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As novas oportunidades do mercado pet

Com a chegada da Amazon Basics ao Brasil e a evolução da indústria de limpeza segura, o segmento se consolida como um ativo estratégico para o varejo e os seus fornecedores

De Redação SuperHiper
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Não é de hoje que o mercado pet está em alta dentro e fora do País. O Brasil ocupa a terceira colocação no ranking mundial de população de pets (160,9 milhões), atrás apenas da China (mais de 438 milhões) e Estados Unidos (mais de 290 milhões), segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet). A projeção de faturamento para 2025, feita no terceiro trimestre do ano passado, era de R$ 77,3 bilhões. Desse montante, 52,8% correspondiam ao segmento de pet food. E o varejo alimentar respondia por 8,2% das vendas.

Amazon Basics chega ao Brasil: a força da marca própria no e-commerce

De olho nesse potencial, a Amazon acaba de anunciar a chegada da sua linha de marcas próprias no Brasil. Entre os segmentos abarcados pela Amazon Basics está o de itens para pets. Sob o mote “qualidade internacional, entrega local”, os itens de private label da gigante internacional de e-commerce ficam armazenados em centros de distribuição (CDs) no Brasil — não é importação sob demanda. Na prática, isso significa opções de entrega rápida, incluindo no mesmo dia ou no seguinte, dependendo da região. Membros Prime usufruem de frete gratuito e cupons exclusivos de até 15% em produtos selecionados da marca.

Tendência internacional: o novo papel do varejista na cadeia de valor

A movimentação da Amazon reflete um comportamento global. Conforme relatório da Triplethree International sobre o mercado mexicano, o segmento de pet food vive uma mudança estrutural que deve influenciar toda a América Latina.

Tradicionalmente responsáveis apenas pela comercialização dos produtos, os varejistas passaram a investir no desenvolvimento de marcas próprias de alimentos para pets, assumindo um papel cada vez mais relevante na cadeia de valor do setor.

Hoje, o portfólio de muitos varejistas vai muito além das ofertas de entrada (primeiro preço), competindo em nutrição, qualidade, funcionalidade e valor percebido. As marcas próprias tornaram-se ativos estratégicos capazes de fortalecer a fidelidade do cliente, melhorar as margens e diferenciar os varejistas de seus concorrentes.

O que torna essa tendência particularmente forte é que os varejistas possuem vantagens que os fabricantes tradicionais não conseguem replicar facilmente. Eles observam o comportamento de compra em tempo real, compreendem as preferências dos consumidores com precisão notável e controlam como os produtos são apresentados, promovidos e posicionados no ponto de venda (PDV).

Inovação na gôndola: a ascensão da limpeza segura para pets

Enquanto cresce a disputa por marcas próprias nas gôndolas, a indústria de produtos de limpeza também usa o segmento pet para inovar, ampliando a procura por fórmulas eficientes na higienização dos lares sem comprometer a qualidade de vida dos animais de estimação.

Um ponto de atenção destacado por fabricantes do setor está na composição dos produtos de limpeza. Substâncias comuns no cotidiano, como o cloro, são apontadas por essas empresas como potencialmente prejudiciais aos animais: o contato, seja pela lambedura de superfícies, pelo toque das patas ou pela inalação de partículas químicas, poderia causar irritações, alergias, problemas respiratórios, queimaduras e, em casos mais graves, intoxicação. Essa percepção tem levado empresas do setor a investir em fórmulas mais suaves, alinhadas ao bem-estar dos pets e à rotina dos tutores.

A escolha dos produtos utilizados no ambiente doméstico merece atenção também por outro motivo: os animais domésticos, especialmente os cães, possuem um olfato muito mais sensível do que o dos humanos. De acordo com o artigo “A capacidade e a precisão olfativa dos cães a serviço do homem”, esses animais possuem uma estrutura olfativa mais desenvolvida do que a dos humanos. Enquanto a área responsável pela percepção de odores ocupa cerca de 8% da cavidade nasal humana, nos cães ela pode chegar a aproximadamente 50%, tornando os animais muito mais sensíveis aos cheiros. Essa diferença faz com que fragrâncias consideradas agradáveis para os tutores possam ser intensas ou até desconfortáveis para os pets.

Entre as empresas que acompanham essa demanda está a Casa K&M, que desenvolveu a linha Casa & Amigo Pet, com produtos sem cloro e cruelty-free. Segundo o gerente de marketing da empresa, Marcos Santana, a maior atenção dos consumidores à composição dos produtos utilizados dentro de casa tem influenciado o desenvolvimento de novas soluções no segmento. “Os tutores hoje são investigadores de rótulos. Eles entenderam que cloro e fragrâncias excessivas, embora limpem, podem ser agressivos para quem vive a poucos centímetros do chão. O mercado precisou evoluir da limpeza pesada para a limpeza segura”, afirma. E acrescenta. “A escolha deixou de considerar apenas a eficiência e passou a levar em conta fatores como a composição, a segurança e o contato frequente dos seus bichos de estimação com essas superfícies no cotidiano.”

Dessa forma, os fornecedores do varejo alimentar, além de acompanhar a evolução das famílias brasileiras, também redefinem o conceito de limpeza doméstica no País.

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