O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso Nacional e tem mobilizado diferentes setores da economia. No varejo alimentar, a posição da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) é favorável à adoção gradual do modelo 5×2, mas sem a redução imediata da jornada semanal de 44 para 40 horas. Segundo o presidente da entidade, João Galassi, a mudança precisa considerar a realidade operacional das empresas, especialmente dos pequenos supermercadistas.
De acordo com Galassi, em entrevista à Band News TV, realizada nesta terça-feira, 09, a ABRAS realizou estudos, comparações internacionais e testes práticos em empresas do setor para avaliar os impactos das propostas em discussão. Os resultados apontaram uma receptividade positiva à escala 5×2, tanto por parte dos empresários quanto dos trabalhadores, principalmente entre as mulheres, que passaram a contar com mais tempo para conciliar trabalho, família e responsabilidades domésticas.
Apesar disso, o dirigente alerta que a redução simultânea dos dias e das horas trabalhadas pode gerar dificuldades para milhares de pequenas empresas. Segundo ele, grande parte dos supermercados enquadrados no Simples Nacional opera com equipes enxutas, o que exigiria novas contratações para manter o nível de atendimento. “Nossa proposta é fazer uma transição para o 5×2 mantendo as 44 horas semanais. Reduzir dias e horas ao mesmo tempo cria um impacto muito grande, especialmente para os pequenos supermercadistas, que têm menos capacidade de adaptação”, afirmou Galassi.
O presidente da ABRAS também defende que uma eventual redução da carga horária para 40 horas seja implementada em um prazo mais longo e vinculada aos ganhos de eficiência esperados com a reforma tributária. “Se fizermos uma transição casada com a implantação da reforma tributária, o impacto será menor. O ganho de produtividade poderá ser compartilhado com os colaboradores, preservando empregos, competitividade e o atendimento aos consumidores”, destacou.
Além da discussão trabalhista, Galassi demonstrou preocupação com o cenário econômico atual. Segundo ele, o crescimento recente do consumo nos lares brasileiros foi impulsionado principalmente pela alta dos preços dos alimentos, e não por um aumento real do volume consumido. “Estamos observando inflação elevada, juros altos e retração no consumo de produtos básicos. Isso exige atenção porque pode aumentar a concentração do setor e prejudicar a competitividade que hoje ajuda a conter os preços para a população”, concluiu.