua demonstrando forte lealdade às marcas de bebidas. Pesquisa da SKIM, realizada com mais de 1,5 mil consumidores latino-americanos, revela que 83% dos brasileiros preferem marcas conhecidas quando compram bebidas alcoólicas e 81% fazem o mesmo na categoria de bebidas não alcoólicas.

Ao mesmo tempo, cresce o hábito de comparar preços e aproveitar promoções sem necessariamente trocar de fabricante. Entre os consumidores de bebidas alcoólicas, 66% afirmam buscar o menor preço dentro da própria marca favorita, enquanto 76% dizem ser influenciados por ofertas nas lojas.

Outro dado relevante mostra o impacto das redes sociais nas decisões de compra: 64% dos brasileiros afirmam experimentar novas bebidas alcoólicas motivados por tendências vistas no ambiente digital.

Segundo Luciana Ignez, diretora de Revenue Growth Management (RGM) para a América Latina da SKIM, o consumidor brasileiro procura maximizar o valor da compra sem abrir mão das preferências já consolidadas. “O Brasil apresenta um comportamento de otimização de valor dentro da marca preferida. O consumidor não necessariamente troca de empresa, mas busca o melhor momento e condição para comprar.”

Indústria aposta na diversificação do portfólio

As mudanças no comportamento do consumidor também vêm alterando as estratégias das grandes fabricantes. De olho na Copa do Mundo de 2026, a Ambev decidiu ampliar o foco para além das cervejas tradicionais, utilizando o torneio como plataforma para fortalecer diferentes categorias do seu portfólio, incluindo bebidas sem álcool.

Para Daniela Cachich, presidente da unidade Beyond Beer da Ambev na América do Sul, o momento representa uma ampliação das ocasiões de consumo, e não uma substituição das bebidas tradicionais. “Quando me perguntam se as pessoas estão bebendo menos, na verdade, elas estão bebendo diferente. O que está em curso é um aumento de repertório de consumo, não uma troca.”

A executiva destaca que categorias como refrigerantes, drinks prontos e cervejas continuam crescendo durante grandes eventos esportivos, ao mesmo tempo em que as chamadas “escolhas equilibradas”, que incluem produtos zero álcool, de baixas calorias e sem glúten, registram crescimento de dois dígitos.

Varejo acompanha nova dinâmica

Para o varejo alimentar, o cenário representa uma oportunidade de revisar sortimento, exposição de produtos e estratégias promocionais. O crescimento da cerveja sem álcool, aliado ao fortalecimento da fidelidade às marcas e à busca por preços mais competitivos, reforça a necessidade de decisões baseadas em dados para atender um consumidor cada vez mais informado e exigente.

A combinação entre saúde, conveniência, preço e inovação indica que o mercado brasileiro de bebidas caminha para um modelo mais diversificado, no qual diferentes categorias passam a dividir espaço nas gôndolas e nos carrinhos de compra, ampliando as oportunidades para indústria e varejo.

Com informações da Neogrid, SKIM e Blomberg Línea

Leia Também