Por Renato Müller
Corredores mais estreitos, menos prateleiras e um amplo sortimento de itens de marca própria. Na rede de supermercados Loblaw, a união de atacarejo e conveniência, com pitadas do maple syrup típico do Canadá, gera um modelo de negócios diferente que tem impulsionado o crescimento das vendas da empresa.
Essa história começa com a chegada do CEO da Loblaw, o dinamarquês Per Bank, três anos atrás. Na mala ele trouxe um pouco de Europa, inspirando-se nos hard discounters alemães para acelerar o crescimento da empresa. O conceito No Frills oferece apenas 5.000 SKUs em um ambiente espartano (não à toa, “no frills” significa “sem frescuras”, em tradução livre) e saem de cena recursos comuns em lojas de conveniência, como balcões de comida pronta, padaria e pizzaria.
O foco está em outro tipo de conveniência: a possibilidade de entrar, fazer as compras e sair em questão de minutos. E gastando pouco, o que é cada vez mais relevante em um contexto de alta dos preços dos alimentos – uma questão exacerbada pelo contexto geopolítico global e pela guerra tarifária com os vizinhos americanos.
Quando se tornou CEO da Loblaw, Per Bank herdou pouco mais de 40 lojas com menos de 2.000 metros quadrados. Hoje, são mais de 75. O próximo passo é levar o conceito para o interior do país, abrindo pequenas lojas em regiões rurais (em alguns casos em cidades com menos de 4.000 habitantes), onde um supermercado convencional seria impraticável.
“Daqui a poucos anos, acredito que as nossas marcas de desconto representarão mais da metade do nosso negócio de alimentação”, disse Bank. Hoje, as bandeiras No Frills e Maxi somam cerca de 40% dos supermercados da Loblaw e deverão superar a quantidade das lojas das tradicionais bandeiras Real Canadian, Loblaws e Fortinos, uma vez que os consumidores têm aumentado a frequência a formatos de descontos.
“Acreditamos estar em uma posição competitiva melhor que a concorrência, por conta do nosso foco em trazer mais valor para os clientes. Para nós é muito importante sermos bastante competitivos em preço”, explica o CEO. Uma virada importante para uma empresa que, dois anos atrás, enfrentou boicote de consumidores e foi envolvida em um escândalo de cartelização do preço dos pães entre 2001 e 2021 – que gerou uma multa de US$ 500 milhões.