Por Renato Müller
A crise migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, pode gerar reflexos nos supermercados de toda a Espanha. O debate sobre um boicote de produtos marroquinos vem crescendo no país europeu.
O país norte-africano, de onde milhares de imigrantes têm atravessado a fronteira para Ceuta a pé, de barco ou nadando, tem um acordo com a União Europeia e é um importante fornecedor de hortifrutis para toda a região. O Marrocos, porém, é alvo de críticas dos agricultores espanhóis, em particular, que afirmam que os agricultores africanos não estão sujeitos aos mesmos padrões de qualidade, regulamentação e sustentabilidade que os europeus.
A isso se soma a suspeita, dos partidos de extrema direita espanhóis, de que o governo marroquino estaria utilizando a imigração como uma forma de pressionar os enclaves espanhóis no norte da África (Ceuta e Melilla) e forçar a tomada desses territórios. Partidos políticos como Vox, PP, Podemos e Sumar têm se mostrado favoráveis a medidas mais contundentes, incluindo o boicote de produtos marroquinos.
Dados do Google Trends mostram que, na internet e nas redes sociais, o apoio a um boicote econômico vem crescendo, indo além de questões sanitárias como as de 2023, em que uma remessa de melancias com excesso de pesticidas provocou um bloqueio temporário às importações.