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Suplementação chega aos minimercados

Depois de ganhar espaço em supermercados e atacarejos, categorias como whey protein, creatina e pré-treino entram no radar do formato autônomo, especialmente em monodoses

De Redação SuperHiper
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Por Giseli Cabrini

A presença de itens para suplementação, como whey protein e creatina, bem como de produtos com esses ingredientes, entre eles barras e bebidas, tem avançado no varejo alimentar. Depois do autosserviço tradicional, eles chegaram ao atacarejo e agora se preparam para desembarcar com força nos minimercados autônomos, com foco nas chamadas monodoses.

“Nós enxergamos dois canais como potenciais para a expansão desse segmento: farma e varejo alimentar. Este ano, estamos entrando com força nos supermercados. Já estamos presentes em cerca de 75 redes distribuídas por todos os estados brasileiros e em praticamente todos os formatos, menos minimercados. Mas vamos explorar esse modelo também, em especial com monodoses”, explica o CRO da Fitoway, Renato Alves.

Atualmente, a empresa tem mais de 80 SKUs direcionados ao canal varejo alimentar, mas, segundo o executivo, o foco está no tripé creatina, whey protein e pré-treino. A aposta não é aleatória: são itens já mais conhecidos do público em geral e com maior procura.

De acordo com Alves, tanto a creatina quanto o whey tendem a gerar recorrência, uma vez que são consumidos diariamente. Além disso, na visão dele, a aprovação do projeto de farmácia completa nos supermercados tende a ampliar as oportunidades para esse mercado, que tem crescido em todo o mundo e no Brasil.

Minimercados autônomos veem oportunidade em suplementos

A Peggô Market enxerga a categoria de suplementos como uma oportunidade cada vez mais relevante dentro do universo de conveniência e bem-estar.

“Vivemos uma cultura forte de wellness, com o consumidor moderno buscando praticidade e, principalmente, acesso imediato a produtos que fazem parte da sua rotina. Em condomínios, essa oportunidade se torna ainda mais evidente. Muitos moradores praticam atividades físicas antes ou depois do trabalho, frequentam academias e têm uma rotina voltada para saúde e qualidade de vida. Ter um mix de produtos disponível nessa categoria, dentro do próprio condomínio, elimina uma barreira importante: a necessidade de se deslocar até uma loja especializada apenas para comprar um item de consumo recorrente”, detalha o sócio-diretor da Peggô Market, Lucas Alves.

Na Peggô, a categoria já faz parte do mix dos mercados autônomos, mas sempre trabalhando de forma estratégica. “Não necessariamente com um sortimento amplo como o de uma loja especializada, mas com produtos de maior giro, consumo imediato e marcas reconhecidas pelo consumidor.”

De acordo com o CEO e sócio-fundador do market4u, Eduardo Córdova, uma vantagem dos suplementos é que eles podem ser disponibilizados de diversas formas. “A categoria de suplementos pode incluir não só a versão em pó como também bebidas proteicas e barras de proteína. A população está mudando os hábitos e buscando uma rotina mais saudável. Nesse contexto, a variedade de formatos permite oferecer os produtos de acordo com diferentes preferências e ocasiões de consumo”, diz.

O executivo, no entanto, pondera que embora a empresa ainda não trabalhe diretamente com o suplemento em pó, as bebidas proteicas e as barras de proteína já fazem parte das duas categorias mais vendidas dos mercados autônomos, que são bebidas não alcoólicas e bomboniere. “A presença na rotina é justamente onde os mercados autônomos atuam com mais força, por isso entendemos que essa categoria de produtos tende a crescer ainda mais e quem não atua de alguma forma com ela está perdendo oportunidades de venda”, afirma Córdova.

Para a head de marketing da Minha Quitandinha, Nathália Marçal, essa crescente busca por praticidade aliada ao bem-estar — o consumidor de condomínio quer resolver a rotina sem abrir mão de escolhas mais saudáveis — torna o segmento promissor, mas ainda é um mercado em maturação dentro do formato autônomo.

“Ainda não temos uma categoria de suplementação formalizada como padrão nacional. Cada franqueado avalia a demanda do seu público antes de expandir esse tipo de mix”, explica a executiva.

