Por Edevaldo Figueiredo
Mesmo diante de um cenário econômico marcado pela inflação e pelo consumo mais cauteloso, o market4u mantém trajetória de crescimento. Segundo o CEO e sócio-fundador da empresa, Eduardo Córdova, a rede tem registrado aumento constante nas vendas e no faturamento, impulsionada principalmente pela conveniência de oferecer compras rápidas dentro de condomínios, a qualquer hora do dia.
De acordo com o executivo, o comportamento do consumidor tem passado por transformações, com destaque para o crescimento das compras de itens únicos, especialmente bebidas e produtos de bomboniere. Esse movimento favorece os mercados autônomos, que se beneficiam das compras por impulso e da praticidade de estar a poucos passos da residência dos clientes.
Para sustentar a expansão, o market4u investe em tecnologia e inteligência artificial para otimizar preços, monitorar estoques e melhorar a eficiência operacional dos franqueados. Além de ampliar sua rede no Brasil e avançar no processo de internacionalização, a empresa também busca expandir sua atuação para outros serviços, como lavanderias autônomas, com o objetivo de transformar seu aplicativo em um ecossistema completo de conveniência para os moradores.
Confira abaixo a entrevista completa e exclusiva do CEO, Eduardo Córdova, à SuperHiper:
Como a inflação tem impactado o comportamento de compra nos mercados autônomos do market4u?
Não tivemos queda de consumo, pelo contrário, estamos registrando um aumento das vendas e faturamento constante. Nosso foco sempre foi a comodidade, é o cliente poder fazer sua compra sem ter que pegar o carro e dirigir até um mercado, é poder comprar quando o varejo tradicional está fechado, então somos influenciados sim pela inflação, claro, mas conseguimos manter as vendas por oferecer comodidade e não só preço.
O consumidor está comprando menos ou comprando de forma diferente? O que os dados econômicos mostram, na sua opinião?
Identificamos crescimento constante do consumo. Na categoria de bebidas não alcóolicas, por exemplo, tivemos um crescimento de cerca de 25% no último mês em relação aos meses anteriores. O que identificamos é uma tendência dos “single items”, ou seja, a compra de apenas um item, o que pode reduzir o tíquete médio.
Os mercadinhos de condomínio estão se beneficiando da tendência de compras mais frequentes e tíquetes menores?
Sim, essas compras de um item só acabam por reduzir o tíquete, mas para um mercado autônomo como market4u, elas podem representar aumento de vendas, já que as pessoas acabam comprando apenas itens de conveniência. Além disso, poder fazer a compra sem sair do condomínio incentiva compras “por impulso” e é justamente nesse tipo de compra que os itens únicos se destacam.
Qual é o principal diferencial do varejo autônomo em um cenário econômico mais desafiador?
O varejo autônomo tem como vantagem a ausência de colaboradores, o que reduz consideravelmente o custo operacional. No caso do modelo do market4u, como as unidades são instaladas em condomínios, o valor de aluguel e de implantação são bem menores do que uma loja de rua.
Outra questão importante é justamente relacionada ao consumo, já que, como dito anteriormente, esse modelo incentiva compras de itens de conveniência ao invés de compras grandes, o que se intensifica com a presença do mercadinho dentro do próprio condomínio ou área comum da empresa.
Como a Inteligência Artificial ajuda a melhorar a rentabilidade e reduzir perdas nas operações?
No market4u, trabalhamos com uma ferramenta desenvolvida internamente que utiliza de inteligência artificial para identificar os preços do varejo próximos às unidades do mercadinho e, assim, ajustá-los de forma justa e que reduza a ruptura. Também fazemos uso de visão computacional para análise de imagens relacionadas à reposição de produtos e às condições das lojas, os franqueados fazem monitoramento dos produtos de maior e menor saída através do aplicativo exclusivo para as unidades, dentre outras funcionalidades. São nessas questões operacionais que a inteligência artificial deve atuar, identificando problemas e apontando os dados, mas a avaliação humana ainda é essencial para tomar as decisões corretas.
O crescimento do varejo de proximidade é uma tendência passageira ou uma mudança definitiva de hábito?
Vejo como uma mudança definitiva de hábito. O morador passou a olhar para o condomínio também como um lugar que precisa facilitar a rotina, que ofereça serviços sem que ele precise se deslocar. Quando ele tem acesso a um mercado 24 horas a poucos passos de casa, isso muda a forma como ele se relaciona com o consumo no dia a dia.
Esse movimento aparece também nos dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). No primeiro trimestre de 2026, o franchising cresceu 10,1%, e o segmento de alimentação avançou 22%, em parte impulsionado pelos modelos de conveniência de proximidade, o que corrobora com a força desses modelos.
