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Produtos limitados podem ser oportunidade para supermercados

Ofertas por tempo limitado (LTO) explodem no foodservice dos EUA e indicam desejo dos consumidores por inovação

De Redação SuperHiper
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Por Renato Müller

Os consumidores americanos têm tentado equilibrar as restrições orçamentárias com o desejo por novidades. Convivendo com uma alta do petróleo que fez o preço do galão de gasolina subir mais de US$ 2 nos postos de combustíveis desde o início do ano, o público tem aderido às ofertas por tempo limitado (limited-time offers, ou LTOs) para buscar novos sabores.

Não à toa, a oferta de produtos em promoções temporárias disparou no foodservice americano. Segundo a consultoria Technomic, nos últimos 5 anos houve um aumento de 134% no volume de LTOs lançados pelas redes de bares e restaurantes. No mesmo período, o menu fixo das redes de fast food subiu 6% e dos estabelecimentos full service, 13%.

“Desde que monitoramos esse mercado, nunca vimos uma diferença tão grande”, disse Lizzy Freier, diretora da Technomic, durante a The Restaurant Show 2026, evento do setor de foodservice que acontece em Chicago nesta semana. Com a expectativa de que o número de LTOs cresça pelo menos 3% este ano, a consultoria projeta um aumento na demanda por sobremesas, bebidas não alcoólicas e complementos disponíveis por tempo limitado.

Existem fortes razões para o aumento da demanda por LTOs. O primeiro é a possibilidade de testar produtos com menos risco. “Se o LTO não der certo, é só retirar do item. Se ele funcionar bem, gera buzz e pode ser usado para impulsionar as vendas em ocasiões específicas, ou mesmo passar a fazer parte do menu fixo”, analisa Lizzy. Outro ponto importante é o aumento da margem: itens limitados estão menos imunes à guerra de preços. “Isso ajuda a explicar porque houve uma alta de 32% nas ativações promocionais e nos lançamentos temporários de bebidas”, acrescenta.

O ecossistema de LTOs é eficiente porque responde ao desejo do consumidor por novos sabores e experiências exclusivas. “Mais de 25% dos consumidores procuram ativamente, e de forma regular, as novidades gastronômicas disponíveis. Na faixa entre 25 e 34 anos, esse interesse sobe para 33%”, enumera Donna Hood Crecca, sócia da Technomic.

Nos Estados Unidos, as lojas de conveniência já perceberam esse movimento e têm entrado em uma concorrência direta com redes de foodservice, especialmente de fast food. Em lojas de redes como Wawa, Circle K e Casey’s, a comunicação visual tem o mesmo cuidado, há unidades com cozinhas abertas preparando refeições frescas e existe a preocupação em buscar diferenciação além do básico. “A criação de pratos exclusivos, que não possam ser replicados facilmente, é uma tendência importante para as lojas de conveniência e que pode ser aplicada nas áreas de foodservice dos supermercados”, analisa Donna.

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