Mix de produtos varia conforme o perfil do ponto de venda

De acordo com Nathália, qualquer categoria nova precisa ser testada com dados: entender o perfil do público daquele ponto, medir giro em pequena escala antes de expandir e usar a tecnologia de gestão para ajustar o mix rapidamente conforme a resposta do consumidor. “Essa é a lógica que aplicamos para qualquer expansão de categoria, incluindo saúde e bem-estar.”

O co-CEO e cofundador da InHouse Market, Leonardo de Ana, concorda. “Uma academia, um condomínio residencial e uma empresa podem ter demandas diferentes. Nos condomínios e nas empresas, o foco está principalmente em produtos para consumo imediato, como barrinhas proteicas, bebidas proteicas, isotônicos e snacks fit. Nas academias, além dessas opções, há espaço para suplementos como whey em pó, creatina, pré-treinos e gel de carboidrato, por exemplo. O importante é atender à necessidade de cada ambiente.”

Ainda segundo o executivo, os desafios estão relacionados principalmente ao acerto do mix, dos preços e do estoque. “Produtos de maior valor, como potes de whey e creatina, exigem atenção ao giro e à comparação de preços com lojas especializadas e canais on-line. Também precisamos acompanhar a validade e oferecer informações claras, já que a compra acontece sem um atendente.”

Exposição e comunicação ajudam a estimular as vendas

Outra dica recai sobre a exposição: agrupar os produtos para facilitar a identificação na altura entre a cintura e os olhos.

“Além disso, a comunicação com o público em loja ou nos canais de comunicação on-line sempre que são adicionados novos produtos é extremamente importante. Combos promocionais entre os produtos — por exemplo, bebida pré-treino com barrinha de whey pós-treino — também podem estimular a compra conjunta. Por fim, acompanhar as vendas por produto e sabor ajuda a priorizar o que tem saída, evitar rupturas e reduzir estoque parado.”

Mercado de suplementos em números

Investir ou não no segmento? Aqui estão números que ajudam a dimensionar o que está em jogo:

Mundo

  • US$ 209,5 bilhões – tamanho estimado do mercado global de suplementos em 2025
  • US$ 431,7 bilhões – projeção para 2033
  • 9,5% – crescimento médio anual projetado

Fonte: Grand View Research

Brasil – já está entre os cinco maiores mercados globais

  • R$ 7,6 bilhões – mercado brasileiro em 2025
  • +15% – crescimento em 2025
  • R$ 13,8 bilhões – projeção para 2030

Fonte: BRASNUTRI / Euromonitor International

Onde o consumidor compra

  • 48%: farmácias e drogarias
  • 24%: marketplaces/e-commerce
  • 15%: supermercados
  • 8%: lojas especializadas
  • 5%: outros

Fonte: IFEPEC/Febrafar, Pesquisa Nacional sobre Suplementos Alimentares 2026 – feita com 1.200 consumidores

Varejo alimentar é pequeno nesse mercado?

Embora o varejo alimentar ainda esteja atrás das farmácias como canal de compra de suplementos, a leitura dos fornecedores é que se trata de um mercado com potencial, conforme mostram os dados do Ranking ABRAS 2026, desenvolvido em parceria com a NielsenIQ.

Afinal, supermercados, atacarejos, minimercados, conveniência, e-commerce e demais formatos do varejo alimentar movimentaram R$ 1,145 trilhão em 2025, equivalente a 9,02% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. São mais de 439 mil lojas, que atendem cerca de 30 milhões de consumidores por dia.

Em sintonia com projeções feitas por empresas de inteligência de mercado, entre elas a Euromonitor, muitas redes de varejo no Brasil têm ampliado espaços destinados a saúde e wellness para capturar essa demanda nos próximos anos.

Redes ampliam espaço para saúde e wellness

Entre as redes que já apostam nessas categorias estão o Comercial Zaffari (tanto no formato de autosserviço tradicional quanto de atacarejo, sob a bandeira Stok Center), a Coop e o Assaí.

No início de setembro, o Assaí anunciou a ampliação da venda de itens de suplementação alimentar. As unidades da rede em 19 estados do País — São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Bahia, Sergipe, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás, Roraima, Rondônia, Pará, Ceará, Tocantins e Minas Gerais — passam a oferecer categorias como whey protein e creatina.

A escolha das unidades participantes considerou características operacionais das lojas, como layout, fluxo de clientes e áreas com maior potencial de visibilidade para essas categorias dentro da jornada de compra. A exposição dos itens foi organizada em diferentes pontos das lojas, próximos de categorias já presentes na cesta de consumo cotidiana.

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