Estamos percebendo também que o mercado autônomo já deixou de ser apenas um diferencial. Em muitos novos condomínios, ele começa a entrar como uma exigência dos moradores, além de outras comodidades como lavanderia, academia e outros serviços automatizados. É uma mudança geral no hábito de consumo mesmo. Isso não vai acabar com o varejo tradicional, claro, mas agora há muito mais espaço para esse modelo de negócio.
Quais categorias de produtos mais cresceram nos mercados autônomos nos últimos meses?
As bebidas, principalmente refrigerantes e cervejas, são líderes absolutos nas compras em mercados autônomos. Logo depois vem os itens de bomboniere. São itens de tíquete médio menor, de compras por impulso.
Como o market4u equilibra conveniência para o consumidor e eficiência operacional para os franqueados?
Acreditamos que a conveniência precisa funcionar para os dois lados. Para o consumidor, isso aparece na experiência do mercado em si. Já para o franqueado, essa mesma tecnologia organiza a operação. O aplicativo do market4u permite acompanhar vendas, consumo, estoque e desempenho do ponto em tempo real. Com esses dados, a reposição fica mais inteligente, o mix de produtos fica mais aderente ao perfil daquele condomínio e o franqueado consegue tomar decisões com mais segurança, apoiado em dados.
Em resumo, com esses recursos o morador encontra o que precisa com mais facilidade e o franqueado ganha eficiência para gerir melhor o negócio. Esse equilíbrio é uma parte muito importante do nosso modelo.
A descentralização do consumo representa uma ameaça para os supermercados tradicionais ou uma oportunidade de complementaridade?
Um complementa o outro. O varejo de proximidade é uma forma das pessoas conseguirem comprar em horários que as grandes redes não estão funcionando, ou quando querem apenas alguns itens. O varejo tradicional ainda é a escolha principal para a compra do mês. Além do mais, mesmo oferecendo mais de XX SKUs, os mercados maiores oferecerão uma variedade maior de produtos. Então acredito que há espaço no setor para os dois coexistirem facilmente.
Quais são as principais dificuldades em implantar uma loja em um novo condomínio? O que os condôminos mais desejam com a instalação de uma loja?
As principais dificuldades costumam aparecer antes da instalação. A primeira é a preocupação com segurança, principalmente por ser um modelo autônomo. Isso tanto em relação à furtos quanto à problemas no momento de pagamento, por exemplo. A segunda é o receio de que o condomínio tenha algum custo ou assuma uma responsabilidade operacional que não estava prevista.
No caso do market4u, a gente reduz bastante essas duas barreiras. A instalação não tem custo para o condomínio, e o ponto conta com monitoramento de segurança, tecnologia de acompanhamento e uma operação que não depende do síndico no dia a dia.
No fim do dia, o que os moradores querem é a comodidade de realizarem compras com segurança e os síndicos querem não ter dor de cabeça com o mercadinho.
Quais são os próximos passos de expansão do market4u diante da crescente demanda por conveniência e autoatendimento?
O próximo passo é ampliar o papel do market4u dentro da rotina dos moradores. Nós nascemos com o mercado autônomo, mas a demanda por conveniência dentro dos condomínios mostrou que existe espaço para outras soluções que economizam tempo e simplificam o dia a dia, como as lavanderias. Já estamos com mais de 50 contratos para a Lavanderia market4u, que está em operação desde o início do ano, por exemplo. Esse é um dos passos para transformarmos o aplicativo do market4u em um hub de comodidade. A ideia é que o morador consiga acessar, pelo mesmo ambiente, diversos serviços que fazem sentido para a rotina dele.
Ao mesmo tempo, seguimos olhando para o crescimento da rede no Brasil e para o processo de internacionalização. O comportamento de buscar conveniência, autoatendimento e proximidade não é exclusivo do mercado brasileiro. Então, quando a gente pensa em expansão, também pensamos em como levar esse modelo para novos mercados com a mesma consistência operacional que já trabalhamos aqui.
Como vocês vem se preparando para o período da Copa do Mundo?
A preparação para a Copa começou bem antes dos jogos. Usamos como base os resultados que alcançamos na Copa de 2022 e identificamos o que pode ser vantagem e o que pode gerar gargalo para a operação. Por exemplo, identificamos que em dias de jogo do Brasil, o número de transações poderia dobrar. Então, a partir desse e de outros dados, realizamos diversas melhorias internas, principalmente na área de tecnologia para evitar gargalos nos picos de consumo. Também otimizamos os fluxos dos nossos centros de distribuição para atender a alta demanda.
Além dessas movimentações internas, também produzimos materiais de orientação para os franqueados para que possam aproveitar o período para faturar mais e evitar ruptura, por exemplo.